Live das 5 no DCM
Rui explicou que o exagero da esquerda contra a invasão do Congresso norte-americano tem a função de favorecer a Frente Ampla com falsos democratas.
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Rui no DCM jan 2021
Rui no DCM | Reprodução

O programa Live das 5 do canal DCM no Youtube ocorre todas as quinta às 17h. No programa deste dia 07/01, Leandro Fortes recebeu o presidente do PCO, Rui Costa Pimenta e o professor Lejeune Mirhan.

Sobre o assunto do momento, Rui disse que a invasão do Congresso norte-americano por manifestantes pró-Trump deve ser vista sem os exageros que, de modo geral, a esquerda está cometendo ao analisar os acontecimentos do último dia 6 de janeiro em Washington. Rui alertou para que fiquemos desconfiados desse “antifascismo” que tem aparecido em todos os lugares.

“A experiência histórica mostrou que aqueles que mais gritam contra o fascismo são os primeiros a capitular quando o fascismo de verdade entra em cena”, alertou Rui.

Analisando a opinião geral da esquerda brasileira de que o “fascismo” tentou dar um golpe de estado nos Estados Unidos, o presidente do PCO diz tratar-se de um exagero e que tal exagero, na política, tem uma função específica. No caso em questão, o objetivo é levar a esquerda a apoiar os “democráticos” direitistas que se colocam como antifascistas. Portanto, devemos ficar em guarda contra esse exagero que tem como função o apoio a Joe Biden, um representante fiel do imperialismo genocida norte-americano. O próprio Biden, juntamente com Obama, organizou o golpe no Brasil, destruiu a Petrobrás e outras empresas, colocou pessoas na cadeia e colocou Bolsonaro no poder.

Rui opinou que o que aconteceu nos Estados Unidos foi uma manifestação vigorosa e com exigências democráticas de pessoas que pensam que as eleições foram fraudadas. Rui disse que eles têm todo o direito de manifestar tal opinião, assim como Bolsonaro tem esse direito aqui no Brasil. Rui citou a possibilidade de, em havendo uma disputa entre Bolsonaro e a direita tradicional (MDB, DEM e PSDB), a direita tradicional fraudar as eleições. Rui classificou essa direita e a direita imperialista norte-americana de “fraudadores profissionais”.

O presidente do PCO elucidou a polarização norte-americana explicando que a burguesia fez todo um esforço para aglutinar o movimento negro e outros movimentos populares contra Trump, que, por sua vez, agrega todo um conjunto de setores de classe média, pessoas despolitizadas, em geral, e, também, operários. Portanto, por trás do conflito entre duas alas da burguesia, um conflito real, existe aí um conflito entre dois amplos setores do movimento de massa. Isso é sinal da entrada dos Estados Unidos em uma zona de turbulência política muito grande. É um conflito de grandes proporções que arrasta setores imensos. É um sinal de que a luta de classes está se intensificando nos Estados Unidos e irá produzir uma crise cada vez maior do regime político norte-americano. Tudo isso que estamos vendo é fruto de um enfraquecimento político do regime.

A oligarquia política de dois partidos está sendo desmantelada. O próprio Trump é uma manifestação desse desmantelamento. Ele desmontou o esquema anterior que existia do Partido Republicano. “Do ponto de vista do Partido Democrata, a crise é ainda maior. Biden não teria se consolidado como candidato se não fosse a política da ala esquerda do partido e está dado como certo um confronto entre essa ala esquerda e o próprio Biden dentro do partido”, afirmou Rui.

O analista explicou que os conflitos surgem porque existe uma crise econômica crônica do capitalismo. O imperialismo não consegue extrair de suas colônias políticas e econômicas o que é necessário para satisfazer as várias alas da população norte-americana. A profundidade da crise fica evidente no fato de que os Estados Unidos não conseguiram transferir a crise para outros países como faziam normalmente. A deterioração econômica do imperialismo mundial fica evidente com esse acontecimento da invasão ao Capitólio.

Sobre o apoio da esquerda ao “antifascismo”, que, em si, leva ao apoio à direita (Biden, nos Estados Unidos), Rui comentou: “A esquerda não pode apoiar as medidas antidemocráticas que são tomadas pelo imperialismo norte-americano e outros em nome da luta contra o fascismo. Isso seria uma contradição, um contrassenso. Reforça o caráter ditatorial e bonapartista do regime político para lutar contra o fascismo, mas é justamente esse regime ditatorial que vai ser a porta de entrada do fascismo”.

“Não podemos aplaudir a censura das redes sociais a um presidente da República, nem as mortes no Capitólio. O problema é que a esquerda, nos EUA, no Brasil e na Europa não consegue estabelecer um campo próprio no interior dessa luta entre a extrema-direita e a direita – que é quase extrema direita também – e, em todos os momentos, em nome da democracia a esquerda fica à reboque desses setores como Biden. Essa armadilha é muito grave e a esquerda deveria ter uma posição independente”, continuou.

Uma explicação sobre o problema da frente ampla esclareceu a situação que ocorreu nos Estados Unidos com Biden e que está sendo montada aqui no Brasil. Rui disse que a ideia por trás da frente ampla, de unificar o maior número de pessoas possível contra o fascismo, é, abstratamente, uma ideia correta. O problema é que a política não pode ser baseada numa soma comum, mas ela deve ser visto, do ponto de vista de classe, qual é o movimento dessas forças.

“Por exemplo, o fascismo histórico foi colocado no poder pelos elementos que as pessoas querem hoje colocar na frente ampla. Não houve luta. O Baleia Rossi alemão não lutou contra Hitler, o Baleia Rossi alemão estendeu o tapete vermelho no Reichstag para Hitler tomar posse (…) A burguesia, de um modo geral, considera que as ditaduras, os governos de extrema-direita e o fascismo são ótimos. Se eles pudessem aplicar isso daí em todo lugar, eles aplicariam sem pestanejar. Mas eles acham que o custo disso é muito alto. É um tipo de terapia, digamos assim, social, econômica e política com grandes efeitos colaterais que podem levar à destruição. Vemos que quando uma ditadura acaba, o regime político burguês fica completamente desestabilizado. Isso ocorreu em todos os países onde acabou a ditadura. Alguns foram direto para a revolução, é o caso de Portugal em 1974”, ilustrou Rui.

Rui voltou a afirmar, como tem feito em todas as análises sobre o tema, que a burguesia com a qual boa parte da esquerda quer se aliar, não hesitará em apoiar Bolsonaro caso julgue necessário. Esses pretensos “aliados” não são de fato aliados.

A participação de Rui Costa Pimenta no programa deste dia 7/01 foi menor que o habitual. Devido ao curso da Universidade Marxista sobre o Stalinismo, com início no começo da noite todas as terças e quintas, o companheiro teve um tempo menor de participação no programa.

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