Lula candidato
Reportagem publicada pela revista Piauí demonstra o conluio entre o STF e o Alto Comando das Forças Armadas. Toffoli prometeu a Villas-Bôas manter Lula preso até o término do processo eleitoral de 2018.

Por: Redação do Diário Causa Operária

Uma reportagem da Revista Piauí comprova, mais uma vez, que a prisão política do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT), na véspera das eleições presidenciais de 2018, seguida da cassação de sua candidatura, foi obra de um conluio entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Alto Comando das Forças Armadas.

No episódio do julgamento do habeas corpus do ex-presidente pelo STF, em 2018, o Alto Comando das Forças Armadas, por meio do general Villas Boas, publicou no Twitter mensagens ameaçadoras. Os militares insinuavam que estavam dispostos a dar um golpe de Estado, caso Lula fosse posto em liberdade. Os generais deixaram claro que poderiam iniciar um banho de sangue pior do que 1964.

Dias Toffoli, na época presidente da Corte, se reuniu com o general de Exército Villas Bôas e prometeu que manteria Lula preso até depois do término do processo eleitoral. Além disso, Toffoli prometeu que não haveria alteração na Lei de Anistia. Os militares se opõem a qualquer tentativa de revisão da Lei de Anistia, aprovada pelos próprios para se eximirem de responsabilização penal pelos milhares de assassinatos políticos, torturas, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres. Na ditadura, os órgãos de repressão – DOPS, DOI-CODI, Operação Bandeirantes, Polícia Militar, Polícia Federal, Forças Armadas – atuaram com o objetivo de exterminar completamente a esquerda.

A condenação fraudulenta de Lula pela Operação Lava Jato foi uma maneira de impedi-lo de participar e vencer as eleições presidenciais de 2018. Os golpistas não podiam permitir que o Partido dos Trabalhadores (PT), cujo governo fora derrubado em 2016, fosse eleito pela maioria da população brasileira em 2018. Com essa finalidade, uma conspiração foi organizada por dentro das instituições políticas do Estado. O Supremo Tribunal Federal, as Forças Armadas, o Poder Judiciário, os partidos burgueses no Congresso Nacional (PSDB, DEM, MDB, Progressistas, PTB, Republicanos), a imprensa capitalista (Rede Globo, Folha, Estadão, O Globo), a Federação das Indústrias dos Estado de São Paulo (Fiesp), sob a direta orientação e colaboração do imperialismo norte-americano conspiraram para impedir a volta do PT ao governo federal e colocar Jair Bolsonaro na presidência da República.

A anulação das sentenças contra Lula no âmbito da Operação Lava Jato de Curitiba, determinada pelo ministro Edson Fachin, restituiu os direitos políticos do ex-presidente. A medida impactou profundamente o cenário político nacional e foi muito noticiada em âmbito internacional. Todos os partidos políticos, da extrema-direita até a esquerda, se manifestaram. Os jornais burgueses se apressaram em pedir a condenação de Lula em outros processos. Os conspiradores da Operação Lava Jato soltaram nota contra a restituição dos direitos políticos do político mais popular do país.

Sabe-se que a medida de Fachin visa salvar a Operação Lava Jato da completa desmoralização. As mensagens trocadas entre os procuradores pelo aplicativo Telegram revelam uma conspiração para prender Lula, interferir no processo eleitoral, atacar o Partido dos Trabalhadores e destruir setores da economia nacional. Fachin remeteu os processos fraudulentos contra Lula para Brasília. É evidente que se trata de tirar os holofotes dos crimes da Lava Jato para silenciar o debate público sobre as fraudes processuais e condenações forjadas para perseguir o ex-presidente.

A burguesia não está disposta a aceitar uma eleição de Lula.O propósito é garantir que ele não possa, de fato, participar das eleições presidenciais de 2022. As pesquisas indicam Lula com mais de 50% do potencial de votos, único candidato capaz de derrotar Jair Bolsonaro em uma disputa eleitoral.

A candidatura de Lula é uma arma da classe trabalhadora para derrotar os golpistas. É um meio dos trabalhadores avançarem na luta pelo poder político. Lula tem ampla base social e se alicerça nos movimentos sociais, nos sindicatos e na Central Única dos Trabalhadores (CUT). Suas bases sociais e eleitorais se concentram, principalmente, na população operária.

Os trabalhadores não podem ter ilusões de que o regime golpista vai aceitar a candidatura de Lula sem uma ampla mobilização popular que pressione as instituições. A conspiração das instituições políticas do Estado comprova que é uma questão-chave para a direita a retirada de Lula das eleições e a derrota do PT. A medida de Fachin é uma forma de tentar reiniciar os processos fraudulentos contra Lula.

Nas ruas, a população oprimida deve impor a candidatura presidencial de Lula como um fato consumado. É preciso impedir que aconteçam mais manobras institucionais no sentido de impedir a expressão da vontade popular. Não se pode permitir que as instituições do Estado violem os direitos democráticos do povo e o impeça de votar livremente em quem desejar. Não faz sentido chamar de “democracia” um regime político onde a Suprema Corte articula com as Forças Armadas a condenação do político mais popular do país em meio ao processo eleitoral, onde o povo deve se expressar para decidir os rumos da nação.

 

 

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