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Há 230 anos, a alta nobreza de uma das mais poderosas nações do mundo da sua época sentiu na própria pele a força invencível do maior poder que existe em qualquer tempo ou lugar em uma sociedade: o poder revolucionário do povo quando se dirige, decididamente, contra seus tiranos.

A Bastilha, na França de Luiz XVI, era o local para onde eram mandados todos os que se atrevessem a questionar o poder – considerado “absoluto” – da monarquia francesa ou de qualquer um de seus muitos protegidos.

Era o símbolo maior do poder da monarquia francesa, lugar para onde todos temiam ser mandados, e que, exatamente por esta razão, era também o símbolo maior do ódio do povo contra a nobreza.

Os nobres consideravam o povo como um amontoado de gente completamente ignorante e sem nenhum valor, que sempre se submeteriam aos mandos e desmandos reais, incapazes sequer de uma rebelião, quanto mais de tomar o poder através de uma revolução.

A burguesia, entretanto, que já havia adquirido consciência de classe, percebia o povo como uma poderosa ferramenta, que daria aos revolucionários burgueses a força necessária para derrubarem os reis absolutistas e tomarem o poder.

A queda da Bastilha, que rompeu todas as forças de resistência do antigo regime francês, comprovou que a burguesia da época tinha razão.

Após este acontecimento, a burguesia francesa leva avante a revolução, toma o poder da nobreza, e, com o sangue da guilhotina, lava da França qualquer vestígio desse antigo poder feudal. Depois disso, entretanto, tira do povo o poder que seria dele, enganando as massas através da instauração da sua “democracia”.

Em verdade, uma democracia de fachada, representativa, cuidadosamente arquitetada — desde suas bases ideológicas —  para só permitir o exercício do poder aos círculos fechados da alta burguesia. Os demais, ou não tinham poder nenhum ou o exerceriam de forma muito limitada e bem controlada, sempre mediados pelos reais donos do poder do novo regime, pós revolucionário.

No entanto, ainda assim, a Revolução Francesa, através da universalização do poder burguês e do sistema capitalista pelo mundo inteiro, foi o marco histórico de todo um período de inegável avanço da civilização. Período que durou enquanto o sistema econômico burguês ainda possuía a vitalidade necessária para promover o progresso dos sistemas de produção da humanidade.

Marx tinha clareza quanto aos avanços que o jovem capitalismo havia proporcionado para a civilização. Mas além disto, o que ficou demonstrado para Marx, através da experiência histórica da Revolução Francesa, é que os mecanismos sociais que inevitavelmente colocarão fim ao próprio capitalismo têm, nas massas oprimidas, sua força real e base concreta.

Até mesmo para a burguesia ter sido capaz de tomar o poder, foi o povo massacrado pelo poder monárquico quem executou, de fato, a revolução.

E pouco mais de cem anos após a Revolução Francesa, este mesmo povo demonstraria novamente sua capacidade revolucionária, derrubando outro poder feudal, mas agora sem se deixar ludibriar pela burguesia. Na Revolução Russa, de 1917, o proletariado daquele país livrou-se da monarquia e da burguesia, e instaurou o primeiro Estado Operário da história humana, a República dos Soviets.

E hoje, 230 anos depois da queda da Bastilha, é este mesmo poder real, do povo, que novamente vem dar os “ares de sua graça” na França, quando um dos representantes mais característicos do decadente poder burguês, Macron, foi intensamente vaiado pelo povo. Manifestantes que, inclusive, estendiam bandeiras amarelas, deixando claro que pertencem ao movimento dos coletes amarelos, há meses em confronto direto contra o poder imperialista burguês.

Vaias que talvez até possam representar alguma novidade na França, mas com o que nós brasileiros já nos acostumamos, quando gente como Bolsonaro aparece em público e é tratado como deve pelo povo. E não só por meio de vaias.

Mas na França, nas comemorações da queda da Bastilha, as vaias ouvidas pelo servo do imperialismo, Macron, soam como um importante aviso, não só para o governo francês em frangalhos, mas para a burguesia como um todo. Uma lembrança de que o poder real continua onde sempre esteve, nas mãos do povo.

Poder este que a qualquer momento poderá novamente tomar a forma revolucionária, mas agora para ser dirigido pela própria classe operária.

Pelas palavras de Marx é inevitável. A classe operária será “disciplinada, unida e organizada pelo próprio mecanismo da produção capitalista”.

Por isso a classe operária, ainda que passando por um período de refluxo de sua luta, a cada dia toma mais consciência de seus próprios interesses, e aprende, na prática, as maneiras de que dispõe para exercer a luta popular de forma independente.

Não é a toa que, entre nós, é do povo que vem a força das palavras de ordem corretas para o atual momento histórico: Fora Bolsonaro e Liberdade Para Lula. Ao partido operário – o PCO – coube reconhecer, expressar e tornar concreta e organizada a luta que estas palavras de ordem expressam e que já estava presente, ainda que de forma latente, nas massas.

A popularidade da luta pelo Fora Bolsonaro e pela Liberdade de Lula, é uma demonstração clara de que o mesmo poder que derrubou a Bastilha, colocando para fora do poder o reinado dos Bourbons, e fez isto justamente dando liberdade, na marra, pela força, para todos os presos políticos da época, inclusive para as mais importantes lideranças populares, este poder continua vivo e será exercido novamente.

A diferença é que, agora, ao invés de ser controlado pela burguesia, o poder revolucionário da classe operária terá esta classe como alvo.

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