Destruição da Amazônia
Direita tenta aprovar a grilagem em Rondônia e a redução de terras protegidas. Desmembrando milhares hectares e entregá-los à exploração, principalmente para a criação de gado
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Legenda: Lideranças indígenas sempre são alvos de conflitos com grileiros na região | Foto por Gabriela Biló/Estadão Conteúdo

Projeto do Governador e dos Deputados é desmembrar cerca de 161 mil hectares em duas Unidades de Conservação e entregá-los à exploração, que tem como principal motivo a criação de gado. Essa degradação também passa por grileiros, sendo estimulada e apoiadas pelo governo Jair Bolsonaro, junto com seu bloco político golpista e representados por fazendeiros e executivos do agronegócio, ou seja, perpetrada pelo latifundio criminoso. Essa tentativa fez com que Organizações Sociais e Instituições Públicas assinem Nota de Repúdio ao ataque do governo às Unidades de Conservação do Estado de Rondônia.

O combate à grilagem e a luta pela preservação, tem se intensificado após o golpe de Estado de 2016, que teve como consequência a eleição fraudulenta, onde elegeu um fascista e resultou na ascensão do governo de extrema direita. Gerando assim todas as catástrofes vivenciadas pelo país, como milhares de mortes pela covid-19, taxa de desemprego nas alturas, violência policial, assassinatos no campo, de indígenas, fome e miséria como nunca vistos. E nesse caso, facilitou para os ruralistas avançarem em sua política de tomada de terras e destruição ambiental.

Várias ações criminosas como a grilagem e as queimadas, por exemplo, são instrumentos utilizados pelos latifundiários para expulsar famílias sem-terra das terras e criar condições para o processo de grilagem de terras públicas. Tudo isso também traz prejuízos ambientais inimagináveis para a flora e fauna da região e o comprometimento de grande parte da vida animal do bioma. A extrema-direita conta com a total cumplicidade das autoridades políticas, judiciárias e policiais, que garantem a impunidade para o latifúndio quando atacam frequentemente as reservas florestais, parques nacionais e terras indígenas e quilombolas

Essa regularização fundiária de terras griladas é parte da política da direita, para quem a terra é uma forma de acúmulo de capital, não importando quais são as consequências e apresentando referenciamento que sobrepõe territórios indígenas, quilombolas e de outras comunidades. Em geral todo cidadão que ali constroem suas vidas e dependem da terra e do ambiente, que tem um valor infinito e sem isso acabam na marginalidade ou na morte. O governo Jair Bolsonaro é uma expressão dos interesses dos ruralistas, que constituem uma das bases fundamentais de sustentação do governo de características fascista.

Segue abaixo a Nota de Repúdio ao ataque do governo às Unidades de Conservação do Estado de Rondônia, assinada pelas Organizações Sociais e Instituições Públicas:

CARTA PÚBLICA – NENHUM HECTARE A MENOS!

A permanente ameaça do governo do Estado de Rondônia e da Assembleia Legislativa às Áreas Protegidas se volta agora para duas Unidades de Conservação: Reserva Extrativista Jaci-Paraná e Parque Estadual Guajará-Mirim. Governador e Deputados pretendem entregar as áreas públicas, um bem do povo, a grileiros e desmatadores, por meio de Projeto de Lei que tramita com prioridade na Assembleia Legislativa e pode ser aprovado nos próximos dias. O projeto do Governador e dos Deputados é desmembrar cerca de 161.599 mil hectares dessas duas Unidades de Conservação e entregá-los à exploração, principalmente para a criação de gado. As duas áreas têm sofrido invasões crescentes nos últimos 20 anos. Seringueiros da RESEX foram expulsos com violência por jagunços armados a serviço dos grileiros. Entregar essas áreas aos invasores é premiar e legitimar a ação do crime organizado no Estado. É assumir que o crime compensa e incentivar novas invasões em outras Unidades de Conservação, a exemplo do que ocorre na RESEX Aquariquara e outras reservas na região de Machadinho e Vale do Anari. A desafetação dessas unidades impacta diretamente as Terras Indigenas Uru-eu-wau-wau, Karipuna, Igarapé Lage, Igarapé Ribeirão, Karitiana e os povos que estão em isolamento voluntário na região que envolve as Áreas Protegidas, ameaçando a integridade física, cultural e territorial podendo levar a eminência de um genocídio de culturas milenares. Entendemos que as Unidades de Conservação não são empecilho para o desenvolvimento e que, ao contrário, podem ser aliadas na geração de emprego e renda, como por exemplo, na exploração sustentável da biodiversidade. O ataque a elas mostra ao Brasil e ao mundo que o Estado não está preocupado em cuidar da Floresta Amazônica, nosso maior patrimônio. As Unidades de Conservação Jaci-Paraná e Guajará-Mirim não podem perder nem um hectare e precisam ser recuperados em sua integridade, o que seria outra oportunidade de geração de emprego e renda. O povo rondoniense não precisa de menos florestas. Precisa de mais. O uso das áreas públicas para a criação de gado beneficia apenas um pequeno grupo, além de ser crime previsto em lei. As justificativas de invasões de Áreas Protegidas para desafetá-las utilizadas pelo PLC: nº 80/2020, só demonstra a incapacidade do Poder Público de governar e gerir o território, deixando a mercê do crime organizado.

