Revolução ou manobra dos EUA
O imperialismo norte americano aloca USS 20 milhões nas articulações que levam a massa de manobra às ruas da Bielorrússia, para derrubada de Lukashenko
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Manifestações de rua na Bielorrússia | Sputnik
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Manifestações de rua na Bielorrússia | Sputnik

Sergey Naryshkin, diretor do Serviço de Inteligência Exterior da Rússia, fez uma declaração para mídia  na quarta-feira, quando comunicou a todos ser da responsabilidade dos EUA a tentativa de “… organizar uma revolução colorida e um golpe inconstitucional na Bielo-Rússia”. Disse ainda que: “desde o início” os protestos neste país “foram bem organizados e coordenados do exterior”. E que, o serviço de inteligência tem evidências de que os EUA estão por trás “nos atuais acontecimentos na Bielo-Rússia”, desempenhando papel fundamental.

Quanto ao início de tudo, afirma que foi preciso pelo menos 1 ano de preparação pelos EUA para os eventos atuais, antecedendo em muito as eleições presidenciais, quando se buscou fontes de financiamento para uma investimento que chega a 20 milhões de dólares, e a utilização de Ongs como intermediadoras e execução do plano todo para estruturar as manifestações de oposição ao governo, com a participação de uma rede de ‘blogueiros independentes’; contas informativas nas redes sociais; preparar ativistas para ações de rua; sendo os indivíduos com mais potencial de liderança levados para Polónia, Lituânia e Ucrânia, onde eram melhor preparados para as atividades.

Aliás, os EUA fazem escola sobre revolução colorida. Gene Sharp, nascido em North Baltimore, 21 de janeiro de 1928, e falecido em Massachusetts, 28 de janeiro de 2018, foi um professor emérito de ciências políticas da Universidade de Massachusetts Dartmouth. É conhecido por seu extenso trabalho sobre luta não-violenta, que tem influenciado várias resistências anti-governamentais ao redor do mundo. Se notabilizou nesse sentido por suas obras desenvolvendo essa temática, em especial pelo livro: “Da Ditadura a Democracia”, quando desenvolve estratégias de conflito sem violência. 

Depois de descoberto pelos militares, seu manual foi traduzido para 24 idiomas e distribuído pela CIA e por ONGs  de fachadas, montadas numa estrutura para penetrar nos países alvos, financiadas por gente  como George Soros e os irmãos Koch, e ainda por institutos como National Endowment for Democracy (NED), United States Agency for International Development (USAID), Freedom House, Open Society Institute, McCain Foundation, e Clinton Foundation, institutos e empresas de cunho humanitário, mas fachadas para traficar informações, armas, dinheiro e etc, e levar a cabo interesses golpistas e a rapinagem do imperialismo norte-americano. 

Não se iluda quanto a isso, a revolução colorida, tal qual definida por Gene Sharp, é uma alternativa tão eficaz quanto a invasão pelo exército, só que sem baixas de soldados, com um orçamento infinitamente menor, e com a vantagem de ter gente local, um verdadeiro exército, apoiando os interesses golpistas, uma importante massa de manobra, para derrubar o governo nacionalista e entregar a economia do país aos grandes bancos internacionais, bem como, no caso concreto da Bielorrússia, para cercar a Rússia, e instalar postos estratégicos de ataque a ela pelo imperialismo norte-americanos e a União Européia.

Aliás, a USAID é uma frente articulada pelos EUA muito conhecida. De fato, a USAID tem se revelado uma das principais armas do imperialismo para se infiltrar nos territórios que deseja tomar. Segundo Nazanín Armanian, cientista política iraniana exilada na Espanha, a USAID foi criada em 1961 com a intenção de estender o “Plano Marshall” aos países estratégicos do mundo, canalizando suas políticas para impedir as forças comunistas de ganhar mais poder, vez que saíram fortalecidas pela vitória ao nazifascismo na Segunda Guerra Mundial.  Além disso, o Plano se incumbia de abrir novos mercados para as empresas americanas. 

A ligação entre a USAID e o Escritório de Segurança Pública, se fazia pela liderança do agente da CIA Byron Engle, que se renovou ano após ano. Em 2015, entretanto, Barack Obama nomeou o diretor do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca Gayle Smith, como o diretor da agência. Atualmente é administrada por Mark Edward Green, que também é Secretário do Exército dos Estados Unidos, indicado por Trump.

Ela, como é fácil de deduzir, atua em diversos países ao redor do mundo, junto a governos e instituições públicas e privadas, financiando projetos e Organizações Não-Governamentais (ONGs). E, como pertence ao Departamento de Estado, ela é subsidiada diretamente pelo governo dos EUA.

Também consta no relatório da Agência, uma descrição de como se dá a implementação das operações nos diversos paíse onde atua. Diz lá que: “Em todo o mundo, a maioria dos fundos da USAID é concedida competitivamente a organizações privadas por meio de contratos, doações ou acordos de cooperação. Os parceiros implementadores incluem organizações religiosas e comunitárias, setor privado, universidades, organizações públicas internacionais e organizações não-governamentais sem fins lucrativos.”

A USAID também desempenhou papel fundamental na tentativa de desestabilização de vários governos nos últimos anos. Assim como a vemos agir na Venezuela, com a fachada de ajuda humanitária, também foi em Cuba, e é assim em vários outros onde ela atua publicamente, geralmente países que passam por conflitos políticos, como Síria, Ucrânia, Líbia, Paquistão, Armênia, e Colômbia.

No Leste Europeu, por exemplo, a organização destina atualmente U$ 698,1 milhões para “conter a agressão russa”. 

No Brasil, a agência trabalha há mais de 50 anos. Seu primeiro e mais famoso acordo com o governo brasileiro foi a parceria MEC/USAID, implementada no início da ditadura militar, que submeteu o ensino brasileiro aos critérios dos EUA.

O atual diretor dessa agência no Brasil é Michael J. Eddy, que ocupa o cargo desde agosto de 2015. Ele lidera a transição da USAID no Brasil, de “Missão” para Escritório de Representação no País.

Como se pode ver, essa logística e estratégia, que tem sido implementada pelo imperialismo norte-americano em vários lugares, é também aqui utilizada igualmente para derrubar Lukashenko e conseguir fortalecer a oposição na correlação de forças do embate político, favorecendo o poder do capital estrangeiro e sua penetração nas instituições públicas propiciando ao golpe de Estado.

Assim como aconteceu na Ucrânia, os EUA e a União Européia atuam nas fronteiras da Rússia, trazendo os banqueiros e instalando bases militares para confrontá-la.

Cabe à esquerda a luta contra o imperialismo e à favor da luta dos povos oprimidos que, além de explorados, vêem suas riquezas roubadas e o povo deixado à míngua, sem emprego e sem comida.

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