Rui no DCM
“Ou a gente bota medo nos governos ou a situação não vai se resolver”, analisa o presidente do PCO.

Por: Redação do Diário Causa Operária

O programa de análise política Café da Manhã no canal DCM de ontem foi mais uma oportunidade para o Partido da Causa Operária mostrar qual o caminho a ser seguido pela esquerda brasileira. O isolamento social das lideranças políticas é inadmissível enquanto morrem 3 mil pessoas todos os dias no Brasil, isso em número oficiais. Abaixo, leia o resumo da análise do presidente do PCO, Rui Costa Pimenta. Está imperdível.

A respeito do problema da vacinação contra a covid-19, Rui elogiou a iniciativa do Lula de pedir que o G20 discuta a vacinação dos países atrasados e exemplificou que o Paraguai solicitou a vacinação desde outubro de 2020 e até agora não recebeu nada, o que significa que os países ricos estão priorizando sua própria população enquanto que os países atrasados tem ficado de fora da vacinação.

Existem pessoas que dizem que o número real de mortos pela pandemia no país não está se aproximando de 300 mil como mostram os números oficiais, mas que já está na faixa de 400 mil. No rumo que estamos, podemos chegar facilmente a 1 milhão de mortos no Brasil. Quando mais se espera pela vacina maior o caos.

A questão do “Fora Bolsonaro” está na ordem do dia, na opinião de Rui, e que é preciso uma mobilização enérgica nas ruas. A esquerda precisa parar com as críticas a manifestações de rua. Não dá para pensar que o STF ou o Congresso irão resolver o problema. Somente o povo organizado nas ruas poderá encaminhar uma solução satisfatória para a população brasileira.

A pandemia expõe, antes de tudo, o sistema capitalista em total decadência. A covid-19 mostrou a completa ineficiência de um sistema que não conseguiu conter o vírus, permitindo que se espalhasse por todo o mundo rapidamente. Essa ineficiência fica evidente a dificuldade de produzir uma vacina numa situação de urgência e a competição entre empresas para a conquista de mercados para a venda de vacinas. A política de corte de gastos públicos levou todos os países perto do colapso estrutural.

A política de lockdown como enfrentamento da pandemia requer uma política de assistência às pessoas confinadas. “Isso aqui não é o gueto de Varsóvia. Ao mesmo tempo que você precisa enfrentar a pandemia, você precisa comer também”.

“A crise é tão grande que o Bolsonaro está capitalizando esse problema. Ele que foi um dos grandes responsáveis, por omissão, principalmente, por falta de ação governamental na difusão da crise, agora ele vai capitalizar junto à população que está morrendo de fome porque a política dos outros é uma política também irracional”, analisou.

Desde o começo da crise, o PCO tem falado que os governos têm como única arma a questão do isolamento social. A pandemia está em total descontrole, as pessoas morrem como moscas e a única coisa que os governos têm é o lockdown, até quando? “Nós brasileiros estamos encurralados como se estivéssemos na Faixa de Gaza ou em um grande campo de concentração”.

Sobre as atitudes que a população e a liderança popular devem tomar, Rui foi enfático ao dizer que é preciso “chutar o pau da barraca”. “Ou a gente bota medo nos governos ou a situação não vai se resolver. Não adianta imaginar que Dória e outros governadores – Bolsonaro menos ainda –, vão se comover com a situação extremamente dramática da população brasileira. Se acontecesse em São Paulo o que aconteceu na cidade de Portland, por exemplo, os governos já começariam a pensar de maneira diferente, porque eles se sentiriam ameaçados”, pontuou.

A revolta popular vai acontecer, a questão que se coloca é se a esquerda irá organizar essa mobilização popular ou não. Em caso negativo, o povo irá promover quebra-quebras, a repressão será forte e os partidos de esquerda e organizações populares terão perdido uma grande oportunidade de pressionar e conquistar o direito à vacinação. A quebra da patente da vacina deve ser exigida nas ruas. “O povo do Paraguai está certo. Tem que pedir a cabeça do presidente da República. Se você é presidente, governador ou prefeito e você não consegue dar conta de uma crise dessas tem que sair fora e dar lugar para quem sabe e quem pode fazer. Mas, eles não vão sair, então nós temos que botar eles para fora”.

Precisamos cobrar do Lula que ele cumpra a promessa de sair às ruas, após sua imunização pela vacina. Estamos numa guerra. Ao atingirmos um milhão de mortos, teremos os mesmo números da invasão norte-americana ao Iraque.

Em um ano de pandemia não se preparou leito suficiente para os pacientes da covid hoje. Pessoas morrem todos os dias sufocadas nos corredores dos hospitais. “Ninguém tem obrigação de morrer sufocado porque o governo é uma cambada de gente completamente incompetente para dar conta de uma crise de saúde pública”.

Rui comentou o fato de Bolsonaro e as Forças Armadas terem ganho na Justiça o direito de comemorar o golpe de 1964 e comparou essa comemoração com o que fez Daniel Silveira, preso a mando do STF por defender o AI-5. É mais grave defender o golpe de 64 do que falar do AI-5. Isso mostra que o caso do Daniel SIlveira foi uma farsa e vai ser usado somente contra a esquerda. O Felipe Neto foi intimado por ter chamado Bolsonaro de genocida, isso vai ocorrer com cada vez mais frequência.

A comemoração do golpe de 64 é um problema do presente. Trata-se de uma clara ameaça à população brasileira de outro golpe de estado parecido. “No final, [isso tudo] mostra que a esquerda não pode defender medidas anti-democráticas porque isso fortalece o arbítrio e não resolve nada na luta contra o fascismo e a direita”, analisou Rui.

Rui opinou sobre o ato virtual chamado por parte da esquerda no dia 31 de março para contrapor a comemoração do golpe de 64 pela direita e, juntamente com Leandro, chegou à seguinte conclusão: “É um nanismo político. É igual sexo virtual”.

Ou a gente sai à rua, chama o povo para enfrentar a direita ou o que vai ocorrer já é muito conhecido. Antes do golpe de 2016, deputados e ministros do PT foram agredidos na rua e em restaurantes. Agrediram pessoas que passavam na rua com cachecol vermelho. Atacaram mulheres barbaramente.”Esse pessoal não tem STF que vai deter. Ou a gente vai para cima deles ou eles vem para cima da gente. Tem que acabar com essa fantasia de ato virtual. Isso não vai deter a direita. E a direita não vai ficar em casa por causa da pandemia”.

A política de não fazer nada por causa da pandemia é absurda. A população está trabalhando. A direita está nas ruas. O transporte público está lotado, a indústria está trabalhando normalmente. A esquerda está vivendo num mundo de fantasia. A defesa do isolamento social para quem pode fazer é até algo normal, mas não fazer política por conta desse isolamento social numa situação gravíssima como esta é uma loucura.

Acesse abaixo e assista o programa na íntegra.

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