Toque de recolher na Bahia
Com antecipação da medida, governador amplia repressão e demora para abrir novos leitos hospitalares no Estado
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Toque de recolher na Bahia não diminuirá as altas taxas de contaminação no Estado. | Foto Elói Corrêa/Governo da Bahia
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Toque de recolher na Bahia não diminuirá as altas taxas de contaminação no Estado. | Foto Elói Corrêa/Governo da Bahia

Antes de terminar o prazo em vigor do último decreto anunciando toque de recolher para 343 cidades da Bahia, o governador Rui Costa (PT) resolveu antecipar para 20h (bares a partir de 18h) o início do ineficaz e antipopular “lockdown”.

Nesta segunda-feira (22), em entrevista à TV Bahia, Rui Costa afirmou que “a Polícia Militar e a Polícia Civil vão fazer cumprir o decreto estadual, e todos aqueles que estiverem funcionando após as 20h serão registrados cometendo crime contra a saúde pública”. A antecipação do horário gerou um desentendimento com a Prefeitura de Vitória da Conquista (509 km da capital baiana), que anunciou seguir o horário anterior, 22h, até o dia 25 de fevereiro.

O Governador afirmou que antes de editar o decreto conversou com vários prefeitos, inclusive com a prefeita em exercício de Vitória da Conquista, Sheyla Lemos(DEM), e não teve nenhuma oposição. O atual prefeito da cidade, Herzem Gusmão (MDB), encontra-se afastado em tratamento de Covid.

Vitória da Conquista está com 92,9% de seus leitos ocupados. Dos 70 leitos de UTI para Covid, 60 são do Estado e 10 do município.  A Prefeita em exercício Sheyla Lemos chegou a solicitar abertura de novos leitos para a cidade, que é um polo regional que atende muitos enfermos de outras localidades, em torno de 68% do total de pacientes, vindos das regiões Oeste, Extremo Sul e Sul do Estado.

O toque de recolher na Bahia é mais uma ação ineficaz e motivo para oprimir a população desamparada, que precisa trabalhar. Não será o “lockdown” que fará a taxa de contaminação diminuir no Estado e no Brasil. Desde o início da pandemia que os governantes não fazem o que deveria ser feito, por isso que a mortandade no país é uma das maiores no mundo. Como manter uma população em casa sem emprego e sem auxílio emergencial, diante de tantos aumentos absurdos na cesta básica? O povo, ao desobedecer o decreto, não comete crime contra a saúde pública, como sentencia o governador. O povo é vítima dessas ações repressivas.

O toque de recolher será mais um motivo para a PM oprimir e prender a população que precisa sair às ruas para sobreviver. Em apenas dois dias, 55 pessoas foram presas por desrespeitar o decreto. Sem vacinação em massa, sem abertura significativa de novos leitos hospitalares, sem um isolamento digno e justo para o povo(que deve conduzir e propor essas ações), “lockdown” é uma cortina de fumaça para despistar a total incompetência e inércia desses governos, cujas ações acabam favorecendo a popularidade de Bolsonaro, que se opõe à paralisação das atividades econômicas, mas não dar outra alternativa ao povo na proteção contra a pandemia, senão deixá-lo à vontade para  se contaminar.

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