Rui Costa Pimenta: “a questão central é o controle da América Latina pelo imperialismo”

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Transcrevemos abaixo um trecho do Análise Política da Semana, do último dia 27 de outubro, no qual o companheiro Rui Costa Pimenta analisa as eleições de 2018 no Brasil dentro do cenário mundial de crise do capitalismo.

“A questão central que ninguém entendeu é a seguinte: por que que é importante retirar Lula das eleições, em primeiro lugar, derrotar o PT em segundo lugar. Porque está em jogo o controle dos estados latino americanos pelo imperialismo. A questão central da situação política nacional se encontra fora da situação naciona. É a crise capitalista, essa é a causa fundamental de todos os acontecimentos. Essa semana nós vimos a dimensão da coisa.

“Apesar da “empolgante” batalha eleitoral brasileira, os jornais internacionais deram aí uma seuqencia de quedas importantes das bolsas no cenário internacional. São aqueles sintomas, aquelas borbulhas que comecam a aparecer no mercado financerio, que vão levar a uma convulsão generalizada. Os principais analistas internacionais já chamaram a atenção para o fato de que a situação da bolha financeira internacional é de altissimo risco, e a qualquer momento voce pode ter uma explosão dos principais mercados financeiros no país, e nós teriamos uma crise muito mais profunda do que a crise de 2008.

“Esse é o pano de fundo das eleições, que devido a política da esquerda e da imprensa burguesa, fica totalmente obscurecido. Para o imperialismo é fundamental controlar os regimes de sua área de influencia fundamental, que é o continente latino-americano. Que é para fazer com que os povos latinos financiem os impactos da crise. Os brasileiros, os argentinos teriam que pagar por meio de uma onda de miséria uma sustentação do capital completamente em crise. para fazer isso acontecer é preciso ter um governo completamente comprometido com essa política.

“Os governos nacionalistas, como foi o caso dos governos do PT, eles não poderiam estar comprometidos integralmente com essa política, pois levaria a um crise no interior desses partidos, levando uma desestabilização total do regime político. Esse é o motivo fundamental dos golpes nos países latinos-americanos. A maior parte da esquerda não levou em conta este fato objetivo. Procurando mostrar que era preciso disputar a eleição, quando as coisas que estão acontecendo estão muito além dessas formalidades políticas.

“O próprio fato da burguesia aceitar um Bolsonaro para ocupar o governo, que sempre foi um franco-atirador, nunca fez parte de nenhum governo, um homem instável, demonstra o nível de desespero, no interior da situação política. Eles não podem ceder de modo algum e voltar a uma situação anterior. Significa que a crise com o Bolsonaro seria menor do que a crise com o PT. Até porque o Bolsonaro não tem nenhuma base social, como tem o PT. Nas eleições é demonstrado que o Bolsonaro tem base social, quando na realidade ele não tem base nenhuma, sendo apoiado por setores militares.

“O imperialismo apesar de achar que o Bolsonaro é uma cartada de alto risco, o imperialismo entraria com o plano B, que seria uma direita mais civilizada do ponto de vista dos bancos, que nós sabemos que não é nada civilizada. O que está sendo jogado, portanto, aqui no Brasil é uma partida de enorme consequências para o futuro político tanto do Brasil como para o continente e para o mundo inteiro, porque o que está acontecendo aqui vai muito além da disputa eleitoral. O que está se esboçando aqui é um panorama de crise. A eleição não tem capacidade suficiente de dar ao novo presidente da república capacidade de desarmar os adversários e promover uma politica de conciliação de classe de traz da qual se faria um enorme ataque à população brasileira. Chegando no ultimo dia das eleições, a situação não demonstra ter chegado a esse ponto, e os conflitos tendem a se desenvolver.”

Ouça também, na integra, Rádio Causa Operária: