O que não unifica?
Numa política de completa adaptação aos golpistas, o governador novamente afirmou que a reforma tem coisas “positivas”
Terezina PI 22 08 2019 Em fórum, Rui Costa governador da Bahia defende união do Nordeste para atrair negócios e investimentos para a infraestrutura foto Jorge Ramos
Fotos: Manu Dias/GOVBA - Fotos Públicas. |

Setores da esquerda pequeno-burguesa parecem realmente acreditar que quanto maior a adaptação à extrema-direita, melhor. Há alguns casos como este, mas o governador da Bahia, Rui Costa (PT), tem se colocado como uma espécie de porta-voz da política de conciliação radical com os golpistas.

Em entrevista à Globonews, o governador da Bahia declarou que vê coisas “positivas” na reforma da Previdência aprovada esta semana pelo governo golpista, e conclui dizendo: “Tanto é que não me posicionei contra”.

A posição de Rui Costa é um escárnio contra o povo da Bahia e contra especificamente o eleitorado da esquerda que foi quem o colocou no governo. Mas é preciso entender o que está por trás dessa política.

Setores da esquerda pequeno-burguesa crêem que uma política de completa subserviência diante da direita seria a salvação política diante da ofensiva cada vez mais violenta do golpe contra a própria esquerda e os direitos dos trabalhadores. Para isso, seria preciso levar uma “política responsável”, como a burguesia gosta de dizer. Na verdade significa que o povo deve ser esfolado, o governo deve ter o direito de passar por cima da população e a população deve aceitar tudo isso calada.

Outra coisa que chama a atenção na posição de Rui Costa é a fraude da política da maioria dos setores da esquerda que evitam levar adiante uma política de enfrentamento com o governo golpista. Alguns dizer abertamente que a palavra de ordem “Lula livre” não “unifica” outros têm essa posição, não dizem abertamente, mas não movem palha para mobilizar pela liberdade de Lula.

Esses mesmos setores tentam a todo o momento explicar que não se deve chamar a palavra de ordem de “fora Bolsonaro”. Praticamente nenhuma organização da esquerda aderiu a essa palavra de ordem embora o povo nas ruas esteja clamando para derrubar o governo.

Tanto a luta pela liberdade de Lula como a palavra de ordem de “fora Bolsonaro” não são bem vistas pela própria burguesia, por motivos óbvios, e há uma completa adaptação aos interesses da direita. Mas uma das principais desculpas para não levantar tais palavras de ordem é a substituição delas por reivindicações parciais.

Portanto, segundo esses setores da esquerda, o correto seria chamar o povo a sair na rua por exemplo contra a reforma da Previdência. Mas aí vem Rui Costa, um dos representantes da esquerda, e se diz a favor da reforma. Ou seja, na realidade tudo não passa de uma enganação do povo. O que esses setores da esquerda querem é procurar uma conciliação com os golpistas e garantir as próximas eleições.

Resta saber se estaremos vivos até lá.

 

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