Ninguém compra, ninguém vende
Tendência de quebra de empresas persiste. Crise econômica e falta de clientes geram pessimismo em donos de pequenos negócios.
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10/04/2017- São Paulo- SP, Brasil- Lojas são saqueadas durante conflito entre usuários de drogas e a polícia no bairro Santa Ifigênia, região conhecida como Cracolândia 
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
A degradação da economia causada pelos capitalistas levará a desemprego, saques, miséria |

Entre maio e agosto de 2019, o Sebrae entrevistou cerca de 10 mil donos de pequenos negócios formais em todo o Brasil. Uma parte das questões da pesquisa versa sobre tópicos objetivos como a duração e a localização das empresas, as suas fontes de crédito, a renda familiar dos entrevistados, suas ocupações anteriores e seu nível de escolaridade. Outra parte se refere a tópicos subjetivos, como a autoimagem racial dos empresários, sua percepção das dificuldades econômicas e suas razões para abrir ou fechar uma empresa. As informações estão no relatório “Perfil das microempresas e das empresas de pequeno porte”, divulgado em outubro de 2019. As microempresas (cerca de 80%) são as empresas com faturamento anual entre 81 e 360 mil reais, enquanto as empresas de pequeno porte (cerca de 20%) faturam anualmente entre 360 mil e 4,8 milhões de reais.

A pesquisa consultou uma camada social privilegiada. Mais ou menos 60% dos entrevistados possuem uma escolaridade relativamente alta. Muitos possuem ensino superior completo e pós-graduação. 60% se declaram brancos, cerca de 30% se dizem pardos e somente um percentual próximo de 5% se declaram negros. Uma grande parte dos entrevistados tinha como ocupação anterior empregos ou empreendimentos formais. Dos que estão tocando algum negócio ativo, os microempresários e os empresários de pequeno porte têm renda média, respectivamente, de R$ 8882 e R$ 14.452. Mais de 70% instalaram suas empresas em estabelecimentos comerciais ou industriais, e somente 1% ocupa espaço em feiras populares. Tudo indica que estamos diante de um grupo predominantemente coxinha, a pequena base social apoiadora do golpe e de Bolsonaro.

Um dado que salta aos olhos é que 25% de todas essas empresas estão inativas, quebradas ou paralisadas. Duas em cada três fecharam em menos de quatro anos. 54% dos empresários quebrados em 2019 desistiram de retomar os negócios e 42% querem recomeçar; em 2017, desistiram 48% e queriam recomeçar 45%. Prejuízos constantes e falta de clientes são apontadas como as principais razões de falência. A falta de dinheiro e a crise econômica são vistas como os maiores impedimentos à retomada. Se comércio e indústria quebram, o desemprego aumenta, a renda das famílias encolhe, o consumo destas cai, o comércio e a indústria desmoronam juntos. Os golpistas fingem combater esse ciclo; na realidade, a política econômica de Guedes, centrada em corte de gastos públicos, tem como objetivo principal reforçar ainda mais esse ciclo e destruir a economia nacional.

De 2017 até 2019, a duração média das empresas caiu de 14 para 10 anos. Quase metade das empresas ativas em 2019 tem menos de 5 anos, e aproximadamente uma em cada três possui entre 5 e 10 anos. Parte expressiva dos empréstimos tomados por esses empresários veio do Banco do Brasil e da Caixa, mas encolheu 16% em relação a 2017.

Desde o golpe a economia afunda a cada dia. Ao contrário das promessas da direita, o golpe só aprofundou a crise econômica. A única maneira de reverter a situação é lutar contra o golpe, pela queda de Bolsonaro e de todos os golpistas.

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