Roubo de crianças: indígenas são adotados à força

Menino indígena

Crianças e até mesmo recém-nascidos estão sendo retirados de suas respectivas mães em inúmeras comunidades indígenas. O caso de Élida Oliveira, que teve seu filho de 8 dias de vida retirado do tehoka (território onde os indígenas preservam e manifestam sua cultura) pelos agentes de saúde e pelo Conselho Tutelar, é apenas um entre muitos que tem ocorrido no Mato grosso do Sul.

Representando a barbárie da sociedade moderna, a Vara da Infância tem separado mães e filhos, sob a alegação de “maus tratos, abandono e problemas com álcool e drogas” para justificar uma política desumana.

Situações como esta, tem aumentado de maneira vertiginosa o número de crianças indígenas em situação de acolhimento institucional nos últimos anos. Segundo um relatório da Coordenação Regional da Funai, só no município de Dourados (MS), das 50 crianças que viviam em abrigos até 2017, restam apenas 34, contabilizadas em julho de 2018.

Já não bastasse o massacre dos Guarani Kaiowá promovido por pistoleiros a mando de fazendeiros ligados ao agronegócio, as comunidades indígenas têm tido seus filhos roubados. Na carta final redigida em assembléia das mulheres Kaiowá e Guarani, elas exigem que sejam encontradas alternativas dentro das próprias aldeias, como manda o Estatuto da Criança e do Adolescente; bem como o direito de continuar seguindo as lições deixadas por seus antepassados, como: comer os alimentos da origem, cantar para os recém-nascidos.

Diante disso, é uma necessidade denunciarmos essa atrocidade perpetrada por setores ligados ao grande capital, como os latifundiários, utilizando-se do Estado; e que não medem esforços para dizimar povos indígenas e quilombolas.