Rui Costa Pimenta: “o pacifismo e confusão da esquerda é uma desgraça”

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O programa Análise Política da Semana é apresentado todos os sábados, a partir das 11:30, por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), no canal Causa Operária TV e na Rádio Causa Operária.

É um momento de análise e de debate relacionados aos acontecimentos importantes que permeiam recentemente o cenário político nacional e internacional, com perguntas do público presente no Auditório Frederich Engels e pelos que acompanham a Análise Política pela internet. Além disso, constituiu-se, nos últimos anos, num meio de orientação para a esquerda em geral, para os movimentos sociais e para as organizações populares, que buscam clareza e direcionamento para a luta contra o avanço do Golpe de Estado no Brasil.

No sábado, dia 16/03, o companheiro Rui comentou sobre o pacifismo e a política confusa da esquerda, e como isso pode levá-la a um resultado desatroso e ineficaz na luta contra a extrema-direita. Leia o que ele disse abaixo:

“Uma coisa que não vai dar certo messe caso aqui é o pacifismo que a esquerda prega. Isso aí é provavelmente a pior desgraça no momento atual da política da esquerda. Nós temos que lembrar que o cristianismo tem a filosofia de “dar a outra face”. Então, é maravilhoso isso daí: paz, amor, dar a outra face e tudo o mais. Mas nós temos que lembrar que toda a primeira fase do cristianismo foi uma fase de massacres contínuos contra os cristãos. A não ser que, se a gente não quer repetir a mesma proeza, é melhor não dar a face assim, não ser tão paz e amor assim.”
“Uma coisa que a gente tem que dizer muito claramente é o seguinte: uma parte da esquerda esquece que a essência da sociedade em que a gente vive é a luta de classes: o que significa “a luta entre opressores e oprimidos”. Se os oprimidos dão a outra face, a opressão só vai aumentar. É o que nós estamos vendo aqui nessa escola (onde ocorreu o massacre de Suzano). Esse pessoal está vivendo na ilusão de que, com a eleição do Bolsonaro, com a violência dos bolsonaristas contra esse, contra aquele, as ameaças contra o povo, que eles agora têm total liberdade para fazerem o que quiserem com qualquer pessoa. Isso aí precisaria ser contido. Não é um problema específico da escola, nada disso: é uma manifestação de pessoas particularmente desequilibradas e de um clima geral. A única maneira de parar isso daí é parar a extrema-direita, não aceitar essa violência da extrema-direita. O que significa que precisa “responder à altura”.

Não adianta nada fazer um discurso quando a pessoa está vindo para cima de você armada e tudo o mais. É uma avaliação (do ponto de vista real da sociedade, que é a luta de classes) é um equívoco total que você vá responder a violência com pacifismo. Não vai funcionar de jeito nenhum: só vai aumentar a sede de violência da extrema-direita e a influência da extrema-direita sobre pessoas como essas que fizeram o “negócio” de Suzano. Quanto mais a extrema-direita parece poderosa, e quanto mais a esquerda apanha, mais serão atraídos os elementos que são efetivamente os elementos desequilibrados para essa política de violência. (…)”