Morre Jean-Claude Carrière
Jean-Claude Carrière morreu durante o sono na noite de segunda-feira, 8 de fevereiro, anunciou sua família.
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O escritor Jean-Claude Carrière em 2009 | Foto: ULF ANDERSEN / Aurimages via AFP
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O escritor Jean-Claude Carrière em 2009 | Foto: ULF ANDERSEN / Aurimages via AFP

O escritor, diretor, roteirista e dramaturgo francês, Jean-Claude Carrière morreu na noite de segunda-feira, 8 de fevereiro, aos 89 anos. Ele, que não sofria de nenhuma doença em particular, morreu “dormindo” em sua casa parisiense. Uma homenagem em breve será prestada ao escritor em Paris e deve ser enterrado em sua aldeia natal, em Colombières-sur-Orb, no Hérault. O autor de “A Bela da Tarde” e “O Discreto Charme da Burguesia”, foi figura fundamental do cinema da segunda metade do século XX e ganhador de dois Oscars.

Definindo-se como um “contador de histórias”, Jean-Claude Carrière trabalhou notavelmente ao lado de Luis Buñuel por quase duas décadas e também foi dramaturgo e letrista de Juliette Gréco, Brigitte Bardot e Jeanne Moreau. Em sua casa em Paris, onde morreu, uma mansão escondida em um canto insuspeitado de Pigalle, bairro de vinhedos e depois cabarés, que em tempos longínquos abrigou um bordel. Nesta casa campesina, viveu rodeado de memórias, de fotografias e das obras de arte que colecionou.

“Venho dos cinco mil anos do pequeno campesinato do sul. Eu pertenço à geração que o viu desaparecer. Minha aldeia natal, Colombières-sur-Orb, no Hérault, vivia nele. Não há mais terra cultivada lá … ”. Sua família é camponesa desde os primórdios dos tempos, uma função que vem de pai para filho. “Posso gabar-me, e já o provei recentemente, de ser o único autor que sabe arar as vinhas com um cavalo. Também sei construir paredes de pedra seca, como meu pai me ensinou. Às vezes faço isso pelos meus novos vizinhos”. Disse o contador de história.

Uma vida de obra pletora e multifacetada: nasceu em 17 de setembro de 193, em Colombières-sur-Orb (Hérault). Autor de 80 livros, incluindo “Le Vin bourru”, sobre sua infância. Roteirista de 65 filmes. Acima de tudo trabalhou com Pierre Étaix, Luis Buñuel, Milos Forman e Jacques Deray (La Piscine, Borsalino). Autor de uma dezena de peças, incluindo “L’Aide-Mémoire” e “Fiel Colaborador” de Peter Brook (tradutor do Mahabharata). Adaptador de “Cyrano de Bergerac”, “O Rei dos Amieiros” e “A Insustentável Leveza do Ser”.

Ainda muito ativo apesar da idade, escreveu um último ensaio em 2018, O Vale do Nada, e co-assinou em 2020 o roteiro do filme Le sel des larmes de Philippe Garrel. Sempre cercado por centenas de papéis que guardou metodicamente em caixas de papelão, nos quais escreveu uma ideia interessante, uma frase memorável, os contornos de um personagem possível. Carrière não tinha medo da página em branco: quando ela aparecesse, ele abria um daqueles arquivos, extraia uma página ao acaso e deixava a sorte guiá-lo. Um método herdado dos surrealistas, que tanto o influenciaram, que utilizou para evitar o frio domínio do bom senso.

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