Rui Costa Pimenta: “a esquerda golpista e a Venezuela”

nicolas

Em um dos momentos da “Análise Política da Semana” do dia 12 de janeiro de 2019, Rui Costa Pimenta, presidente do PCO, reflete a respeito da esquerda golpista e da Venezuela.

“Pior do que isso, logicamente, da tese dos governos indefensáveis, nós temos a esquerda tradicionalmente golpista. Por exemplo, o PSTU e outros grupos da mesma árvore que o pessoal diz que é trotskista, mas que a gente deveria esclarecer que a doutrina do PSTU e desses grupos vêm de uma outra pessoa, de um argentino chamado Noel Moreno. Por isso que eles são conhecidos como morenistas. Não é a mesma coisa que trotskista. Eles dizem, logicamente, que são trotskistas, mas é uma outra afirmação absurda. Esses aí estão totalmente contra o governo Maduro. Para eles, o fato que o Bolsonaro está tentando derrubar o Maduro e de que os norte-americanos estão tentando derrubar o Maduro, de que o imperialismo europeu quer derrubar o Maduro para roubar o país, porque isso é uma coisa muito óbvia, não tem importância. Para eles, em primeiro lugar vale o que eles acham que o governo Maduro tem de ruim, mas se é um problema de governo ruim, não é o caso de derrubar outros governos piores que o Maduro, no caso, utilizando o critério que eles usam para definir o governo Maduro? Por exemplo, a gente poderia centrar fogo nos Estados Unidos, na Alemanha, na França, na Inglaterra, na Itália…a Itália tem, inclusive, um governo da extrema direita fascista. Uma coisa curiosa é o seguinte: eles querem derrubar o governo Maduro mas, no Brasil, eles não levantam a palavra de ordem “Fora Bolsonaro”.

Não tem um ditado popular que fala que o bom exemplo começa em casa? Então, acho que, primeiro, eles deveriam combater o Jair Bolsonaro, que é um fascista, para depois se preocupar com a horta do vizinho, é ou não é? Deixa lá o Maduro.

O Maduro não é fascista. E vem aqui e vamos fazer campanha para derrubar o Bolsonaro primeiro. Mas, na hora que você vai discutir porque eles não querem derrubar o Bolsonaro, aí vem toda uma conversa que ele foi eleito e tal, que é tudo muito estranho. Vocês hão de convir que, se você pegar os argumentos, não faz sentido nenhum. Não tem pé nem cabeça. Aí nós temos como parte desta esquerda tradicionalmente golpista, a declaração da Luciana Genro. Luciana Genro já é, digamos assim, uma espécie de musa do golpismo esquerdista brasileiro. Ela veio com a seguinte tirada: o fato da Gleisi ir lá é um desserviço para a esquerda, é um desserviço por que? Porque pega mal. Vai apoiar o Maduro?

O Maduro é um personagem malvisto internacionalmente. Malvisto por quem? Pelos países imperialistas, pela imprensa golpista brasileira, pelo Bolsonaro. Então, pega mal. É um desserviço para a esquerda. Aí falou que a Gleisi Hoffmann por ter ido lá na Venezuela é uma esquerda mofada quer dizer, velha. O tema é “nós precisamos de uma nova esquerda”. Agora, uma coisa é certa. Se a gente precisa ou não de uma nova esquerda eu não sei, mas o fato é que se a nova esquerda for uma esquerda que se coloca ao lado do Jair Bolsonaro, nada feito, que é o caso da nova esquerda que ela propõe. Ela se apresenta aí como a musa do rejuvenescimento da esquerda, embora ela não seja também tão jovem assim. Na sequência, piorando a coisa e mostrando uma coisa importante que nós vamos tratar em separado, apareceu o pai da Luciana Genro, mera coincidência que eles façam declarações no mesmo dia , com o mesmo teor. Onde ele diz tudo isso que a Luciana Genro falou, que é um desserviço … que suja a imagem do PT, que precisa reconstruir o PT, mas ele fala uma coisinha a mais. Ele abre mais o jogo. Ele fala que o governo Maduro é igual ao governo Bolsonaro. É porque o Maduro é uma ditadura, inclusive ele montou um esqueminha bem…dá até para convencer algumas pessoas que estejam com muita vontade de serem convencidas. Os dois são uma ditadura. Os dois introduziram a militarização da política, porque na Venezuela as Forças Armadas venezuelanas, que é um caso raro na história latino-americana, se deslocaram para a esquerda, elas têm um papel importante na situação política. Então, militar de esquerda Jair Bolsonaro, é tudo a mesma coisa. É ou não é? O Maduro é contra o imperialismo norte-americano.

