Café da Manhã no DCM
A grave crise política no Brasil dominou a análise política do presidente do Partido da Causa Operária

Por: Redação do Diário Causa Operária

No programa Café da Manhã do canal DCM, desta quinta-feira (11), o presidente do Partido da Causa Operária, Rui Costa Pimenta, discutiu sobre os temas políticos mais atuais com Leandro Fortes.

A questão Lula mais uma vez foi o tema que dominou o programa de análise que ocorre todas as quintas-feiras, às 9h30. Comentando sobre o discurso do ex-presidente da última quarta, Rui disse que Lula se colocou como candidato e convocou o  PT, dizendo que o partido precisa colocar urgentemente a candidatura de Lula como fato consumado.

Diante dos horrores cometidos pelo STF, a crise do regime político e o desnudamento do golpe de estado, a candidatura de Lula deveria ser consolidada o quanto antes, inclusive com mobilizações de rua. “Até porque existe uma mobilização febril agora para deter a candidatura do Lula. Não só na direita e na extrema-direita como também na esquerda”, explicou.

A reação do “mundo político”, ou seja, da burguesia, foi negativa em vários setores. Na Bolsa de Valores, no meio militar – tanto militares da reserva como da ativa –, nos partidos políticos burgueses e nos jornais golpistas, para citar alguns setores. O jornal Estado de S. Paulo, por exemplo, disse que a ficha moral de Lula era suja; já a Folha pediu celeridade nos processos que irão para a Vara Federal de Brasília.

“Isso significa, em primeiro lugar, que a esquerda tem que se armar para uma grande batalha política. Lula e a esquerda que o apoiar contra toda a burguesia unificada contra ele. A burguesia não quer dar a Lula um novo mandato, não tiraram a Dilma [para isso]”, opinou Rui.

Sobre um possível governo Lula após 2022, Rui destacou que não existe a possibilidade de que a política econômica de destruição nacional dos governos Temer e Bolsonaro venha a ser praticada por Lula. “Mesmo que o Lula quisesse fazer um acordo, ele não pode colocar em prática nada disso. Seria uma mistura insustentável, explosiva”, explicou.

Rui resumiu os atuais acontecimentos como sendo a abertura de uma guerra, porém com vantagem para o campo dos movimentos sociais, populares, da classe trabalhadora e da esquerda, que é o Lula. Uma grande vantagem.

“Estamos caminhando para um terceiro golpe de estado. Como vai se dar eu não sei, mas acho que a mobilização popular tem forçar para enfrentar. Só não podemos cair no ‘oba-oba’ de ‘nós já ganhamos’, porque não será assim. Será uma guerra e todos os sinais já estão colocados no terceiro dia da queda dos processos contra o Lula”, afirmou Rui.

A decisão do Fachin coloca para a esquerda o grande desafio de sair do “mundo cor de rosa” da democracia e da solução dos problemas nacionais pelo voto. A conclusão que a esquerda deve ter é simples: se Lula não puder concorrer novamente, trata-se de mais um golpe de estado e mais uma etapa de liquidação dos direitos políticos do povo. Os métodos parlamentares e de propaganda eleitoral que a esquerda se acostumou a usar são totalmente ineficazes nessa luta.

Nesse sentido, o lançamento imediato de sua candidatura feito amplamente e com o apoio de todos os que quiserem se aliar a Lula, se torna fundamental para mostrar que qualquer ataque, a partir de agora, será um ataque à candidatura do maior líder popular do Brasil. Desta forma, a reação aos ataques burgueses serão mais fortes.

“Tem que sair à rua, tem que formar comitês pela candidatura do Lula, tem que levantar a palavra de ordem de ‘Anulação de todos os processos’, ‘Indiciamentos dos membros da lava-jato’, tem que haver um movimento popular nesse sentido”, disse Rui.

A sessão da 2ª Turma do STF, que votava a suspeição de Moro, parou no pedido de vistas do ministro indicado pelo Bolsonaro. Para Rui, houve ou haverá uma consulta ao Bolsonaro e aos militares. Se esse pedido de vistas demorar – já que não tem prazo para findar – Lula poderá ser condenado novamente, inclusive com a Vara de Brasília utilizando todo o material produzido pelo ex-juiz Sérgio Moro e só assinando embaixo.

O presidente do PCO, explicou:

“Sinto que a burguesia, de todos os cantos, está pedindo para tirar o Lula do páreo o mais rapidamente possível. O fato é o seguinte: se houver eleições minimamente democráticas com o Lula, na pior das hipóteses a farsa vai ficar desmascarada. Porque o esforço para deter o Lula vai precisar ser tão grande que todo mundo vai ter que ‘botar a cara’ muito mais do que eles fizeram no golpe de de 2016 e na fraude eleitoral de 2018 onde eles tiraram o Lula”.

Quanto maior a ação por parte da esquerda, mais a direita e a burguesia terá que se expor nos seus métodos anti-democráticos, ditatoriais, suas irregularidades jurídicas, a tutela dos militares sobre o governo e tudo o mais. A esquerda deve botar o bloco na rua já. Porém, o que vemos dos pretensos esquerdistas é: Ciro Gomes diz que não vai participar do que chamou de ‘circo’, Boulos disse que irá discutir ‘projeto’. Rui disse não ter visto muita animação da esquerda com a candidatura do Lula.

Sobre o STF, Rui destacou que trata de uma instituição anti-democrática que atropela o Executivo e o Legislativo, que cria leis e atropela decisões tomadas por pessoas eleitas. Eles não são eleitos e possuem um cargo vitalício. “Somos muito contra eleger o STF como sendo o pilar da democracia brasileira. Porque isso é uma fantasia total. Esse pessoal não tem nada de democrático”.

A crise dos vazamentos das conversas dos membros da lava-jato, deixa dúvidas do que exatamente está em poder do STF. Para o companheiro Rui Costa Pimenta,

“Isso é o maior escândalo político/jurídico da história nacional. Uma fraude de juízes que envolveu militares, STF, o Congresso Nacional, os principais partidos políticos brasileiros para defraudar a vontade política do povo brasileiro”.

“É um escândalo de proporções vulcânicas [a vaza-jato], na minha opinião. Se isso tudo fosse colocado nos jornais o regime político viria abaixo. Eu creio que a cúpula política do país tem consciência disso e estão trabalhando no sentido de contenção de danos: é preciso denunciar uma parte da coisa para evitar que tudo venha abaixo”.

O ministro Fachin se antecipou para salvar a operação Lava-Jato entregando o Lula e na expectativa de que ele possa ser contido por outras formas. Mas, mesmo essa manobra revela a gravidade da crise e uma hora vai explodir. Vivemos um daqueles momentos de crise como era no final da ditadura na época do atentado do Rio Centro, quando havia a ala ‘aberturista’ e a ala mais linha dura em crise. A ala do Gilmar Mendes quer livrar muitos dos seus amigos da operação Lava-Jato. Existe uma grande crise.

Rui ainda falou de outros temas diversos e pode ser conferido na íntegra no link abaixo:

 

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