Rui Costa Pimenta: “prisão de Temer é a briga das alas do golpe”

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A Análise Política da Semana apresentada por Rui Costa Pimenta, presidente do PCO, vai ao ar todos os sábados às 11h30 da manhã, com uma análise dos principais acontecimentos políticos da semana. Momentos da Análise Política da Semana  Nessa análise de 16 de março de 2019 Rui Costa Pimenta explica sobre o aprofundamento da crise entre os setores do bloco golpista.

“Eu tive a oportunidade ver nesses últimos dois dias pessoas comemorando a prisão do Michel Temer. Que é uma coisa totalmente irracional, porque a política não se faz com a satisfação de determinado tipo de ressentimento. Michel Temer, foi uma das peças chave na derrubada do PT e agora ele mesmo está sendo perseguido pela Lava Jato. Isso simplesmente demonstra que a frente que se formou na derrubada do PT em 2016 foi uma frente composta por elementos heterogêneos, não era uma frente totalmente unificada.

Agora com o aprofundamento da crise e os acontecimentos dessa semana são mais um índice do aprofundamento dessa crise. Nos vamos a um enfrentamento muito grande entre dois ou três dos setores que compõe o bloco golpista que derrubou a Dilma . A prisão do Temer foi uma resposta dos juízes da operação Lava Jato à ofensiva que foi deslanchada pelo STF contra  operação Lava Jato. O STF votou aí que uma parte dos processos da Lava Jato irão passar para o TSE ou seja para o próprio STF. Muita gente não sabe mas a maioria do juízes do TSE são do próprio STF e abriu uma investigação sobre a Fundação Lava Jato. Também uma coisa meio obvia, porque os integrantes da Lava Jato o Dallagnol em particular abriu um franco enorme com essa fundação para a outra ala e com a investigação das chamadas Fake News que uma operação também para atingir os elementos da extrema direita ligado ao imperialismo principalmente os elementos dentro do judiciário, mas também logicamente essa operação visa também atacar o governo Bolsonaro.

Então nós temos aí um enorme enfrentamento. O governo está dividido em torno dessa operação, porque o governo Bolsonaro se apoia dentro de todos esses setores, nós temos aí dentro do governo Bolsonaro, o setor dos evangélicos meio enlouquecidos e fanáticos e o setor do Olavo de Carvalho que também são enlouquecidos e fanáticos,  isso não quer dizer que não sejam pilantras também, envolvidos em todo tipo de negociata, nós temos o setor das forças armadas, temos o setor da extrema direita  da política tradicional  e temos os partidos que foram os principais partidos no golpe que PSDB, DEM e MDB. Então o que nós estamos vendo nesse momento é um enfrentamento dentro do bloco golpista que já havia se manifestado antes do golpe.

Nos vimos varias manifestação, por exemplo o senador Renan Calheiros que comandou a votação no Senado e manteve intacto os direitos políticos da Dilma Rousseff apesar da votação do impeachment. A gente já percebia aquela tensão dentro do bloco que está explodindo agora. Logicamente que nós temos aí um conjunto bastante complexo de razões para que tudo isso esteja nesse nível de tensão que presenciamos essa semana até aqui.”