RJ: cidade em que de cada três mortes, uma é causada pela PM, vereadora de esquerda é ameaçada

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Uma cifra alarmante: Rio tem maior número de mortos pela polícia em 15 anos.
Só um Estado Policial pode apresentar dígitos de 154 pessoas mortas pelas polícias no Estado do Rio de Janeiro em janeiro deste ano. Os dados são do ISP (Instituto de Segurança Pública) divulgados nesta quarta-feira (28). Tem-se como alarmante, eis que o número é o maior registrado em um mês no período de 15 anos.
Os assassinatos pela Polícia Militar vêm num crescente. No mês passado, o número de mortes por agentes das polícias Militar e Civil aumentou 57% em relação a janeiro de 2017.
Está em curso um massacre. Até então, os meses com mais mortes pelas polícias foram abril e maio de 2008, ambos com 147 casos, período pré-UPP (Unidade de Polícia Pacificadora).
O Estado policial já é uma realidade. Já vivemos num tipo de organização estatal fortemente baseada no controle da população (e, principalmente, de opositores e dissidentes) por meio da polícia política, das forças armadas e outros órgãos de controle ideológico e repressão política, agravada com a Intervenção Militar.
Este Estado de polícia é um tipo de Estado que está isento de qualquer limite formal ou controle jurisdicional. Em decorrência disso, transformam as periferias do Rio em campos de concentração “abertos”.
É neste contexto que mais uma vereadora é ameaçada de morte. Trata-se da vereadora mais votada de Niterói: “Eu nunca sofri tanto racismo de forma explícita como na minha experiência de um ano (como vereadora)”, contou Talaria Petrone, em entrevista recente.
Talíria vem de uma família de classe média baixa de Niterói, do bairro do Fonseca, na zona norte da cidade, filha de uma professora alfabetizadora e de um artista plástico e músico.
Talíria seguiu o caminho da mãe no magistério, mas, antes de virar professora, chegou a trancar a faculdade de História na UERJ, aos 18 anos, para atuar como atleta profissional de vôlei em Portugal.
Como vereadora, diz Talíria: “Eu nunca sofri tanto racismo de forma explícita como na minha experiência de um ano (como vereadora). Desde ser chamada de negra nojenta, ouvir ‘neguinha volta para senzala’, ‘que cabelo é esse?’, até ameaças concretas de morte”.
O fascismo está à espreita. Talíria já está na mira de um Estado Policial fascista. Só a classe operária posta em marcha pode varrer as ameaças do fascismo.