Rui Costa Pimenta: “a mobilização deve levar à greve geral”

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Análise Política da Semana é um programa da CausaOperariaTV, também transmitido na Rádio Causa Operária, apresentado pelo presidente nacional do partido, Rui Costa Pimenta, todos os sábados às 11h30 da manhã. No programa o companheiro Rui faz uma análise dos principais acontecimentos políticos da semana de um ponto de vista marxista e revolucionário.

Na Análise do último dia 17 de maio, Rui fala sobre o rumo que mobilização estudantil do dia 15 de maio deve tomar:

“O segundo problema que nós temos aqui da mobilização é o problema da continuidade da luta, porque no Brasil foi se estabelecendo como uma espécie de educação política de todo mundo que você não leva uma luta continuada até obter as reivindicações, você simplesmente faz um protesto, por isso vem se tornando cada vez mais frequente nos últimos anos as mobilizações de um dia. Então você tem greve geral de um dia, que não é uma verdadeira greve, é uma manifestação política com uma paralisação, aí o outro setor quer fazer não sei o que e é um dia de manifestação, e o outro setor é um dia, um dia. Quer dizer, você não tem um enfrentamento real, o que você tem é apenas um protesto, então toda a mobilização tende, pela política das suas direções, entenda-se bem, a ficar limitada a esses processos que podem até ter um impacto, mas na medida que não tem continuidade, não fazem parte de uma plano de luta geral, não vão ter um efeito muito grande, vai ficar como um protesto. Isso é assim porque as mobilizações todas que são dirigidas por sindicatos e partidos de esquerda, estão subordinadas a uma imaginária ação parlamentar então, por exemplo, eu não vi nas notícias, mas tenho certeza que  nesse momento já tem lá deputado de partido A, B e C fazendo projeto de lei sobre a questão das verbas na educação, etecetera e tal, e aí a mobilização serve apenas, ela é elaborada, ela é planejada, como se fosse simplesmente uma torcida que se manifesta nas ruas para apoiar uma ação de caráter legislativo. Isso é um beco sem saída e o caminho da derrota, pode acontecer se a mobilização for muito grande que o governo, para evitar novas mobilizações, ele de ai alguma migalha para os parlamentares exibirem e justificarem a paralisação de todas as mobilizações. Isso tem sido a história do Brasil durante toda a etapa chamada ‘redemocratização’.

Bom, logicamente que pela maneira como as coisas se colocam nesse momento, isso não vai ser tão simples porque a mobilização ela tende a ser muito grande e tende a se repetir, se a mobilização do dia 15 for muito grande a pressão pela continuidade das mobilizações vai ser muito grande e provavelmente vai haver algum tipo de continuidade, o que não quer dizer que essa continuidade seja uma continuidade efetiva. Então a primeira coisa que é preciso discutir sobre as mobilizações do dia 15, é que é preciso apontar já  a continuidade das mobilizações no sentido da preparação de uma greve geral de todos os setores da educação contra o governo Bolsonaro. Quer dizer, é preciso dizer claramente a todos os setores que estão se mobilizando que menos de uma greve geral para impor uma derrota total ao governo Bolsonaro, não vai ser suficiente para mudar o panorama que nós estamos assistindo. O governo pode fazer um pequeno recuo agora e volta a carga depois da hora que ele se sentir fortalecido por isso é preciso aproveitar a situação que vem se acumulando já desde antes do governo Bolsonaro, a polarização política no país, a tendência de aproveitamento do governo para realizar uma mobilização muito grande que seja uma embate decisivo contra o governo, essa é a primeira questão que nós temos que dizer aqui e é uma questão fundamental, que tem que ser colocado em todos os lugares de um ponto de vista imediato, inclusive durante as próprias manifestações.”