Documento revela
Unidade britânica de propaganda antissoviética financiou a expansão da maior agência de notícias do mundo para o Oriente Médio e a América Latina
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Prédio da Reuters em Manhatan, Nova Iorque. Foto: Wikimedia Commons |

A Reuters foi financiada secretamente pelo governo britânico nas décadas de 1960 e 1970 para espalhar propaganda imperialista pelo mundo. É o que revela um documento secreto tornado público ano passado. O esquema para ocultar o financiamento por meio da BBC foi montado a pedido de uma unidade de propaganda antissoviética ligada ao serviço de espionagem, conforme mostra uma reportagem da BBC publicada segunda-feira (12). O dinheiro foi usado pela Reuters para expandir suas atividades no Oriente Médio e na América Latina.

Esse fato mostra como a imprensa burguesa, enquanto se apresenta como imparcial, está intimamente ligada aos interesses dos capitalistas mais poderosos. Por meio de grandes agências como a Reuters o imperialismo organiza sua política em todo o mundo, orientando seus lacaios e fazendo propaganda a favor de sua política disfarçada no meio das informações levantadas por uma vasta rede de jornalistas.

Quando se fala em fake news (“notícias falsas”) o objetivo é justamente preservar o poder político dos grandes monopólios da informação. Por menor que seja a imprensa independente, sem financiamento de grandes capitalistas, a expressão de opiniões divergentes da propaganda da imprensa burguesa ameaça romper o cerco criado por uma imprensa golpista e comprometida com a enganação generalizada do povo. No entanto, enquanto usam a cínica campanha das fake news para procurar estabelecer algum tipo de censura, é a própria imprensa burguesa que tem como atividade política principal espalhar mentiras para confundir telespectadores, ouvintes e leitores em favor dos poderosos.

A denúncia de que a Reuters foi financiada por espiões encarregados de fazer propaganda antissoviética ajuda a explicar o mecanismo de difusão de campanha contra determinados governos de países atrasados nos dias de hoje. BBC e Reuters negam que um financiamento como esse poderia acontecer hoje, alegando que contrariaria seus “princípios”.

No entanto, basta olhar como os grandes monopólios das comunicações internacionais cobriram eventos como os golpes na Ucrânia e no Iraque, entre inúmeros outros exemplos, para identificar imediatamente o alinhamento da imprensa dos países imperialistas aos interesses do imperialismo no mundo. A máquina de propaganda funciona a todo vapor a serviço dos interesses dos grandes monopólios internacionais e de sua dominação sobre os países atrasados e do controle sobre setores inteiros da economia.

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