Rui Costa Pimenta: “É preciso uma postura mais agressiva contra a reforma da Previdência”

Rui Costa Pimenta explica que a política de esquerda com relação à previdência deve ser agressiva, não se deve aceitar colocar na conta dos trabalhadores o mau uso que sucessivos governos fizeram do valor de suas contribuições.

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“Uma questão central é a previdência, que como sempre está enroscada no congresso, hora eles tiram um pedaço, hora colocam outro, porque todo mundo tem medo. E deveria ter medo mesmo, porque na hora que ficar claro para o pessoal o que está sendo feito, isso dai vai acabar com a fama de muita gente.

Então, um dos centros seria a previdência, mas nos temos a questão do salário, do ministério do trabalho, do desemprego. A questão do desemprego exige uma campanha pela redução da jornada de trabalho de imediato. Uma campanha por 35 horas de trabalho para todos.

Não é porque os capitalistas falam que nós por estarmos numa crise devemos abrir mão das coisas, que nós vamos abrir. Muito pelo contrário, por estarmos numa crise é que nós temos que nós temos que levantar reivindicações que atenda os interesses dos que são as principais vítimas da crise. Nós temos cerca de 14 milhões de desempregados e a redução da jornada é a medida mais eficaz para combater o desemprego.

Seria também preciso que o movimento sindical, operário, a esquerda em geral, falasse o que quer da aposentadoria. Tem que ter um critério de que se o cidadão trabalhou X anos, tem que se aposentar. Simples. Aí vão falar que não há dinheiro. Ninguém é tão trouxa de acreditar que no Brasil não há dinheiro para pagar a aposentadoria. Tirem de outro lugar. Tira de todo esse dinheirão que dão para os empresários, por exemplo. Ou na pior das hipóteses põe outro imposto e faz com que os empresários paguem esse imposto sozinhos.

Aí os empresários irão falar que isso vai fazer o Brasil não ficar competitivo, mas o Brasil já não é competitivo. Vem um animal, como esse Trump e manda no país inteiro. Já estamos até colocando militar no exército americano. Então aqui o problema não é “não ser competitivo” mas deixar de ser uma colônia miserável dos norte-americanos.

As organizações sindicais por falta de resposta ficam envolvidas em um debate maluco. Como se o trabalhador que contribuiu a vida inteira, cujo pai e avô, provavelmente contribuíram a vida inteira, fosse responsável pela administração criminosa que foi feita dos recursos da previdência, inclusive pela ditadura. É preciso ter uma política mais agressiva.”