O Bolsonaro só falta lamber a sola do sapato do Trump, mas é a mesma coisa. Você vê a manipulação de determinadas aparências políticas totalmente aleatória. Na realidade, é o oposto. O governo da Venezuela é um governo nacionalista e o governo brasileiro é um governo totalmente pró-imperialista. Esse é o verdadeiro conteúdo dos dois governos. Se os dois se vestirem de azul, é uma coisa totalmente irrelevante. Se o corte de cabelo do Maduro for igual ao do Bolsonaro, também não tem importância. O que tem importância é o conteúdo social dos dois fenômenos políticos que ele procura ocultar. Agora, uma perguntinha: se você procura ocultar o conteúdo social de dois fenômenos um sendo nacionalista e o outro sendo profundamente pró-imperialista, entreguista, vendilhão da pátria, etc. e tal, quem é que você está ocultando realmente? Você está ocultando a direita. Quer dizer, ele está ocultando o verdadeiro caráter do governo Bolsonaro. Ele está diminuindo. Se você fala que o Bolsonaro é igual ao Maduro sabendo que o Maduro tem uma simpatia de muitos setores esquerdistas que tem programas sociais etc. e tal, o que que é isso daí? É um elogio ao Bolsonaro. A comparação é um elogio ao Bolsonaro. Sem falar que é uma podridão política total. Isso aí não pode deixar de ser dito. A gente tem, em geral, sido bem comedido na crítica da esquerda e tal, mas isso aqui é puro mau-caratismo político. Não tem nada a ver a comparação com o Jair Bolsonaro .É uma comparação de uma pessoa totalmente sem escrúpulos , sem caráter, sem nada. O que é natural porque aqui não há uma grande novidade porque o Tarso Genro já é um admirador da Lava Jato. É o homem que se propõe a reconstruir o PT porque, segundo ele, o PT ficou com a imagem manchada pela corrupção.

A direita fez uma companha contra o PT por corrupção, então o natural é você olhar lá, chamar um consultor da direita e falar “o que que você quer que eu mude para ficar do seu agrado”, aí o cara fala “tira o Lula que é muito esquisito, só tem nove dedos e tal , tira ele. Tira aquele outro José Dirceu, cara muito chato…Coloca o Zé Eduardo Cardozo, o Haddad, só professores universitários, esse pessoal que não briga com ninguém que tem boas relações com o PSDB”…É isso. No final das contas, fica claro aqui que a chamada reconstrução do PT é uma reconstrução do PT para se adaptar aos novos tempos, quer dizer, um novo partido para os novos tempos. Quais são os novos tempos? Os novos tempos são a nova era da direita com o Bolsonaro. Quer dizer, o que o Tarso Genro que é o chefe, é o comandante da ala direita do PT está falando é que nós precisamos, o PT precisa ser um partido adaptado, precisa ser reformulado para ser adaptado às novas condições bolsonaristas, um partido aceitável para o bolsonarismo. Se a gente considerar que o Bolsonaro é uma enorme ameaça política, nós temos aí uma política de conciliação com a virtual ditadura que existe no Brasil e com o ataque que está sendo levado adiante contra a população”.

Estes e outros momentos da “Análise Política da Semana” podem ser acessados pelo canal da Causa Operária TV e Rádio da Causa Operária no YouTube, pela página do PCO – Partido da Causa Operária, no Facebook e pela rede social russa VK. A “Análise Política da Semana”, realizada pelo presidente do PCO Rui Costa Pimenta, é transmitida todos os sábados às 11h30. Quem estiver em São Paulo, pode assistir presencialmente no Centro Cultural Benjamin Péret (CCBP), na rua Serranos nº 90, próximo ao metrô Saúde.