Eleições em São Paulo
O surgimento de Russomanno como líder das pesquisas demonstram mais uma forma de uma antiga manobra da burguesa nacional
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Celso Russomanno (Republicanos) e Bruno Covas (PSDB). | Foto: Reprodução
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Celso Russomanno (Republicanos) e Bruno Covas (PSDB). | Foto: Reprodução

A pesquisa Ibope de domingo (20) divulgada pelo jornal “O Estado de S. Paulo” apontam Celso Russomanno (Republicanos) com 24% das intenções de voto para a Prefeitura de São Paulo nas Eleições de 2020. Essa pesquisa foi encomendada pela Associação Comercial de São Paulo e é a primeira divulgada após o fim do prazo para as convenções partidárias.

A figura de Celso Russomanno foi fortemente vinculada a um quadro sensacionalista de defesa ao consumidor na TV dos anos 90 – “influente” entre os figurões da imprensa burguesa, usou da fama conquistada como prancha para a vida política, acabou sendo eleito Deputado Federal no ano de 1994 pelo PFL (atual DEM), esteve presente no PSDB e no PP (Partido Progressista) de Paulo Maluf.

Sua trajetória pública é inteiramente marcada por partidos conservadores e de direita, defendendo claramente os interesses da classe burguesa – atuando como parlamentar, em 2010, apresentou uma emenda que destinava milhões para a ONG da qual é presidente; além de ser citado em ligações telefônicas em que o relacionaram ao bicheiro Carlinhos Cachoeira.

A TV Record, ligada à Igreja Universal, têm movido mutirões de fiéis para apoiar a eleição de seu candidato, utilizando de cultos públicos para propagar seus desejos – esse fenômeno expõe uma relação perigosa entre religião e política; a fé de pessoas inocentes é utilizada para favorecer carreiras e projetos burgueses e/ou conservadores retardando os reais interesses da classe trabalhadora. Para mais, o governo golpista de Bolsonaro (sem partido) também apoiou Russomanno mesmo tendo prometido ficar de fora das eleições municipais e negar apoio aos candidatos – o apresentador de TV já havia declarado seu caráter bolsonarista e alinhamento ao governo. “Nós estaremos alinhados ao presidente da República, não porque eu sou amigo dele desde 1995, ou porque hoje souvice-líder do governo no Congresso, mas porque estamos imbuídos de fazer o melhor para o país”.

O surgimento de Russomanno como líder da pesquisa demonstra uma manobra antiga da burguesia nacional, que para impulsionar a figura do psdbista Bruno Covas, segundo lugar nas pesquisas, com 18% das intenções de voto, coloca um demônio com cara de demônio e do lado um demônio muito mais ardiloso, só que com uma feição nas páginas de jornais “anjelical” – o que devemos compreender é que essa alternativa não é boa, tampouco nova; o fantoche da burguesia não é a solução; a saída é romper e denunciar todas as coalizões burguesas, construindo, através de uma organização por Fora Bolsonaro e Lula Candidato, a mobilização necessária que defenda reivindicações que atenda os verdadeiros anseios da classe trabalhadora.

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