Presidente do PCO
Rui Costa Pimenta mostra sua opinião sobre acontecimentos recentes e faz um balanço das eleições de 2020
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Rui é convidado regular da Live das 5 nos DCM. | Foto: Reprodução

O programa “Live das Cinco”, da DCM TV no Youtube, recebeu neste 03/12 novamente o presidente do Partido da Causa Operária Rui Costa Pimenta e teve como entrevistador Leandro Fortes com a mediação de Marília Beznos.

O balanço eleitoral foi um dos principais temas discutidos. Um resumo com os principais assuntos está logo abaixo.

Não perca toda quinta-feira a Análise Política com Rui Costa Pimenta na DCM TV!

“Essa é uma das piores eleições que eu já vi até hoje”.

Leandro Fortes começou declarando que a avaliação eleitoral feita pelo PCO foi correta quanto ao péssimo resultado da esquerda e pediu ao companheiro Rui uma avaliação geral.

O presidente do PCO iniciou a análise dizendo que vê pessoas culpando o povo pelo resultado, o que não seria um ponto de vista adequado para a análise das eleições.

“Nós sabemos que a eleição no Brasil é um grave problema. É um regime político muito rígido e sem romper com uma série de obstáculos que o regime coloca você não consegue progredir eleitoralmente. Acho que há muita ilusão sobre a possibilidade de você dominar o regime político brasileiro através das eleições”, declarou Rui.

Continuando a explicar o valor político das eleições municipais, Rui deixou claro que essas são as piores eleições de todas. São muito propícias à manipulação e fraude. Como contraponto, Rui citou a eleição presidencial que é a aquela aonde o povo consegue realizar uma manifestação real. Nela cada homem conta como um voto e o paroquialismo é muito mais restrito.

Rui deixa claro que o ponto de vista correto para se fazer um balanço geral da eleição não tem a ver com a concepção política do povo, mas, sim, com o movimento interno da burguesia, ou seja, de um deslocamento mais à direita. “Houve um crescimento do PP e do PSD, partidos mais direitistas entre aqueles do bloco dominante. Também cresceu muito o bloco que tende à extrema-direta: Podemos, Republicanos e Partido Novo”, acrescenta o presidente do PCO.

Reafirmando o fato de que as eleições são controladas pela burguesia, Rui Costa Pimenta faz uma citação dos fatores anti-democráticos dessas eleições enumerando os seguintes:

  • É uma eleição no marco de um golpe de estado;
  • A burguesia está num controle muito grande das instituições;
  • A eleição não tem campanha eleitoral;
  • A legislação eleitoral é anti-democrática;

Explicando que a eleição não corresponde à vontade do povo, Rui atesta: “Eu tenho muita dificuldade de acreditar que os partidos mais queridos do Brasil pelo povo são o MDB, o PSDB, o DEM, o PP e o PSD do Kassab. Na minha opinião, o povo que sabe alguma coisa detesta esse partidos e os outros não sabem nada, vivem num limbo político com falsas informações”.

“Do fim da ditadura até hoje, nada de essencial da sociedade brasileira foi modificada através das eleições”.

Leandro Fortes questionou se não houve um excesso de expectativas da esquerda na campanha eleitoral.

A resposta foi afirmativa, Rui disse que estamos vendo um desmoronamento das ilusões do reformismo eleitoral.

“Do fim da ditadura até hoje, nada de essencial da sociedade brasileira foi modificada através das eleições. O máximo que o PT fez no governo federal foram algumas reformas de caráter paliativo. Nunca chegaram a ser algo que tivesse uma importância decisiva”, afirmou Rui.

O companheiro sinalizou que passou da hora de a esquerda reconsiderar suas ilusões no que diz respeito a eleição como método de transformação. O que está sendo mostrado na prática é um conceito marxista primitivo: que a eleição não leva à transformação, mas sim a revolução.

