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Literalmente à beira da morte

Os deslizamentos de terra são chacinas do estado capitalista

População pobre vive em condições que se não morre hoje e morrerá amanhã

Descaso dos governos – Arquivo DCO.

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Todo ano, todo verão, toda a periferia brasileira sofre. Os desabamentos de terra já viraram uma realidade que parece que todo ano é uma novidade, se não fosse uma catástrofe. O problema real da questão habitacional das grandes cidades, expõe uma realidade da periferia brasileira tanto escondida pelos meios de comunicação: é um fato o massacre que anos após ano mata, desabriga e joga a mercê boa parte da população pobre trabalhadora.

Sem condições de habitar os lugares mais seguros da cidade, onde o próprio estado burguês construiu e preparou a cidade para receber a burguesia, a população trabalhadora sempre se obrigou a morar nas periferias das cidades, levando enormes tempos para se deslocar ao trabalho e morando em situações onde nem água e nem esgoto chegavam com facilidade. Não é difícil notar, que os bairros da classe média alta das grandes cidades foram construídos em lugares altos e zonas de morro com pedra, fazendo com que não houvesse alagamento e nem deslizamentos. Ou seja, é um real aparteid social, construindo fria e sistematicamente dentro da sociedade burguesa. 

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A imprensa burguesa sempre dá a notícia, como se o fato dos desabamentos na periferia fosse uma novidade ou tragédia ambiental. O que se sabe, é que ano que vem, sem nenhuma necessidade de estudo técnico, haverão desabamentos na periferia e uma setor da população pobre será massacrada. A culpa será de quem? Do aquecimento global? Das chuvas inesperadas? Sabemos que é uma culpa do estado capitalismo falido.   

Os Dados

O levantamento do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), fala que quase 4 mil pessoas já morreram por causa de deslizamentos de terra no Brasil nas últimas décadas. Pelas contas do instituto morreram 3.758 pessoas desde 1988 até 8 de fevereiro de 2022. As informações são duvidosas, visto que temos desabamentos todos os anos, com alto número de mortos. O próprio cálculo é deveras simplificado, pois existe todo um setor, que não morreu imediatamente, contudo pode ter perdido a vida alguns dias depois do deslizamento ou entrou em estado de miséria, que nada garante que permaneceram vivos por muito tempo. 

Contudo, se nos basearmos no Atlas Digital de Desastres no Brasil, houveram 18.551 ocorrências de inundações, enchentes, enxurradas e deslizamentos entre os anos de 1995 e 2019, resultando em 6,629 milhões de desabrigados e desalojados e 67,516 milhões de pessoas afetadas. Quando falamos em desabrigados já se fala em 3% da população, mas quando vamos adiante e vemos a quantidade de pessoas afetadas, esse número sobe absurdamente para a casa dos 33%. Ou seja, um terço da população brasileira sofre com este tipo de situação.

Para termos uma ideia monetária da situação,os danos materiais são calculados em quase R$ 60 bilhões. Nem foi considerado outros desastres, como incêndios florestais, onde os prejuízos são ainda maiores. 

Aqui evidencia-se um problema típico da população operária, pois não existe nenhuma evidência que isto ocorra em bairros de classe média ou pobre.

A Solucão

O conhecimento técnico sobre as regiões de risco não falta, e estudiosos da área afirmam: “A gente já tem mais de mil municípios com mapeamento de risco de áreas urbanas. Já tem os critérios, sabe onde tem risco alto e moderado, temos instrumentos para fazer sondagem do solo, só é preciso realizar as ações e os investimentos”, afirma o urbanista da Unifesp, Kazuo Nakano.

É no mínimo claro, que o problema nada tem a ver com o clima, precipitação de chuvas ou algo assim. Simplesmente é a falta de investimento do estado em um política genocida.

“Aqui na minha casa caía uma terra daqui, uma terra dali, pedra, mas nós sempre ficamos, porque não tínhamos para onde ir” Moradora da Chacára Flores em Petrópolis

Os relatos

Os relatos mostram o crime: Moradora da Chácara Flora, em Petrópolis, a dona de casa Nária Maria de Paulo, de 73 anos, fala que deixaria o lugar onde vive por medo de deslizamentos. “Aqui na minha casa caía uma terra daqui, uma terra dali, pedra, mas nós sempre ficamos, porque não tínhamos para onde ir”. É simplesmente uma falta de oportunidade que leva o povo à morte.

Na Servidão Frei Leão, área da cidade de Petrópolis, o pedreiro Osvaldo Valentim Filho, coloca uma situação real da classe trabalhadora: “Se a gente sair daqui, até falarem onde a gente vai ficar, como vai ser? É complicado, não tem outro lugar para ir.”

O Estado Real

Nos casos de 2022, governador genocida João Doria (PSDB) anunciou o repasse de R$ 3 milhões para a cidade de São Paulo, R$ 1 milhão para atender as vítimas e os outros R$ 2 milhões para recuperação da estrutura urbana. Segundos informações Doria gastou menos da metade do orçamento previsto para obra de infraestrutura e antienchente em todo o Estado de São Paulo no ano passado. Dos R$ 997 milhões aprovados pelos deputados estaduais, foram gastos R$ 453 milhões, ou seja, 45% do total. No ano anterior, o percentual de gastos em relação ao orçamento disponível foi ainda menor, 18% dos R$ 718 milhões de reais destinados para combater os problemas causados pelas enchentes. João Doria aqui se coloca como um dos principais genocidas da população de São Paulo.

Se nos basearmos nos dados que a prefeitura de Franco da Rocha disponibiliza, onde neste ano morreram 18 pessoas, 188 imóveis foram interditados sob risco de desabamento, sendo 62 na rua onde houve o deslizamento. Cerca de 560 pessoas estão desalojadas. 

Em um ato de cinismo, vindo de um Major do corpo de bombeiros ele pede:  “que as pessoas que moram em zona de risco sempre ficarem atentas a qualquer detalhe. Ficar atento com sinais de desabamento, como trincas, fissuras que podem aparecer na sua casa, postes, muros, árvores que saem do seu prumo normal. Esses são sinais de que o terreno está em constante movimentação e que podem colocar com a sua residência”. Só vindo de um orgão das forças repressivas do estado capitalista, fascistas por excelência, que poderíamos esperar uma coisa dessas.

Sem nenhuma perspectiva real, os moradores de encostas vivem e sobrevivem cada dia através de um sonho, de uma ilusão:  que no próximo verão suas casas não serão derrubadas, que não morrerão soterrados. Mas essa vontade no capitalismo é só mesmo um sonho, é a mesma ilusão de sempre. O fato real é que a classe operária vive diante da morte.

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O Diário Causa Operária atravessa um momento decisivo para o seu futuro. Vivemos tempos interessantes. Tempos de crise do capitalismo, de acirramento da luta de classes, de polarização política e social. Tempos de pandemia e de política genocida. Tempos de golpe de Estado e de rebelião popular. Tempos em que o fascismo levanta a cabeça e a esquerda revolucionária se desenvolve a olhos vistos. Não é exagero dizer que estamos na antessala de uma luta aberta entre a revolução e a contrarrevolução. 

A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

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