Quarentena e crise econômica
Rodízio e quarentena em São Paulo empurram trabalhadores autônomos para a contaminação e para a repressão violenta do Estado
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Trabalhadores autônomos, crescem exponencialmente nas capitais, Imagem: MARCO QUINTANA/JC |
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Trabalhadores autônomos, crescem exponencialmente nas capitais, Imagem: MARCO QUINTANA/JC |

Da redação – O novo rodízio de veículos estabelecido pelo prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), vigente à partir desta segunda (11) está afetando diretamente um dos setores mais explorados dos trabalhadores, os motoristas de aplicativos, que não entraram em nenhum tipo de exceção da nova regra.

O Decreto 59.403, de 07 de Maio, que instituiu o rodízio ampliado, determinando a circulação de veículos com placas pares e ímpares em dias alternados, inclusive em fins de semana, definiu exceção a taxistas, carros oficiais, de transportes coletivo, inclusive as Vans, e de transporte de trabalhadores essenciais, por exemplo. Mas, na previu a circulação de motoristas de aplicativos como Uber.

Em entrevista publicada no site Uol (leia aqui), um motorista de Uber, que não quis se identificar afirmou que não tem como cumprir a medida e prefere se arriscar a ser multado, pois, ainda com a multa compensaria, já que é a sobrevivência da sua família que está em jogo, afirmou:

“Conversei muito com a minha mulher. Minha situação é a seguinte: eu preciso trabalhar, eu tenho uma meta diária de quanto tenho que ganhar por dia para fechar a conta no mês. Se eu fizer um dia sim um dia não, minha conta não vai fechar. Sabendo que vou começar o dia com menos R$ 130, da multa, tenho que rodar o máximo possível todos os dias. É o jeito”

A situação deixa claro que as medidas de repressão e paliativas dos governos, além de não resolver o problema da disseminação da pandemia, torna a vida da população pobre e trabalhadora ainda mais difícil, sendo obrigada a, além de se arriscar com o coronavírus, a sofrer a repressão violenta do Estado, seja no bolso, seja fisicamente pelas mãos da PM.

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