RR: ataques de fascistas a imigrantes na fronteira são o resultado da campanha contra Venezuela

Brazilians burn the belongings of Venezuelan people as they block a street near the border with Venezuela at the Pacaraima border control point

A chancelaria da Venezuela enviou pessoal direto de seu consulado em Boa Vista para intervir urgentemente na situação de conflito que se abriu desde sábado, 18, na fronteira de Roraima, Brasil com a Venezuela – mais especificamente, em Pacaraima.

O conflito entre brasileiros e imigrantes venezuelanos, fomentado pela imprensa burguesa que, com seu interesse de intervir no país vizinho seguindo ordens do imperialismo norte-americano, teria começado com a história em que um comerciante brasileiro foi agredido em um assalto feito por venezuelanos, sendo furtado em R$ 23 mil reais, espancado, ficando em estado grave com traumatismo craniano, o que criou um pretexto para grupos de extrema-direita generalizarem uma ação, ainda sem provas, e começarem a perseguir venezuelanos nas ruas da cidade.

Mais especificamente, a imprensa burguesa relata que a revolta veio do espancamento do tal comerciante, levando um grande número de pessoas a fazer um primeiro protesto pacífico, mas que, em seguida os grupos foram incentivados por bandos de extremistas que saíram pegando venezuelanos que achassem pelo caminho, espancando, queimando suas roupas e pertences. O nível de loucura da história não para no fato de bandos serem formados para caçar pessoas nas ruas e queimar suas coisas, pois, horas depois, o número de brasileiros nesses grupos subiu rapidamente, e, disseminando seu ódio xenofóbico, os fascistas uniram-se e dirigiram-se para dois alojamentos para tacar fogo em tudo. E assim o fizeram, tacando fodo em todos os pertences, acabando com alojamentos onde estavam crianças, espancando pessoas e gerando um conflito imenso.

Após essa situação, os mais de 2 mil venezuelanos atacados, pegaram pertences que conseguiram e começaram a ocupar a fronteira para atravessar de volta, abrindo um conflito com militares brasileiros fascistas que incentivaram as ações, inclusive, deixando uma cinegrafista amadora filmar enquanto falava que os imigrantes tinham que ir embora mesmo, pois esse seria o Brasil que o povo quer, um país de intolerância racial e étnica

Com a chegada em massa de venezuelanos, os militares foram obrigados a criar dois abrigos de emergência, que, pouco tempo depois, também foi ataco pelos bandos fascistas que não cessaram sua perseguição enquanto não viram os imigrantes passarem da fronteira. Por fim, as milhares de pessoas totalmente fragilizadas por sua condição atual, acabaram voltando correndo para a cidade de Santa Elena, onde, na passagem da fronteira, também se pode encontrar vídeos dos fascistas xingando os mesmos, provocando a Guarda Venezuela para que abrissem fogo contra os extremistas e criassem um pretexto ainda maior de violência.

Veja a seguir imagens dos imigrantes sendo agredidos enquanto saem pela fronteira:

Outro vídeo mostra os extremistas brasileiros na fronteira provocando a Guarda Nacional venezuelana:

 

A história é de um absurdo total, apresentada exatamente desta forma como descrito acima: um grupo pacífico se transforma em bando, uma milícia fascista e começa um tribunal de excessão nas ruas, uma verdadeira caça às bruxas que, horas depois, se generaliza, aumentando o número de brasileiros nos bandos que saíram caçando venezuelanos que nada tiveram com o suposto assalto.

O que esta divulgação oculta é que toda essa ação foi preparada por uma intensa campanha da direita e de sua imprensa golpista contra a Venezuela e contra os imigrantes; cuja fuga da Venezuela vem sendo estimulada como forma de aprofundar a crise no País e servir de pretexto para uma intervenção imperialista, articulada pelos EUA e apoiada pelos governos capachos da América Latina, como o do golpista Michel Temer, com menos de 3% de apoio da população, de acordo com as pesquisas da própria burguesia.

Na imprensa burguesa encontram-se relatos de diversos venezuelanos dizendo que os brasileiros estavam ali para matar, agredindo com paus, pedras, o que gerou uma verdadeira guerra, uma reação dos venezuelanos durante toda a ação, sendo atacados e reagindo enquanto se encaminhavam para a fronteira. Os relatos também dão conta de que os fascistas agrediram crianças, destruíram pertences, pegam comida, tratando-os, como alguns mesmos disseram, como se fossem cachorros.