Rui Costa Pimenta: “O suicídio do ex-presidente peruano e as implicações políticas”

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A analise política semanal Com Rui Costa Pimenta, presidente do PCO, acontece todo sábado às 11h30, e é transmitido via canais de comunicação da internet. Na última Análise Política da Semana do dia 20 de abril de 2019, Rui fala sobre os acontecimentos políticos no Peru que se transcrito abaixo:

O suicídio no Peru do ex-presidente, Alan García que serviu pra colocar em destaque que o Peru sofre um processo quase idêntico ao Brasil de golpe de Estado e manipulação político pelo imperialismo, inclusive com a mesma metodologia, o ex-presidente peruano se matou porque iniciou-se um processo jurídico, idêntico a da lava jato, alguns inclusive chama de lava jato peruana, incriminou esse presidente, e ele achando que já era demais isso daí ele cometeu suicídio, vai saber quais outras causas influíram? Mas ele deixou uma carta dizendo que não ia se submeter a essa arbitrariedade e humilhação.

O processo peruano é muito parecido com o Brasil só que ele se da em etapas um pouquinho diferentes, mas ele é muito parecido:

Primeiramente o Peru elegeu um presidente de esquerda, da esquerda burguesa nacionalista, o Humala, que foi totalmente sabotado durante um longo período. Conseguiu cumprir o seu mandato, mas foi obrigado a renunciar, e elegeu-se um presidente mais direitista mais afinado com a política internacional do imperialismo, mas isso não foi suficiente. E esse presidente foi derrubado no meio do mandato, Kocinski, e agora o vice-presidente dela que tá exercendo o governo do Peru, ele esta levando adiante uma política de ofensiva contra todos os partidos peruanos, contra vários elementos, dois ex-presidentes estavam sendo indiciados, o Alan García iria ser indiciado agora e cometeu suicídio.

Isso é importante destacar, já não é propriamente nenhuma novidade, a gente já falou disso em outras oportunidades, mas é importante destacar de ante dos acontecimentos pra mostrar que o que acontece na América-latina é um padrão, é quase como um script, de utilização das denúncias de corrupção, de formação através do judiciário de um mecanismo de perseguição política, de tomada do governo para amparar esse mecanismo de perseguição política e desmantelamento das estruturas políticas tradicionais, não só da esquerda tipo PT, mas até setores muito mais moderados como o do Alan García e do APRA (Aliança Popular Revolucionária Americana).

É importante trazer isso à tona nesse momento porque no Brasil, existe todo um esforço pra esquecer o processo político, existe um esforço por parte da esquerda pra mostrar que está tudo normal, vamos continuar com aquela vidinha parlamentar, acredite vai dar certo, nós vamos lá no congresso dominado pelo PSL, “nós vamos fazer o bem do Brasil, se nós não estamos conseguindo fazer o bem máximo nesse momento, logo virão as eleições municipais, ai sim nos vamos mudar o quadro político do Brasil, ai sim a grande tocha da esperança e nós vamos vencer as eleições de 2020 e o paraíso vai se estabelecer na terra”, quer dizer, essa é uma política vigarista, uma política de enganação do povo, é uma política até criminosa.

Existe toda uma tendência em ignorar o que esta acontecendo no Brasil e no conjunto da América-latina, nos já tivemos a oportunidade aqui de analisar quase que caso por caso da América-latina e nós vimos, no Paraguai a mesma coisa, no Paraguai inclusive, é um caso incomodo para os otimistas de 2022, porque depois do golpe já teve duas eleições, então, e nas duas eleições a balança eleitoral, que é a voz do povo, mostrou que o “povo prefere na realidade a extrema direita, principalmente depois do golpe, teve um golpe e o povo começa a se apaixonar pela extrema direita”.

No Equador usurparam o poder, o presidente da república que era vice do Rafael Correa deu um golpe dentro do governo, traiu todos os seus compromissos políticos e se vendeu para o imperialismo. E esta perseguindo todo mundo, Rafael Correa, a perseguição judicial é enorme, é interessante ver como o judiciário de repente começou a adquirir vida própria em todos os países da América-latina, não é só na América-latina se a gente for ver no mundo é um processo mundial, “de onde virá esse processo mundial, será uma inspiração? Quem é que está impulsionando tudo isso?” É evidente que tudo isso é uma conspiração e o caso peruano, é mais uma comprovação disso e mais um desmentido da ideia de que nós podemos com esperteza política parlamentar, superar os problemas que o Brasil tá enfrentando, não vai acontecer. O suicídio do Alan García é um chamariz, o Alan García inclusive não é um política do nível de popularidade do próprio Lula por exemplo, ele fez um governo já havia se desgastado, o partido dele já havia se desgastado ele não foi eleito nas últimas vezes, o partido dele não foi eleito, da pra perceber que o processo de perseguição política é muito mais amplo do que as pessoa querem imaginar.

Aqui no Brasil dão a impressão assim, “não é o Lula”, volta e meia você vê a direita dizendo, “esqueçam o Lula, arrumem uma figura nova, mais moderna, peguem ai,” o pessoal não fala em geral do PT mas “peguem a Manu o Boulos, gente nova, sangue novo e tal”, quer dizer: isso daí é na verdade jogar uma isca pra que a esquerda morda um anzol, porque nem Lula nem Boulos nem Haddad nem Manu estão na lista dos preferidos dos capitalistas brasileiros, o que vai haver aqui é esforço permanente pra estabelecer um domínio duradouro da direita brasileira, os capitalistas estão rejeitando ima política reformista inclusive de muito baixa intensidade, o caso peruano nesse sentido é mais uma coisa…

Ouça o áudio da analise: https://soundcloud.com/radiocausaoperaria/o-suicidio-do-ex-presidente