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Contra a Educação
Rui Costa quer fechar uma das maiores escolas da Bahia
O governador da Bahia decidiu que irá fechar o Colégio Odorico Tavares, um dos colégios mais tradicionais da Bahia.
rui costa e ACM net
Contra a Educação
Rui Costa quer fechar uma das maiores escolas da Bahia
O governador da Bahia decidiu que irá fechar o Colégio Odorico Tavares, um dos colégios mais tradicionais da Bahia.
Governador da Bahia Rui Costa (PT).
rui costa e ACM net
Governador da Bahia Rui Costa (PT).

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), anunciou em entrevista a uma rede de TV na última quinta (26/12) que irá fechar o Colégio Estadual Odorico Tavares, uma das escolas públicas mais tradicionais do Estado, e vender o imóvel à especuladores imobiliários. O governador afirma que quer construir mais escolas e facilitar o acesso para os alunos.

Os estudantes estão indignados e já realizaram vários protestos, só no último mês de Dezembro foram três, contra a decisão monocrática do governador. Os alunos reivindicam além da permanência da escola, o investimento pela Secretaria de Educação na reforma do prédio e contratação de mais professores, o que de fato resolveria o problema no colégio. Além disso, alegam que não houve qualquer discussão do problema com a comunidade acadêmica.

A escola, localizada em um dos bairros mais elitizados de Salvador, o Corredor da Vitória, foi inaugurada em 1994 e já foi uma das mais procuradas por alunos de toda a cidade, referência no ensino e na sua estrutura. Porém, a falta de investimento por parte das diversas administrações estaduais permitiu que o prédio da escola, que já abrigou cerca de 1000 alunos, hoje esteja cheio de problemas estruturais, como infiltrações em paredes, sanitários degradados, equipamentos quebrados, partes do teto desabando etc. A localização da escola também incomoda os moradores do bairro, que vem com maus olhos os alunos circulando pelo bairro, em sua maioria negros e da periferia. Um comportamento típico da burguesia racista brasileira que se vê incomodada ao partilhar os mesmos espaços com pessoas pobres.

Rui Costa usa como argumento uma demagogia barata ao alegar que “quer reduzir custos dos pais de alunos que tem que arcar com gastos de passagens para se deslocar até o colégio”,  que não quer vender o prédio, mas sim, “trocar por 6, 7, 8 ou 9 escolas na periferia” e ainda, que “há cerca de 30 mil jovens em Salvador sem escola”. Um discurso meramente demagógico e cínico pois, o governador, que agora aparece preocupado com a falta de escolas e com o sofrimento da população, é o mesmo que já fechou diversas escolas,  principalmente em áreas periféricas, sob a alegação de falta de alunos, de insegurança, de estrutura ruim da escola, é o mesmo governador que está militarizando dezenas de escolas em todo o Estado e tem aumentado regularmente a tarifa do transporte público, no caso o metrô, o qual aliás está prestes a ser reajustado, junto com a tarifa dos ônibus coletivos, em jogada casada com seu “parceiro” político, o prefeito ACM Neto.

A política tocada por Rui Costa, tem se mostrado a mesma da extrema direita, realizando privatizações de escolas, fechamento, militarização, não realização de concurso público para contratação de professores e servidores, contratação em regimes de trabalho precarizados, como é o caso do REDA (Regime Especial de Direito Administrativo) – está sendo realizado neste momento processo de seleção para contratação de quase 2.500 professores via REDA.

Os alunos devem continuar se manifestando, assim como os professores, reivindicando que não deve haver o fechamento, nem do Odorico Tavares, nem de qualquer outra escola pois, num Estado onde o déficit educacional é gigantesco não há lógica que justifique fechar escolas. Os argumentos apresentados pelo governador são desculpas esfarrapadas pois, quando um aparelho público seja ele um hospital, escola, teatro, não está em condições adequadas de funcionamento é porque não está havendo o investimento necessário.

Essa é a política econômica neoliberal, que corta investimentos em tudo que é de benefício para a população, sucateia o patrimônio público e depois usa essa degradação para entregar, de graça, esse patrimônio aos capitalistas oportunistas, que não irão investir um centavo e se utilizarão do equipamento para retirar grandes lucros.