Mas, essas eleições não podem ser ignoradas do ponto de vista político, já que elas foram importantes como preparação para as eleições presidenciais de 2022. O companheiro Rui afirmou que a preparação tem o sentido, principalmente, de propaganda para a remoção do PT e da figura do Lula para as próximas eleições. Como exemplo, foram citados alguns casos em que isso ficou evidente:

  • O PT do Rio Grande do Sul colocou em prática a política de anular o PT na eleição, apoiando a Manuela do PCdoB como candidata;
  • Em São Paulo, Boulos foi elogiado pela imprensa capitalista enquanto que o candidato do PT era mostrado com apenas 1% dos votos;
  • No Rio a esquerda fez o papelão de apoiar o Eduardo Paes do DEM, algo muito estranho depois do golpe de estado, e a campanha contra a candidata do PT foi algo muito grande.
  • Na Bahia, o PT tem um acordo com o próprio DEM. O PT sabotou o próprio partido ao lançar uma major da PM como candidata. A cidade mais negra do Brasil não votaria numa candidata da instituição que mais mata negros no país;
  • No Maranhão, a base do governador se dividiu entre dois candidatos bolsonaristas, um do Podemos e outro do Republicanos.

“Eu atribuo isso ao fato de que a burguesia brasileira, de um modo geral, não vê muita utilidade dos partidos de esquerda reformistas no governo. A política dela não é reformista, é a política do Dória, de privatizar tudo, diminuir gasto com funcionalismo público, achatar o salário, liquidar o sistema de saúde e de educação e tudo mais. Nesse marco, os governos de esquerda, para a burguesia, não tem utilidade nenhuma. Então a burguesia está abandonando os governos de esquerda e está se deslocando cada vez mais para a direita”, arrematou Rui.

Sobre o fato de Bolsonaro estar em constante crise com a burguesia, Rui explicou:

“O fato da maior parte da burguesia não querer o Bolsonaro se deve a que ele é uma figura difícil de governar. Ele é tão inconveniente para a burguesia que ele nem consegue levar de maneira sólida a política neoliberal. Eles querem um governo de direita sólido. Enquanto a esquerda ficou num limbo político. O único partido que escapou disso foi o PT que teve candidato em muitos municípios apesar de não ter ganho”.

O presidente do PCO também acredita que na eleição para governador a esquerda vai colher um resultado muito parecido com o das eleições municipais de 2020. E explicou o motivo: a burguesia não quer a esquerda no governo e uma parte da esquerda tem uma política suicida de fazer um agrado à burguesia sacrificando o PT e principalmente o Lula. “Acho que essa política não leva a lugar nenhum”, finalizou.

“Não dá para acreditar que o PT quer se livrar do seu maior patrimônio eleitoral”.

As declarações do vice-presidente do PT e do ex-governador Jaques Wagner foram tema de um pergunta de Fortes. Ambos falaram em não depender do Lula. Leandro lembrou que também há um movimento no sentido de afastar a Gleisi para uma reorganização do partido para as eleições de 2022. “O que você acha dessas duas coisas?”, questionou o entrevistador.

Rui: Essas declarações são uma das coisas mais estranhas que eu já vi na política até hoje. Qualquer partido do mundo gostaria de ter um Lula. Ele se elegeu duas vezes para presidente num país aonde ele sempre foi vetado como candidato presidencial e depois, contra a vontade da direita, ele elegeu duas vezes a sucessora dele. A popularidade eleitoral do PT é o Lula. Jaques Wagner nem ninguém no PT tem votos.

“Não dá para acreditar que o PT quer se livrar do seu maior patrimônio eleitoral, homem de grande popularidade. É ridículo falar que se você tirar o Lula você terá mais voto do que com o Lula. Esse setor do PT está atendendo o pedido insistente da burguesia, desde o momento em que o Lula foi julgado pela lava-jato, que é tirar o Lula do jogo político brasileiro. Estão atendendo o pedido do Sérgio Moro, do DEM, do PSDB, ou seja, estão fazendo uma propaganda a favor do golpe de estado que tirou o PT do governo. Trata-se de uma adaptação à nova ordem política brasileira, qual seja eleger o Dória e quem sabe ele dar uma colher de chá para um setor da esquerda. Acho que eles não terão essa colher de chá nem entregando a cabeça do Lula”, respondeu enfaticamente Rui.

