Ruanda: saiba como um banco francês financiou um dos maiores genocídios da humanidade

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Vinte e cinco anos depois do genocídio de Ruanda, o jornal francês Le Monde, através da investigação do jornalista David Servenay, começou a divulgar alguns dos agentes que financiaram as milícias hutus responsáveis por matar um milhão de pessoas.

Dentre os financiadores do genocídio está o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial (BIRD) e banco francês BNP. Certamente há mais agentes do imperialismo francês envolvidos, já que é o maior beneficiário da guerra geopolítica contra a Alemanha e a Bélgica que controlavam a região através dos Tutsis.

A região do Ruanda foi delimitada nas conferências de Berlim (1895) e de Bruxelas(1890) e posta sobre domínio do Império Alemão. Após a derrota da Tríplice Aliança na 1° Guerra Mundial, o território passou a ser domínio do Belgas. Mesmo após a derrota os alemães continuaram a exercer influência sobre o Ruanda.

A Bélgica usou da igreja católica para exercer o domínio sobre a região, delimitando artificialmente duas supostas etnias no país, Os tutsis, que teriam traços mais europeus, uma minoria, e os hutus, a maioria do país. Os primeiros foram postos em altos cargos políticos e administrativos dentro do país, criando assim uma tensão entre os dois campos estabelecidos pelos belgas. O conflito foi se acentuando até que em 1962, os hutus conseguiram reverter o panorama político. A tensão continuou acirrada e muitos tutsis fugiram para outros países.

Em 1987, criaram a Frente Patriótica Ruandesa (RPF), em Uganda, e organizaram ataques armados ao governo até que em 1992, na Tanzânia, as duas partes assinaram um cessar fogo “mediado”pela ONU, que estabeleceu provisoriamente um governo composto por tutsis e hutus .

Em 1992, um grupo denominado Akazu começou a organizar uma milícia paramilitar para enfrentar os tutsis. A burguesia hutu arrecadou dinheiro internamente através de relocamento de verbas estatais e empresas privadas, como por exemplo a empresa de fósforo Sorwal.

No plano internacional, a Alemanha e a Bélgica, através da ONU, começaram a isolar economicamente o governo ruandense enquanto apoiavam a RPF. A França, que sempre manteve uma forte presença no domínio político da África, furou o bloqueio enviando dinheiro para o governo através do banco francês, o BNP. O banco financiou o treinamento que o exército ruandense fez clandestinamente do Interahamwe, grupo de paramilitares hutus, assim como o abastecimento desses grupos.

O FMI e o BIRD também enviaram somas astronômicas para o país, sob o pretexto de ajudar o desenvolvimento da agricultura. Constava nos relatórios que o dinheiro ia para a compra de machetes e outros instrumentos de corte, usados na agricultura, só que tais instrumentos eram usados para os confrontos.

Em 1994, o então presidente do país, Juvénal Habyarimana, foi assassinado, seu avião foi abatido por dois mísseis solares. A culpa logo caiu nos tutsis entoando o início de um dos maiores genocídios que o mundo já viu. No espaço de 3 meses, 1.000.000 foram assassinada, entre elas estavam obviamente os tutsis, mas também estavam hutus “moderados” que eram contra a perseguição dos Tutsis e vice-versa.

Durante o conflito, houve a presença de tropas francesas no sudoeste do país tentando manter o controle da situação altamente explosiva, que eles mesmo geraram.

Em suma, na disputa política de um dos países mais pobres do mundo, o imperialismo francês injetou milhões para superar a dominação belga e alemã. Enviaram tropas para controlar a situação e financiaram o treinamento da extrema-direita.