“Rouboanel” Mário Covas: 15 pessoas são presas por desvios em obra dos tucanos em São Paulo.

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Existe uma grande crise. Mesmo entre os grandes extratos da c lasse burgue uma crise gigantesca corrói o regime. O sintoma mais agudo dessa crise pode-se ver quando os setores mais blindados da burguesia ganham manchetes.
É o que se extrai quando se vê que ex-secretário de Alckmin é alvo de Operação da PF sobre desvios nas obras do Rodoanel. Aliás, são 15 mandados expedidos pela Polícia Federal.

Até nosso maior poeta, Drummond, foi lembrado nessa operação contra as mais altas camadas de nossas elites. A operação da Polícia Federal batizada de ‘Pedra no Caminho’ foi desencadeada na manhã desta quinta-feira para investigar crimes praticados por agentes públicos e empresários nas obras do Rodoanel Viário Mário Covas – Trecho Norte.

Foram muitas verbas desviadas. O Ministério Público Federal estima que houve acréscimo de R$ 600 milhões nos gastos com a obra por conta dos sobrepreços.

A aproximação dos tucanos de mais altas plumagens se dá com o principal alvo de prisão. É o ex-diretor da Dersa Laurence Casagrande Lourenço. Ele preside atualmente a Companhia Energética de São Paulo (Cesp). No último ano, Lourenço acumulou o cargo de secretário de Transportes e Logística do governo Geraldo Alckmin (PSDB).

Contudo, não se estanca aí a operação. Além de Lourenço, outros alvos dos mandados são ex-diretores da DERSA, executivos das Construtoras OAS e Mendes Junior. Além dos 15 mandados de prisão temporária foram efetuados 56 de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Ribeirão Preto, Bofete, Arujá, Carapicuíba e Marataízes (ES).

Os crimes praticados têm listas extensas. Em nota, o Ministério Público Federal afirmou que são investigados os crimes de corrupção, organização criminosa, fraude à licitação, crime contra a ordem econômica e de desvio de verbas públicas.

A figura de Paulo Preto volta a perturbar o sono dos tucanos. O Rodoanel é o calcanhar de Aquiles de praticamente todos os governos tucanos de São Paulo.

De fato, o ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, considerado o principal operador do PSDB, é alvo de denúncia por desvio de R$ 7,7 milhões, entre 2009 e 2011, durante o governo de José Serra (PSDB).

Paulo é um arquivo vivo do PSDB desde Mário Covas. O ex-diretor da Dersa foi acusado de incluir 1,8 mil falsos beneficiários de desapropriações em função das obras do trecho Sul do Rodoanel, da Avenida Jacu-Pêssego e das obras de ampliação da Marginal Tietê.

Além disso, Paulo Preto foi preso recentemente duas vezes pela Polícia Federal e acabou solto, nas duas vezes, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. A delação do operador tucano é considerada explosiva, pois pode vir a incriminar Alckmin, Serra e Aloysio Nunes, entre outros envolvidos. Tem, portanto, munição suficiente para acabar com o PSDB de São Paulo. Segue-se ainda que só nas contas de Suíça de Paulo Preto foram encontrados 121 milhões de reais.