Ainda sobre Lula, o presidente do Partido da Causa Operária revelou que o partido se reuniu e decidiu lançar uma campanha em breve: “Lula presidente em 2022”.

“Se o PCO tivesse uma pessoa com a envergadura eleitoral do Lula, ninguém ia falar que ele teria que ser substituído por um zé mané qualquer”.

Leandro fez o papel de advogado do diabo e questionou se a chamada lulo-dependência não seria perigosa. “Não é muito arriscado depender somente de uma pessoa correndo o risco de haver uma impugnação de sua candidatura em 2022?”

Rui respondeu que do ponto de vista do PCO é impossível colocar as coisas nesses termos. Que Lula é o homem que o golpe quer tirar da eleição, o único que representa, dentro das eleições, a possibilidade de crise do golpe. É a única liderança capaz de causar essa crise e lideranças populares não são criadas da noite para o dia. É difícil surgir uma figura com história de luta e a envergadura eleitoral que o Lula tem.

“Se o PCO tivesse uma pessoa com a envergadura eleitoral do Lula, ninguém ia falar que ele teria que ser substituído por um zé mané qualquer”, afirmou Pimenta.

Leandro Fortes: Não está na hora de pararmos de andar em círculos com as eleições e discutir a revolução brasileira?

Sobre a questão feita por Leandro Rui esclarece: “Todas as propostas que fazemos e as coisas que nós, PCO, discutimos, estão guiadas por uma estratégia revolucionária. Nós temos que chegar à revolução através da luta política do dia a dia. Não tem outro caminho. Você precisa promover a educação revolucionária e a organização revolucionária do povo, o que só acontece na luta política cotidiana. O enfrentamento eleitoral deve ser feito não para se obter qualquer vitória eleitoral, mas para que essas eleições sirvam de experiência para as pessoas. Nós vemos a eleição do Lula e o próprio Lula como um instrumento do progresso da luta das massas”.

“[É preciso] fazer ato público, ocupar prédios públicos, ocupar empresas, fazer greves, fazer greve geral, fechar estradas”.

Leandro então pergunta se a eleição do Lula em 2022 não seria uma repetição dos governos do PT que não fizeram nenhuma mudança permanente no regime político.

Rui concorda e diz que sim, que é bem possível que isso aconteça. Seria uma política absolutamente estéril, não organizar nem mobilizar o povo colocando todas as fichas numa coisa passiva como a eleição – facilmente manipulável pela burguesia. “A esquerda, desde a luta contra a ditadura, evoluiu apenas eleitoralmente. Nesse período do golpe houve grandes oportunidades para mobilizar contra a burguesia e o imperialismo: o próprio golpe de estado, a condenação do Lula, a prisão do Lula, as reformas do Temer e do Bolsonaro, as eleições sem o Lula, em nenhuma dessas oportunidades a esquerda se mobilizou. Na crise do coronavírus, a esquerda ficou do lado do Dória e não quis se mobilizar, só ficar em casa”, afirmou o companheiro.

“O problema é que a esquerda não quer nada fora da eleição. A situação econômica brasileira tende a piorar muito sem o auxílio emergencial e o Brasil irá para uma etapa de explosão social. A situação irá esquentar e qual a política correta? Chamar toda a esquerda a se unificar em torno de objetivos políticos não para levar para o deputado fazer um projeto no Congresso, mas para mobilizar o povo: fazer ato público, ocupar prédios públicos, ocupar empresas, fazer greves, fazer greve geral, fechar estradas. Coisas que a burguesia entende como demonstração de força do povo”, afirmou de forma taxativa o presidente do PCO.

Finalizando dizendo que esperar as eleições de 2022 seria a política mais insensata que a gente poderia pensar.

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