Revista Fórum ataca a Coreia do Norte ao invés de denunciar os países imperialistas

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Em matéria que, ao menos em um primeiro momento, tentou denunciar a exclusão de Cuba e Venezuela da cerimônia de posse do ilegítimo Jair Bolsonaro, a Revista Fórum acaba por ecoar a propaganda imperialista contra outro governo anticapitalista, o da Coreia do Norte.

O veículo da esquerda pequeno-burguesa ironizou o “desconvite” do futuro governo golpista aos dois países sob a desculpa de serem governados por regimes ditatoriais, segundo Bolsonaro. Para tentar mostrar a contradição no discurso bolsonarista, a revista alega que ele convidou, no entanto, representantes de uma “ditadura hereditária”, de “um dos regimes mais fechados do mundo”: a Coreia do Norte.

Assim, a matéria, muito superficial, resume-se a difundir a velha e batida propaganda enganosa da direita e do imperialismo contra o país asiático. Para isso, cita dados das Nações Unidas, que afirmam que 2,6 milhões de norte-coreanos “são obrigados pelo Estado a realizarem trabalhos forçados”.

É preciso questionar, em primeiro lugar, esse número elevado. Isso é 10% de toda a população da Coreia do Norte. Mesmo que o país seja “um dos regimes mais fechados do mundo”, como assegura a Fórum, seria difícil esconder tanta gente realizando trabalho escravo. O senso comum espalhado pela propaganda imperialista diz que isso é possível porque o interior do país é quase que inacessível para estrangeiros, então seria ali onde o governo manteria campos de concentração para trabalho forçado de opositores.

Entretanto, diversos grupos de viajantes que foram à Coreia do Norte atravessaram os campos de sua zona rural, incluindo autoridades internacionais, dentre eles a imprensa imperialista, como a rede de televisão norte-americana CNN. E realizaram filmagens e relatos de visitas, desmentindo a propaganda de supostas campos de trabalho forçado, cujas supostas imagens são, na verdade, de granjas cooperativas onde trabalhadores plantam e colhem.

Em segundo lugar, é preciso lembrar que a ONU é uma entidade controlada pelo imperialismo. E, como tal, em uma de suas mais visíveis demonstrações de sua serventia, invadiu militarmente a Coreia do Norte a mando dos Estados Unidos em 1950, quando assassinou um terço da população coreana, despejou mais bombas na Coreia do que os EUA haviam despejado na Batalha do Pacífico (2ª Guerra Mundial) e não deixou quase nenhum prédio de Pyongyang em pé. Mais recentemente, desde 2006, a ONU impõe anualmente ferrenhas sanções econômicas, políticas e militares contra a Coreia do Norte, asfixiando o país economicamente.

Por último, esses dados de suposto trabalho escravo foram divulgados, segundo a própria Fórum, por uma fundação chamada Walk Free. Essa ONG foi criada por Andrew Forrest, magnata australiano da indústria de mineração, cuja fortuna atualmente gira em torno de R$ 11 bilhões, figurando entre as 500 pessoas mais ricas do mundo segundo a Revista Forbes.

Como um capitalista bilionário, obviamente Forrest tem interesses em ampliar seus investimentos imperialistas, e o atual governo da Coreia do Norte, não permite a exploração privada de seus recursos. E a Coreia do Norte está diretamente ligada ao principal ramo de Forrest, a exploração de metais e minerais.

A apenas 150 km de Pyongyang encontra-se um dos maiores depósitos de terras raras do planeta, com pelo menos 20 milhões de toneladas, que são fontes de alguns dos metais e minerais de maior valor para as companhias capitalistas e maior peso estratégico para os países imperialistas, especialmente para a indústria bélica dos Estados Unidos.

Portanto, é de fundamental interesse, tanto do capitalista em questão, como do imperialismo norte-americano desestabilizar de todas as formas possíveis e tentar derrubar o regime norte-coreano, para se apoderarem das riquezas e recursos naturais do país, além de representar um ponto geoestratégico para os Estados Unidos no nordeste asiático.

Ao ecoar a propaganda imperialista contra a Coreia do Norte, a Fórum apenas alimenta a campanha do imperialismo contra os governos de esquerda, nacionalistas e anti-imperialistas. Ao invés de criticar um país oprimido pelo imperialismo, a revista deveria criticar e mostrar a contradição no discurso de Bolsonaro ao convidar regimes absolutamente opressores e violadores dos direitos humanos, como a Arábia Saudita ou Israel. E, obviamente, os próprios EUA, maiores violadores de direitos humanos de todo o mundo.