Rui Costa Pimenta: “Bolsonaro é um governo fraco e foi eleito artificialmente”

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O programa Análise Política da Semana é apresentado todos os sábados, a partir das 11:30, por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), no canal Causa Operária TV e na Rádio Causa Operária.

É um momento de análise e de debate relacionados aos acontecimentos importantes que permeiam recentemente o cenário político nacional e internacional, com perguntas do público presente no Auditório Frederich Engels e pelos que acompanham a Análise Política pela internet. Além disso, constituiu-se, nos últimos anos, num meio de orientação para a esquerda em geral, para os movimentos sociais e para as organizações populares, que buscam clareza e direcionamento para a luta contra o avanço do Golpe de Estado no Brasil.

No sábado, dia 23/02, o companheiro Rui comentou sobre o governo do atual presidente ilegítimo, Jair Bolsonaro,  demonstrando, em sua análise, que o governo Bolsonaro é um governo de pouca estrutura, que não tem real apoio popular e que venceu as eleições por meio de um processo extremamente fraudulento, orquestrado pela burguesia:

“Aqui nós precisamos também retomar uma explicação que foi dada, que eu acho que é muito importante: que muita gente não considerou, mas que é necessário considerar à luz dos novos acontecimentos: o governo Bolsonaro não é um governo eleito democraticamente. Isso daí o pessoal fala e tal, né, mas nós temos que entender a coisa do ponto de vista político, e não do ponto de vista jurídico… Juridicamente, ele também não foi eleito democraticamente. Mas vamos pegar a ideia que várias pessoas falam que ele foi eleito “mais ou menos democraticamente”, “mais ou menos antidemocraticamente”, mas ele foi eleito.

O grande problema do governo dele ser eleito ou não ser eleito é que a eleição confere ao governo uma autoridade política. Então, dependendo de quais foram as características dessa eleição, você pode analisar a menor ou maior autoridade do governo.

O governo Bolsonaro foi escolhido, primeiro, porque o Lula não pode concorrer às eleições… Foi preso… foi vítima de um processo fraudulento, por juízes que estão mancomunados aí com uma organização de extrema-direita dentro do Judiciário. Depois, teve todos os seus direitos cassados, porque, mesmo estando preso, ele poderia concorrer à eleição perfeitamente. Mas aí, forçaram a barra… bom, o PT capitulou diante dessa pressão e retirou a candidatura do Lula para colocar o Haddad, que era o “candidato para perder”.

Bom, já por aí vocês podem notar que qualquer votação de qualquer candidato que aparecesse nessa situação, teria (obviamente) uma votação artificial. Particularmente, se nós levarmos em consideração que não se trata simplesmente de tirar um candidato que, por algum motivo conjuntural, por algum motivo acidental, por algum motivo secundário, havia caído no gosto da população. Mas tiraram um candidato que tem um verdadeiro apoio popular, o que é mais grave.”

“(…) Aí elegeram o Bolsonaro com todas essas falcatruas, unificaram os setores da burguesia para conseguir essa votação dele. Usaram a imprensa, usaram um monte de coisas foram tornando a eleição cada vez mais artificial. Então nós temos um governo que não tem uma verdadeira base para levar adiante esse governo como autoridade. Recentemente, o instituto de pesquisa Vox Populi (…), analisando as eleições, falou que os bolsonaristas fechados mesmo, os bolsonaristas roxos, seriam na faixa de 9%, e que os bolsonaristas genéricos chegariam a 22%. Quer dizer: nós temos um presidente que, na verdade, tem 22% de apoio. Aí falam: “Não, mas ele teve 58 milhões de votos”. Mas um monte desses votos não valem absolutamente nada. Não representam apoio real a ele! Foi uma coisa que, por uma série de artifícios, foi induzida a acontecer na eleição. Isso é muito importante porque, enquanto o governo não enfrenta uma crise, não enfrenta uma situação de crise, tudo parece normal, (…).”

“Então aqui nós temos o governo Bolsonaro, lançando o mais duro projeto de liquidação da Previdência, e ele não tem uma base de apoio real. (…) E, na verdade, o mais grave de tudo, não é só que a base bolsonarista é pequena. O mais grave de tudo para a burguesia é que, fora a base bolsonarista, não há praticamente mais nada de concreto. A base que a direita conseguiu durante um período aí com a oposição ao PT, que também não era muito grande, né, ela de dispersou. Se dispersou por causa da crise política da própria burguesia. E agora, sobrou o quê? Um núcleo que é um núcleo mais “coerente” (digamos assim), mais “afinado” dessa base burguesa, que é o bolsonarismo. Mas o bolsonarismo, como a gente viu, “é de 22% para baixo”. Eu, inclusive, se fosse “chutar”, “chutaria” que estava mais para 10 do que para 20.  Quer dizer: é uma base social muito pequena para enfrentar uma crise de grandes proporções!”

“A Previdência “pisa no calo” de toda a população brasileira. E depois, nós temos uma série de outros fatores: o ataque à Educação… nós temos a violência que se generalizou de grupos paramilitares bolsonaristas aí contra vários setores sociais: Sem Terra, etc. e tal… Nós temos o descontentamento de vários setores sociais com o governo, porque, logicamente, esse governo é um governo que só tem más notícias para a população. Ou dizendo de maneira mais concreta, ele é um governo de guerra contra o povo brasileiro!”

“Isso significa que nós temos que chamar a atenção de todas as organizações sindicais que estão paralisadas de que está se criando o momento para uma luta me grande escala contra o governo Bolsonaro. Quer dizer: eu considero que o aspecto essencial de uma análise política é justamente isso daí: você “sentir o pulso” da situação e dizer: “Vamos! Que é possível!”. E está se criando uma situação em que é possível levar uma luta de grande envergadura. Para isso, logicamente, nós não podemos ter uma atitude genérica de denúncia.” 

Assista todo o comentário do Rui acerca do governo Bolsonaro no link abaixo: