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Estatizar os bancos ja!

André Esteves confirma golpe de Estado contra Dilma Rousseff

Esteves explicou que “se tivesse que fazer uma analogia entre 1964, a coisa mais parecida foi o impeachment da Dilma”

André Esteves – BTG Pactual – Reprodução

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Por mais que setores da esquerda tentem negar e outros capitulam vergonhosamente diante do golpe de Estado de 2016, o caráter da derrubada do governo de Dilma Rousseff foi revelado de maneira cristalina em áudio vazado de suposta palestra ministrada por André Esteves. Para o banqueiro, tal processo é análogo ao golpe militar de 1964. Além de demonstrar como os bancos foram beneficiados com a destruição dos direitos e das condições de vida da população, aspectos econômicos importantes relacionaram o impeachment fraudulento contra a presidenta Dilma, o governo golpista de Michel Temer, o governo ilegítimo de Jair Bolsonaro, bem como, a terceira via e as eleições de 2022. 

O principal sócio do banco de investimentos, BTG Pactual – Banking and Trading Group Pactual, se apresenta como empresário ambientalista, uma demagogia muito comum neste setor como se vê nas propagandas do banco Itaú. Esteves é membro do Conselho da Conservação Internacional, uma organização não governamental, sediada em Washington – capital dos Estados Unidos, que atua em 40 países, principalmente da África e da América Latina, a pretexto de proteger a biodiversidade e até mesmo povos indígenas. Evidentemente que esse tipo de política se trata de uma isca para fisgar determinados setores da esquerda, se trata de uma falta de compreensão muito grande pensar que os interesses do homem que detém o sexto maior patrimônio do país, conforme traz a revista Forbes, se confundiriam às reivindicações gerais da população. 

Não é nenhum segredo a relação de André Esteves com atual ministro da economia. Paulo Guedes foi seu sócio no BTG Pactual, em ato falho, chegou até a anunciar o banqueiro como Secretário do Tesouro. As relações de Esteves não se restringem ao governo Bolsonaro, o banqueiro participou de um acordo junto ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para estabelecer um cronograma de Estado para entregar empresas públicas, as privatizações se tornaram a marca dos tucanos no governo federal.  

Para se ter ideia de sua influência na política institucional, o banqueiro chegou a relatar que o presidente da Câmara, Arthur Lira, ligou desesperado com a renúncia do Secretário do Tesouro e da ameaça de outros quatro membros. É bastante intrigante que André Esteves tenha sido preso na operação farsesca da Lava Jato, a qual se tornou um instrumento de perseguição política contra o ex-presidente Lula e Partido dos Trabalhadores.  

O golpe de Estado de 2016 foi uma conquista dos banqueiros 

A perseguição ao Partido dos Trabalhadores remonta o escândalo do Mensalão, a farsa jurídica iniciada em 2005, durante o primeiro governo de Lula, não foi suficiente para impedir sua reeleição em 2006 e tampouco o primeiro mandato de Dilma Rousseff em 2010. Ao final de 2013, José Dirceu (ministro da Casa Civil) e José Genoíno (presidente do partido) são condenados à prisão pelo Supremo Tribunal Federal. Mesmo diante das arbitrariedades dos ministros e das grosseiras controvérsias da Ação Penal 470, partidos de esquerda como PSOL foram grandes entusiastas da luta contra corrupção e defendiam uma ofensiva judicial contra o presidente Lula.  

No início de 2014, inicia-se uma nova farsa jurídica, a operação Lava Jato, que prenderia o ex-presidente Lula às vésperas das eleições de 2018. Apesar do grande desgaste produzido pela repercussão da imprensa burguesa, a presidenta Dilma Rousseff foi reeleita. Porém, o clima provocado pela campanha contra a realização da Copa do Mundo no Brasil, somado às mobilizações impulsionadas pela burguesia contra o governo Dilma, permitiram o golpe de estado em 2016. Neste sentido, cabe ressaltar que os partidos, PSOL e PCB, participaram da campanha “Não vai ter Copa” e contra o “ajuste fiscal” de Dilma sob a liderança de Guilherme Boulos. O PSTU fez ainda pior, participou das mobilizações da direita e extrema-direita contra o governo petista e sequer admite ter acontecido um golpe no país. 

Neste sentido, André Esteves durante a suposta palestra trata de aclarar os fatos não compreendidos pelo conjunto da esquerda, através de uma série de ofensas contra Dilma Rousseff e críticas a sua política econômica, ficou demonstrado a insatisfação em relação ao governo da presidenta Dilma. O banqueiro declarou “vivíamos uma confusão fiscal” e que “o governo perdeu a calculadora… se perdeu nas contas da cabeça econômica de Dilma, se é que podemos chamar de cabeça”. Era evidente que a presidenta Dilma estava sendo pressionada a realizar um ajuste fiscal e que o mesmo não atendia aos anseios dos banqueiros. Esteves afirma que questão econômica foi “corrigida” com o teto dos gastos já no governo de Michel Temer, medida que se tornou “constitucional” e considerada pelo banqueiro como uma “conquista da sociedade”. 

A mudança na política econômica bastaria para tirar as devidas conclusões sobre o golpe de 2016 conforme as declarações do banqueiro. Esteves explicou que “se tivesse que fazer uma analogia entre 1964, a coisa mais parecida foi o impeachment da Dilma” e completa “no dia 31 de março, não foi dado nenhum tiro, as crianças foram para escola e o mercado funcionou”. Segundo o banqueiro, “pelo caráter fisiológico há um desprezo em relação ao centrão”, mas diz não ter dúvidas “que este bloco político que manteve o Brasil republicano nos últimos 100 anos”. Além de confirmar o golpe de estado, estabelece o papel histórico do centro político na democracia burguesa. Isso confirma que a política de frente ampla defendida por setores de esquerda, interessa somente aos partidos da direita que foram os responsáveis pelo golpe de estado. 

Governo dos banqueiros contra os direitos da população 

O teto dos gastos públicos por 20 anos aprovado no governo golpista de Michel Temer foi um grande ataque as condições de vida, esta medida econômica que se tornou “constitucional” teve grandes impactos com a chegada da pandemia da COVID-19, o genocídio no país é resultado da falta de investimentos na saúde pública. Mas não foi somente isso, a destruição da previdência social aprovada no governo ilegítimo de Jair Bolsonaro foi outro enorme ataque contra os trabalhadores para entregar mais dinheiro aos maiores parasitas da sociedade, os banqueiros.  

No áudio, André Esteves fez grandes elogios ao ministro da economia, Paulo Guedes, segundo ele: “pela primeira vez na história houve diminuição de despesas primárias”. Também valorizou a atuação do STF que validou a autonomia do Banco Central. Enquanto os bancos drenam ainda mais orçamento público e tem seus lucros aumentados como resultado das altas na taxa de juros e na inflação, a população do país é cada vez mais arrastada para miséria e para a fome. 

O banqueiro diz não se preocupar com Auxílio Brasil, uma verdadeira esmola que utilizará recursos que seriam destinados ao extinto programa Bolsa Família e do calote nos precatórios dos aposentados e pensionistas, os pagamentos não alteram o teto dos gastos públicos e se encerram ao final de 2022. A única preocupação que expressou foi com relação a políticas como o auxílio referido por ele como “vale caminhoneiro”, ou seja, contra qualquer tipo de concessão que aumente as despesas do governo. 

Lula, Bolsonaro e a terceira via 

Sobre o próximo presidente do Brasil, André Esteves diz que “a sociedade não quer extremos” e que a “eleição vai ser decidida ao centro”, mas “não necessariamente por alguém de centro”. Para ele: “o vento não é de esquerda” e “o candidato que ocupar com legitimidade o centro, vai ganhar a eleição”. Neste caso, é preciso esclarecer que por “sociedade” deve-se entender “capitalistas”, a questão sobre o “centro” diz respeito a polarização que gera instabilidade para o controle da burguesia sobre o regime. No que se refere a “esquerda”, não será tolerada uma política de reversão aos ataques contra os direitos dos trabalhadores e às condições de vida da população. 

Apesar do banqueiro fazer críticas às relações comerciais do governo Bolsonaro, não descarta a possibilidade de Bolsonaro ser o candidato imediato da burguesia e diz que “se ficar calado, trazer novamente tranquilidade institucional para o establishment empresarial e financeiro, para classe média urbana, para os formadores de opinião. Acho que ele é favorito”. Esteves declara que os Estados Unidos é seu lugar preferido, mas que “a China é o nosso maior parceiro comercial e está há um mês sem comprar carne”. O problema não seria a política econômica do governo, muito pelo contrário, mas a questão ideológica de Bolsonaro, o banqueiro diz que “o terreno comercial mundial não é lugar para amadorismo e brincadeira fora de lugar”. Fica evidente o motivo da burguesia buscar alguém mais controlável para estar no governo, mas também que o predidente de extrema-direita continuará sendo uma opção para as eleições caso a terceira via não despontar.

Esteves considera que Lula “tem uma falsa baixa rejeição” e que a mesma deve se revelar “quando verem que é o Lula mesmo” o candidato, mas que a questão de sua candidatura é um problema de “CNPJ” e não de “CPF”. Para o banqueiro, o ex-presidente pode ser tolerado com discurso sobre o Meio Ambiente e Cultura e se colocar Henrique Meirelles no Ministério da Fazenda, além de ter Kassab como vice. O problema seria a “turma do PT”, em outras palavras, o compromisso político que Lula tem com as organizações de trabalhadores. Segundo Esteves, o ex-presidente Lula deve estar no segundo turno das eleições e destaca a importância da independência do Banco Central, que terá Roberto Campos como presidente por pelo menos 2 anos no próximo governo.

Em relação à terceira via, declarou que não vê problema em anunciar o candidato da burguesia às vésperas das eleições e que há meios de projetá-lo. O banqueiro revela que os candidatos favoritos da burguesia terceira via seriam os governadores de São Paulo, João Doria, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. A preferência pelos tucanos justificada pelos “bons governos”, o que é um absurdo muito grande, revela que o PSDB é o principal partido da burguesia imperialista e golpista, ambos realizam grandes privatizações, reformas administrativas, além de verdadeiros genocídios em seus estados e ainda apoiaram a eleição de Jair Bolsonaro na fraude de 2018. Apesar de destacar Leite como “produto eleitoral com mais novidades”, certamente por ser homossexual e da confusão que o identitarismo promove no campo da esquerda, as prévias do PSDB elegeram Doria como candidato à presidência em 2022.

Fora banqueiros, por um governo dos trabalhadores! 

As declarações de André Esteves desnudam a influência dos bancos sobre a política institucional, a relação com presidente com presidente da Câmara, o interesse no teto dos gastos públicos, o caráter histórico do centro político, a insatisfação com a política econômica do governo Dilma, as enormes vantagens que garantiram os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro. A defesa de governos criminosos como de João Doria demonstra os interesses em aprofundar esta política de assalto aos cofres públicos e de morte contra a população. Esses bandidos chamam de conquistas o genocídio de mais 600 mil pessoas, o trabalho até a morte, a explosão do desemprego, da miséria e da fome. 

Para garantir as condições materiais de vida e colocar fim à exploração capitalista é preciso derrotar o golpe de estado no país, estatizar todo sistema financeiro nacional e criar um único banco público com a expropriação de todos os bancos. É preciso que o movimento operário ocupe as ruas de todo país para exigir o fim do governo Bolsonaro e defender uma candidatura independente da burguesia com Lula presidente. Por um governo dos trabalhadores da cidade e do campo, um Congresso do Povo e uma Nova Constituinte.  

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A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

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