Diante do exposto as entidades que assinam esta nota, exigem:

A retirada desta matéria da pauta do poder legislativo estadual;
Retirada dos invasores de todas as áreas protegidas;
Recondução das comunidades tradicionais aos seus territórios;
Proteção, monitoramento e fiscalização das Terras Indígenas e Unidades de Conservação;
Que o gado seja apreendido, leiloado e os recursos sejam aplicados na recuperação das áreas degradadas;
Que o programa de reflorestamento do Estado priorize as referidas áreas para recomposição florestal.

Porto Velho-RO, 1º de dezembro de 2020

Assinam:
Arquidiocese de Porto Velho
Associação de Defesa Etnoambiental-KANINDÉ
Conselho Indigenista Missionário/CIMI-RO; ONG Raiz Nativa
SOS Amazônia
Grupo de Pesquisa em Gestão do Território e Geografia Agrária da Amazônia – GTGA/UNIR
Associação do Povo Indígena Karipuna-APOIKA
Associação do Povo Indígena Uru-eu-wau-wau/Jupaú
WWF-Brasil
Comitê Chico Mendes
Revista Xapuri
Associação das Guerreiras Indígenas de Rondônia – AGIR
ECOPORÉ-Ação Ecológica Guaporé
Fundação Luterana de Diaconia
Conselho de Missão Entre os Povos Indígenas
Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia-FDL
OPIROMA
Comissão Pastoral da Terra do Regional Rondônia  – CPT/RO
Associação Alternativa Terra Azul
Organização Indigenista da Diocese de Guajará-Mirim
Pastoral Indigenista da Diocese de Ji-Paraná
IMV – Instituto Madeira Vivo
Associação Metareila do Povo Indígena Suruí
Conselho Nacional das Populações das Populações Extrativistas-CNS
Diretório Regional do Partido dos Trabalhadores-PT
Rede Sustentabilidade
Juventude Indígena de Rondônia
FETAGRO – Federação de Trabalhadores na Agricultura de Rondônia
Via Campesina RO
IPÊ; – Instituto de Pesquisa Ecológica
FVA – Fundação Vitória Amazônica
Grupo de Pesquisa Geografia, Natureza e Territorialidades Humanas – GENTEH-UNIR
Fórum de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de Rondônia – Fórum DCA/RO
ECAM – Equipe de Conservação da Amazônia
Grupo de Pesquisa em Geografia e Ordenamento do Território na Amazônia – GOT- Amazônia/UNIR
CUT-RO
Instituto Territórios e Justiça
Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Maria dos Anjos –CDCA/RO Associação Cultural Pirarucu do Madeira
Instituto India Amazônia
Conselho Nacional de Seringueiros – CNS
Coletivo Mura de Porto Velho
Comitê Defensor da Vida Amazônica na Bacia do Rio Madeira
Organização Indígena Oro Wari
Pastoral Indigenista da Diocese de Guajará Mirim
Pastoral Indigenista da Diocese de Ji-Paraná
CRB – Regional Porto Velho Ir. Carmelita

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