Rui Costa Pimenta: “o PT é o principal terreno da luta de classes no Brasil”

Members of Workers' Party (PT) wear masks depicting Brazil's former President Luiz Inacio Lula da Silva during the National congress of Workers' Party (PT) in Sao Paulo

Rui Costa Pimenta explica a luta da burguesia para influenciar o PT internamente e evitar que se torne um partido operário.

“Nós temos que ter em mente que o PT é terreno prioritário da luta de classes no Brasil. Muito da luta pelo controle do estado passa pelo controle do PT. Num primeiro momento a burguesia tentou evitar ( e na época todos os dirigentes do PT concordaram) que o PT fosse um partido operário. Quer dizer, que as massas operárias tivessem uma participação direta na sua organização e tudo mais. A maioria das pessoas não viveu esse período que é o começo do PT.

A luta contra a idéia de que o PT devesse ser uma partido de trabalhadores, como diz o nome (controlado por trabalhadores) era imensa. A burguesia tinha medo desse tipo de desenvolvimento porque poderia se criar um partido com participação direta de milhões de trabalhadores. Aí criou-se um partido que é controlado por elementos pequeno burgueses mas tem uma base eleitoral de massas.

Nós na época propusemos que os sindicatos controlassem o PT. E isso deu origem a uma verdadeira guerra.

Dentro do PT, num segundo momento, mesmo a classe trabalhadora não sendo majoritária houve um grande enfrentamento às alianças com a burguesia. Tento que o PT foi fundado e 79 e só consegue fazer uma aliança muito disfarçada coma burguesia em 89, na primeira campanha do Lula, onde ele faz aliança com o PSB e com o PCdoB (que até então estava contra a construção do PT). Nós denunciamos essa frente, que tinha como vice do Lula um latifundiário do Rio Grande do Sul.

A partir daí o PT aprofundou essa política de alianças com o objetivo de chegar ao poder. A burguesia defendeu a política de aliança classista do PT em todos os momentos, e uma parte da esquerda também. Então a burguesia vem querendo intervir dentro do PT para levar o PT para a direita há muito tempo.

Do ponto de vista dos que luta pela revolução proletária, essa luta interna do PT tem a maior importância possível, não adianta dizer simplesmente que o PT virou direitista, que se aliou com a burguesia e pronto acabou, isso é uma compreensão extremamente simplória da realidade.”