Rui Costa Pimenta diz o que fazer daqui em diante

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Colocamos em destaque abaixo trecho da exposição do companheiro Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO, no programa Análise Política da Semana, o último sábado de 2018 (dia 29). Nela, o companheiro Rui explica que não é o momento de discussões acadêmicas sobre o grau de repressão fascista do governo Bolsonaro. É preciso criar os comitês de luta de trabalhadores contra o golpe e contra o fascismo e se preparar para o enfrentamento que se avizinha:

“Nós temos a discussão meio esdrúxula que é o de saber se o Bolsonaro é ou não fascista.

Eu acho que, uma pessoa que vai na televisão e declara que apoia abertamente a tortura, se ele não for fascista, então deveríamos encontrar um nome peculiar para o Bolsonaro. Ele é um defensor ideológico da tortura. Já conheci gente que torturou, mas não defendia ideologicamente a tortura. O Bolsonaro, não. Para ele, a esquerda brasileira ou vai para cadeia ou para fora do País. Isso daí é uma declaração que o próprio Mussolini poderia ter feito.

Mas a população poderia falar: “ah, mas o governo não é fascista”. Nisso, no entanto, há uma pegadinha nessa declaração. Eles querem dizer o seguinte: a volta do discurso da “democracia consolidada”. Como se o regime democrático fosse tão sólido que, se colocássemos o Mussolini dentro do regime, o Mussolini viraria a Madre Teresa de Calcutá. Isso não vai ocorrer, é uma bobagem.

Logicamente, a presença do Bolsonaro na presidência da República não transforma o regime em um regime fascista. No entanto, a presença do Bolsonaro, cercado de 10 generais, somado com a movimentação nos quartéis expressam uma ameaça da extrema-direita contra o povo brasileiro de enormes proporções.

Nesse sentido, não devemos fazer uma discussão acadêmica se o Bolsonaro é ou não fascista. Devemos analisar os acontecimentos que estão se desenrolando diante dos nossos olhos. Se a esquerda brasileira não formar uma frente única contra isso e não construirmos comitês de luta em todos os lugares para mobilizar os trabalhadores contra eles, esse governo vai passar com um trator por cima da classe trabalhadora brasileira. Não vou nem dizer da esquerda que tem a ilusão de que quem vai conter os tanques dos generais será a esquerda pós-moderna brasileira pequeno-burguesa. Com eles nem dá para começar uma discussão. Aí, até um tanque de plástico ganharia a luta.

É preciso mobilizar o povo, ou seja, milhões de trabalhadores contra isso. Há motivo para mobilizar? Há uma alavanca para mobilizar o povo? Sem dúvida. Vimos no caso dos professores. É muito simples: você quer trabalhar até morrer de esgotamento e de fome ou você quer ter uma vida minimamente normal? Essa é a opção colocado para o povo brasileiro. Você quer um mínimo de normalidade? Vai ter que lutar muito. E daí que surge a luta. Por isso temos que preparar. Temos que ter a confiança de que as coisas vão para um enfrentamento e esse enfrentamento tem que ser preparado.

O programa Análise Política da Semana é apresentado todos os sábados às 11:30h, com transmissão ao vivo.

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Se você quiser assistir, na íntegra, o programa do dia 29 de dezembro de 2018 acesse aqui.