Perseguição imperialista
O CAS desconsiderou as provas apresentadas pela Rusada, sendo assim,  as sanções impostas são claramente infundadas e políticas.
russia
Rússia está fora das Olimpíadas de Tóquio | Foto: Reprodução
russia
Rússia está fora das Olimpíadas de Tóquio | Foto: Reprodução

Após ter sido condenado a quatro anos de exclusão das Olimpíadas e de eventos em nível mundial reduzida para a metade pela Corte Arbitral do Esporte (CAS) em dezembro de 2020, a Rússia desistiu de recorrer das sanções impostas no caso de doping envolvendo dirigentes russos. Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (25), a Agência Russa Antidoping (Rusada) se posicionou novamente contra o veredito do CAS, agradecendo, porém, a entidade imperialista pela “consideração” aos atletas que não se envolveram nos casos de dopagem. A sanção  – absurda – permite que atletas russos disputem torneios esportivos, mas sem a bandeira, o uniforme e o hino do país, colecionando mundiais, medalhas de outo em todas as modalidades, e, particularmente, no Atletismo, na Ginástica Olímpica, na Patinação, no Levantamento de Peso, no Boxe, nos esportes coletivos (Vôlei, Basquete, Hoquei, Handebol) e outras modalidades. 

É preciso frisar que o período socialista deu grande impulso ao esporte no país, fazendo da ex-URSS e da Rússia atual, a grande nação do esporte olímpico, não só rivalizando com os Estados Unidos, como ultrapassando os ianques no número de medalhas em diversas edições da mais importante competição olímpica do planeta.

Como denunciado neste diário operário anteriormente, “o que se pode depreender da severa e tosca decisão da Agência Mundial Antidoping na punição aplicada à Rússia, é a tentativa não só de criminalizar o país no terreno esportivo, mas desmoralizar o vitorioso e espetacular esporte russo, o mais premiado país do mundo em se tratando de esporte olímpico. O que de curioso fica nesta história é que não há, por parte dos organismos e entidades mundiais que lidam com a “ética e a moral” no esporte, o mesmo tratamento rigoroso e draconiano com atletas representantes de outras nações, como foi o caso do tenista norte-americano Andre Agassi, usuário confesso de estimulantes e drogas ilícitas nas competições oficiais da ATP (Associação Mundial de Tênis).”

Dito isso, vamos rememorar  aqui, brevemente, o que se passou no passado dos jogos, quando os imperialistas já se utilizaram deste expediente contra outros países.

Em um clima de pós-guerra, por razões políticas a União Soviética foi excluída em 1920 dos Jogos Olímpicos de Antuérpia, na Bélgica. Áustria, Alemanha, Polônia, Hungria, Bulgária e Turquia nem foram convidados. Eram os perdedores da Primeira Guerra Mundial.

Foi assim também para a Alemanha e o Japão em Londres 1948, quando seus esportistas foram proibidos depois de perderem a Segunda Guerra Mundial para os maiores imperialistas, que, lembrando, ajudaram a financiar os fascistas na Itália e na Alemanha – Churchill era fã de Mussolini, Henry Ford, nos EUA, organizou um Congresso Nazista em solo americano, etc. Neste mesmo ano, os soviéticos, que haviam sido convidados, não foram aos Jogos por causa dos danos causados a seu país durante o conflito. Na realidade, desde a Revolução de 1917 os soviéticos se haviam mantido à margem do movimento olímpico e tinham até mesmo duas competições paralelas: a Olimpíada Operária e as Espartaquiadas.

Em 1964, o COI não permitiu que a África do Sul participasse dos Jogos Olímpicos de Tóquio por conta do regime segregacionista do apartheid, como se os donos dos Jogos Olímpicos, não fossem os maiores racistas do mund, demonstrando a demagogia por trás da competição que proíbe países de participar por motivações abertamente políticas e econômicas ligadas aos grandes capitalistas. No México 1968, quatro anos mais tarde, a África do Sul apresentou uma delegação que incluía esportistas negros e foi aceita pelo COI, que depois a excluiu novamente, após um boicote de 30 países que ameaçaram não ir à Olimpíada. Foi a punição mais dura para uma nação na história dos Jogos. A África do Sul só regressaria em Barcelona 1992.

Para Montreal, em 1976, a seleção de rúgbi da Nova Zelândia jogou contra a África do Sul e 29 Estados africanos pediram que o país da Oceania fosse também expulso. Desta vez, o COI não puniu a Nova Zelândia e 27 desses países não participaram daqueles Jogos, sendo eles: a Argélia, Alto Volta, Camarões, Chade, Congo, Egito, Etiópia, Gabão, Gâmbia, Gana, Quênia, Lesoto, Líbia, Madagascar, Malauí, Mali, Marrocos, Níger, Nigéria, República Centro-Africana, Suazilândia, Sudão, Tanzânia, Togo, Tunísia, Uganda e Zâmbia. A República da China, que incluía Taiwan, também não participou desses jogos porque o COI e o Canadá haviam reconhecido diplomaticamente a República Popular da China.

Já em Moscou 1980 e Los Angeles 1984, no período da Guerra Fria, os Estados Unidos não participaram dos Jogos na Rússia em protesto pela invasão soviética do Afeganistão e arrastaram consigo pelo menos 45 países capachos, ou seus principais aliados, como Alemanha Ocidental, Canadá, Argentina, Chile, Japão, Turquia e Noruega. Contudo, Inglaterra, Austrália e até a Espanha foram aos Jogos de Moscou. No evento seguinte, nos Estados Unidos, a União Soviética teve sua revanche, fazendo todo o chamado Bloco do Leste (incluindo Alemanha Oriental, Cuba, Coreia do Norte, Irã e Polônia), se ausentarem de Los Angeles – exceto a Romênia e a China, que marcaria seu regresso a uma competição olímpica.

Quatro anos mais tarde, em Seul 1988, Cuba e Etiópia, se ausentaram em solidariedade com a Coreia do Norte, que boicotou o evento olímpico. “Ainda assim entramos em uma época de normalização”, observa Arrechea. “Em Barcelona 1992 já está todo mundo, incluindo a África do Sul.”

Chegamos em 2012, quando vários países pressionaram a Arábia Saudita, Catar e Brunei por conta da exclusão de mulheres aos Jogos de Londres. Finalmente, esses países cederam e participaram dos Jogos com muito poucas esportistas mulheres.

É possível observar, através do que se passou agora, as mesmas ações imperialistas daquela época contra os países que mais ameaçam as conquistas econômicas das Olimpíadas – pois, afinal, se trata de bilhões de dólares. Tanto para a Rússia atual como para a então URSS, o esporte é uma questão de Estado e os Jogos são muito importantes para eles. O banimento da Rússia, é parte do cerco do imperialismo ao governo Putin, como ficou claro na própria pandemia, quando a Rússia desenvolveu uma vacina independente dos monopólios da indústria farmacêutica, o governo Putin é uma pedra no sapato para os planos do imperialismo na região.

O CAS desconsiderou as provas apresentadas pela Rússia, sendo assim, as sanções impostas são totalmente infundadas e políticas. Uma verdadeira perseguição, no momento em que os EUA acaba de impor sanções aos países ditos terroristas e que a ala imperialista mais forte, os Democratas, voltam ao poder com Biden.

 

Relacionadas
Send this to a friend