Rui Costa Pimenta: “a direita odeia o Carnaval”

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A Análise Política da Semana é o mais tradicional programa de análise da conjuntura política dentre os partidos políticos nacionais. Nem mesmo a direita, detentora do capital e amiga dos cartéis da imprensa golpista, possui um sistema tão eficiente de comunicar aos militantes e aos setores interessados os pontos de vista partidários. Todo sábado, às 11h:30m, o companheiro Rui Costa Pimenta, presidente do Partido da Causa Operária, disseca os principais fatos do Brasil e do mundo através dos acurados instrumentos analíticos do marxismo. Sem medo da polêmica e se empenhando em retificar as distorções causadas na opinião da esquerda por setores pequeno-burgueses, o companheiro Rui registra a mais importante leitura da conjuntura atual, direcionando a luta rumo à revolução.

“O carnaval é um fenômeno cultural peculiar. Primeiramente nós temos que dizer que a direita odeia o carnaval. Agora todo mundo entendeu. Nós falamos isso várias vezes e o pessoal não levava a sério o que a gente falava. Sempre tem um setor da esquerda bem pensante que fala que essas manifestações populares são negativas. A primeira lei de toda manifestação popular é a seguinte: quando você consegue reunir uma grande massa de pessoas, essa massa começa a adquirir uma vida independente. Um indivíduo isolado é, muitas vezes, uma pessoa hesitante, confusa, pressionada.

Por exemplo, você chega pro cidadão na primeira semana do Bolsonaro e fala ‘nós temos que pedir o fora Bolsonaro’ Vem outro e fala ‘não é hora, não é momento, ele nem começou a governar…’, um monte de argumentos e a pessoa fica confusa. Mas a hora que saem quarenta mil pessoas na rua, a confusão desaparece e a pessoa se ancora em um sentimento coletivo. Por isso a direita, no geral, não gosta dessas manifestações coletivas do povo, ou seja, de setores da classe média e, principalmente, setores da classe operária, que tem uma tendência a se opor à política direitista. Por isso também não gostam do futebol. O estádio lotado é uma das maiores manifestações que existem por ai. Vocês, logicamente, em inúmeras oportunidades, viram as pessoas anunciarem em um carro de som ‘nós estamos aqui com 100 mil pessoas’… isso é fantasia. Você quer ver uma quantidade grande de pessoas, vai a um estádio de futebol. A quantidade de gente que tem lá e a força daquela massa unificada. Vai no estádio, por exemplo, do Morumbi (que é o maior do estádio de São Paulo) ou no Maracanã, quando estiver lotado você vai ver 70, 80 mil pessoas juntas. Quem já viu esse fenômeno  sabe o poder e sabe que muito ato público que o pessoal fala que tem 100 mil não tem nada parecido com isso, o que é um ato gigantesco um ato de 100 mil pessoas.

O carnaval é um gigantesco ato público em potencial. O ato está marcado todo ano e pessoal só tem que ir às ruas. Não precisa chamar, não precisa botar cartaz, por que o pessoal já espera esse momento. Então, como o pessoal já sai na rua, ele dá vazão àquela grande massa de pessoas para expressar seus sentimentos políticos igualmente com outras coisas. Dessa vez o que ficou claro é que o governo sofre um grande repúdio. Aquilo que nós vimos no carnaval é a ponta de Iceberg. Não é uma minoria que foi lá no carnaval – que é uma festa popular. Quem teve a preocupação de ver os vídeos que passaram dá pra perceber que não era um grupo de quinze pessoas, eram multidões imensas que gritavam contra o Bolsonaro. Logicamente, se as pessoas lá estavam com esse pensamento apareceu com tanta facilidade em todos os lugares do país, isso expressa um sentimento maior das pessoas que não foram ao carnaval, por que tem muita gente que não vai mas estava irmanado naquele sentimento que apareceu no carnaval.

Mostrou que a base social do governo reduziu-se ao mínimo que ele tem, ou menos ainda, já que é possível uma parte mesmo dos bolsonaristas mais encardidos tenha recuado. Finalmente, a base de extrema direita não é sólida efetivamente. Nós temos que lembrar que mesmo o pessoal reacionário é muito confuso. O próprio Bolsonaro passou boa parte do seu tempo fazendo uma campanha de tipo nacionalista, contra a reforma da Previdência, defendendo empresas estatais e agora está defendendo exatamente o oposto. Isso tende também a desagregar uma parte de seu apoio. Está sobrando aquele setor que é mais claramente direitista e pró-imperialista, principalmente pró-norte americano.

Então, o carnaval revelou uma realidade que é extremamente crítica, extremamente explosiva para o Brasil nesse momento. Quer dizer, se o governo tem uma base social tão pequena, significa que ele está apoiado nesse momento fundamentalmente na burguesia, burguesia essa cujos partidos tradicionais perderam em grande medida o seu peso em setores populares e de classe média, o governo está apoiado em quase nada. Ele tem que colocar em prática um plano de ataque feroz contra a população. É uma contradição explosiva.”