Rui Costa Pimenta na Rádio Causa Operária faz uma análise sobre os atos contra o golpe de 64

2019.04.06 Momentos da Análise Política da Semana

O presidente do Partido da Causa Operária, Rui Costa Pimenta,  apresenta todo sábado o programa Análise Política da Semana,  sobre a conjuntura nacional todos os sábados a partir das 11:30h, ransmitido pelo Youtube nos canais da Causa Operária TV e da Rádio Causa Operária; também nas páginas do facebook da Causa Operária TV, do Diário Causa Operária Online, do PCO – Partido da Causa Operária, é possível acompanhar o programa que tem dezenas de milhares de expectadores, além das contas do partido no Twitter/Periscope e VK (rede social russa).

No programa do último dia 06, Rui Costa Pimenta analisou a ausência da direita nos atos de comemoração do golpe de 1964. Confira:

“Bom, companheiros. A semana aqui foi marcada, além da evolução da crise do gov Bolsonaro, foi marcada pelos acontecimentos do domingo. Ou que giraram em torno do domingo.  Quando fazia aniversário o golpe militar de 64. Acho que a primeira coisa que a gente deve apontar aqui é um balanço dos atos que foram realizados contra o golpe militar. Dos quais devemos tirar algumas conclusões importantes.

O 1º fato que chamou a atenção nos atos, em relação ao golpe militar de 64, foi praticamente a completa ausência de atos dos defensores do golpe militar de 64. Alguém pode achar estranho que a gente esteja destacando este fato. Mas a verdade é que em outras oportunidades a direita compareceu em muito maior número. Acho que a gente atribuir esta falta de mobilização ao fato de que a extrema direita está bastante encurralada pela situação política e portanto, não só não havia uma grande disposição para sair as ruas (a direita está intimidada), como os setores dirigentes, principalmente os setores da direita tradicional mas também setores das forças armadas e da extrema direita, acharam mais prudente evitar qualquer tipo de confronto em relação ao golpe de 64. Logicamente que eles tem uma avaliação, desta situação, e eles sabem que há um repúdio muito grande sobre o golpe de 64.

Notícias vazaram na imprensa que os próprios militares, que são a favor de comemorar o golpe de 64 logicamente, eles adotaram uma linha, procuraram influenciar o governo Bolsonaro no sentido de que a coisa fosse feita da maneira mais discreta possível, que é um sinal da impopularidade dessa política em geral e particularmente neste momento aqui.

Muitos militares eles se sentiram contrariados quando Bolsonaro publicou este famoso vídeo onde aparece um ator falando que o golpe não foi golpe, que a ditadura não foi ditadura. Estas coisas características da direita. O próprio Mourão, quando foi perguntado, falou “olha, isso aí é decisão do Bolsonaro”. Quer dizer, não fui eu, não foram as forças armadas. Eles estão evidentemente numa política de se resguardar diante da insatisfação muito explícita com essa questão do golpe militar de 64. Isso daqui serve como um parâmetro pra que a gente possa avaliar qual é a verdadeira força política da extrema direita brasileira e do governo Bolsonaro. Ela é uma força bastante relativa, a gente tá vendo isso. Há uma série de dados que precisam ser computados para entender o verdadeiro papel da extrema direita no Brasil. Ela é uma força pequena, ela tem sido mobilizada desde 2014 usando o governo do PT como saco de pancada, vamos dizer assim, no sentido de reagrupar uma base para uma mobilização direitista e uma política liberal, neoliberal, também ultra direitista.

O que a gente vê, depois depois de todos estes esforços, é que os planos da burguesia de compor, uma nova base para o regime político que fosse capaz de promover mudanças no sentido de um ataque bem radical contra as massas operárias não têm sido bem sucedidos. O governo Bolsonaro, num primeiro momento a burguesia conseguiu criar aquele ilusionismo, no sentido de que o Bolsonaro foi eleito com milhões votos, não sei o que, não sei o que lá. A própria esquerda adotou este ponto de vista, mas a gente verifica que no final das contas isto era tudo uma peça de ficção política, não era uma realidade.

A base social do Bolsonaro é bem estreita e os setores que foram agrupados durante a eleição – por que a expectativa da burguesia era que com a vitória eleitoral outros setores se agrupassem aí e ampliassem a base do governo – eles rapidamente se dispersaram. O governo teve, no melhor momento, com a fraude, ou seja a retirada da candidatura do Lula, e com toda a propaganda da burguesia em favor do governo, eles tiveram no seu melhor momento menos de um terço do voto. O voto, nós sabemos, é uma coisa que, é uma indicação efêmera do estado de espírito da população. No dia de votar, as pessoas acabam tomando uma decisão sob o calor dos acontecimentos.

Por exemplo, se você tiver uma eleição e no dia da eleição publicarem um grande escândalo contra o candidato X ele vai perder voto. Mas um mês depois se descobre que aquele escândalo era um escândalo fabricado e a situação muda totalmente. Ou as pessoas percebem que o candidato que foi alvo daquela notícia escandalosa ele na verdade defende o interesse popular e o outro que foi eleito é um inimigo do povo. Então, quer dizer, o voto é um registro muito momentâneo de uma opinião. Isso a esquerda brasileira já deveria ter compreendido há muito tempo mas não entende. Eles acham assim “se a pessoa teve o voto é por que o povo realmente apoia essa pessoa”. Isso não é verdade. Isso é mais verdade no caso de candidatos populares do que os candidatos da burguesia. Os candidatos da burguesia dependem muito da manipulação que é feita num dado momento.”