Rui Costa Pimenta explica a importância da Venezuela para a luta política no Brasil

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O companheiro Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO, explica nesse trecho da Análise Política da Semana a importância da luta contra o imperialismo na Venezuela e sua relação direta com a luta política no Brasil contra o governo do presidente Jair Bolsonaro, que é capacho do imperialismo norte-americano.

A Análise Política da Semana vai ao ar no canal do You Tube Causa Operária TV todos os sábados às 11h30 da manhã apresentando uma análise marxista dos principais acontecimentos políticos da semana. Durante a exibição ao vivo da análise, os companheiros podem realizar perguntas ao companheiro Rui Costa Pimenta pelo chat do You Tube, podendo também contribuir financeiramente para fortalecer a Causa Operária TV com o superchat.
Logo abaixo, transcrevemos o trecho em que o companheiro Rui alerta sobre importância da luta contra o imperialismo na Venezuela:

O tema central da semana não foi uma questão nacional, embora nós tenhamos várias questões nacionais em debate que são importantes, mas uma questão internacional que é a ameaça de invasão da Venezuela. Queria começar explicando a importância desse problema para a luta política no Brasil. É importante insistir nesse assunto porque se nós tivermos a paciência de percorrer toda a imprensa na internet dos chamados sites “progressistas”, da esquerda, extrema-esquerda ou qualquer nome que poderíamos dar, o problema da Venezuela ocupa um lugar ultra-secundário. Tem mais discussão sobre a Damares do que sobre a Venezuela. Essa que é a realidade, então esse fato, que é muito significativo, alguns desses sites de esquerda sequer mencionam a Venezuela, tendo matérias de um mês atrás, por exemplo. Esse fato revela uma incompreensão e um estado da situação política brasileira que nós devemos analisar.

A incompreensão é achar que o problema nacional está desvinculado do problema internacional em primeiro lugar. Em segundo lugar, partindo dessa ideia de desvinculação, nós temos a seguinte situação: ignora-se a importância crucial para o desenvolvimento da luta política no Brasil do que está acontecendo na Venezuela. 

No Brasil nós temos uma luta contra um governo que foi posto por um golpe coordenado pelo imperialismo norte-americano e pelo imperialismo em geral e nós temos um governo que é completamente subserviente ao governo norte-americano. Dessa maneira, em um grande medida, a força desse governo está assentada no apoio que ele recebe do imperialismo contra diversos setores da própria população brasileira. 

Se o imperialismo que está atacando a Venezuela for derrotado ou for vitorioso, isso terá uma influência enorme e imediata na relação de forças da luta política interna do Brasil. No há dúvidas sobre isso. Então, do ponto de vista de traçar uma estratégia política, de traçar uma política diante da situação da luta que se trava no Brasil, o problema da Venezuela se coloca nesse momento como um problema central que interessa a todos os brasileiros, pelo menos a maioria dos brasileiros que querem ver derrotados a ofensiva neoliberal de características fascistas do governo e do imperialismo.

O fato de que a maior parte da esquerda não dê a devida importância para a questão revela, por um lado, uma inconsciência do que realmente está em luta. Essa inconsciência não é gratuita, nem acidental. Está relacionada com uma concepção que tem prevalecido desde o primeiro momento do golpe de Estado no Brasil: de que o golpe de Estado é um fenômeno que está ligado a pequenas intrigas políticas dentro do Brasil, principalmente de intrigas de caráter parlamentar. Já na época falaram que o golpe foi dado por uma vingança por causa do governo da Dilma Rousseff ou por conta de qualquer outro objetivo menor da situação política etc. e isso continua vigente, como podemos perceber.

É uma concepção de tipo parlamentar, que se apega às pequenas intrigas e manobras parlamentares como se fossem essas mesmas intrigas e manobras a engrenagem da luta política no país, quando na realidade isso é um fator absolutamente secundário.

Vemos hoje, também, que a grande preocupação da esquerda com coisas relativamente secundárias do governo Bolsonaro. Esse é um dos motivos pelos quais a esquerda não vê o problema da Venezuela como um problema crucial.