Revolta popular ou começo do golpe? Cinco anos do junho de 2013

13 jun

Nessa quarta-feira, dia 13 de junho, completaram-se cinco anos da brutal reação policial que vai dar impulso às grandes manifestações de junho de 2013 que, depois de se iniciarem por São Paulo, se espalharam por centenas de cidades de todo o País

As pequenas mobilizações iniciadas dias antes com as passeatas contra o aumento da tarifa dos transportes coletivos implementado pelo prefeito Fernando Haddad, do PT, e o governador Geraldo Alckmin, do PSDB, foram enfrentadas nessa data com a tropa de choque e outros batalhões da famigerada Polícia Militar paulista que disparou contra manifestantes, jornalistas e transeuntes que circulavam pela Avenida Paulista e imediações depois de mais uma das muitas passeatas organizadas por diversos setores da esquerda, principalmente da juventude que defendiam – em sua maioria – o passe livre nos transportes para os estudantes e desempregados.

A luta pelo passe livre havia se iniciado anos antes durante o governo Kassab (PSDB-PSD) e vinha sofrendo desde aquele momento a repressão policial. Ela teve momentos de mobilizações expressivas e outros momentos de pequenas manifestações, mas se manteve como o movimento de uma frente única de organizações políticas e reivindicativas de caráter permanente.

No ano anterior, o PT, tendo como candidato Fernando Haddad havia derrotado o PSDB, estimulando-se na maior cidade do País um clima favorável às mobilizações de amplos setores explorados, como no caso da juventude, sem tetos etc. favorecendo-se – de certa forma – um enfrentamento com a ofensiva golpista que a direita iniciara contra os governos nacionais do PT, a partir do julgamento do mensalão, no ano anterior. Isso, mesmo em condições em que o PT chegou ao governo não como uma alternativa popular ou revolucionária ao PSDB, mas como resultado do profundo debilitamento  do governo burguês  antidemocrático, antioperário e pró-imperialista, que fizeram dos governos tucanos (PSDB-PSD e outros) de Kassab e Alckmin governos profundamente odiados pela imensa maioria da população.

Nessas condições, as manifestações de junho de 2013 – que vão se intensificar e massificar – a partir do dia 13 foram mais um sintoma do agravamento da crise e da evolução da situação política à esquerda, expressos – entre outros – na crescente participação da juventude, inclusive das periferias, os quais começaram a participar e romperam os bloqueios a uma maior radicalização estabelecidos até então pela direção pequeno burguesa dos movimentos de luta pelo passe livre, dominadas por defensores de uma política “pacifista”, ou seja, de conciliação, inclusive com a sanguinária PM.

O brutal ataque do poderoso aparato de repressão logo no começo da manifestação daquele dia, visando sua dispersão e a aniquilação do movimento que crescia serão apresentados pela imprensa capitalista, ardorosa defensora do governo Alckmin, como “vandalismo” e “baderna”. Mas isso não será suficiente para intimidar o movimento e fazer explodir uma onda de pelas vítimas da repressão, estimulando um crescimento exponencial das manifestações nos dias que se seguirão.

Essa repressão vai indicar também a total incapacidade da maior força repressiva  estadual do  País, a máquina de guerra de mais de 70 mil homens da PM paulista (à qual se acrescentam outras dezenas de milhares de policiais civis e outros agentes da repressão) para conter o crescimento da mobilização política que ameaçava levar à queda um dos principais pilares da direita pró-imperialista do País, o governo que detém o segundo maior orçamento público do País, no momento em que o orçamento nacional e o terceiro maior orçamento (o da Prefeitura de São Paulo) encontravam-se- ao menos parcialmente, sob o controle de um governo da esquerda semi-nacionalista e burguesa, representada pelo PT e seus aliados.

Colocado frente ao impasse de ceder às manifestações ou reprimi-las, o governo Alckmin optou pela repressão valendo-se de milhares de soldados da PM, a Rota, a Tropa de Choque, da Cavalaria e vários destacamentos especiais.

A reação à essa brutal repressão fará com que – nos dias seguintes – se intensifique a crise  política da forma mais profunda que se tinha visto desde o fim da ditadura militar em meados da década de 80.

Essa  violenta repressão do dia 13 de junho foi o estopim da crise posterior, que terá de ser dominada por uma ampla articulação nacional e internacional da direita golpista que buscará conter e desviar o movimento, valendo-se da manipulação dos monopólios das comunicações, da infiltração policial das manifestações, do patrocínio de grupos de extrema direita e da capitulação de setores da esquerda pequeno burguesa.

Nestas condições a repressão vai detonar uma enorme revolta popular, obrigando a direita a atuar para conte-la e a sequestra-la para desvia-la em direção à manifestações contra os governos petistas buscando criar as condições para um golpe de estado que só irá triunfar em 2016, com a derrubada da presidenta Dilma Rousseff.