“Retaguarda jurídica”: em enterro de militar no Rio, Bolsonaro defende o massacre da população

O candidato a presidência da república, Jair Bolsonaro (PSL)

Da redação – O candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro (PSL), reafirmou enquanto participava do enterro de um dos dois militares mortos nas operações golpistas nas comunidades do Rio de Janeiro, que é preciso uma lei que garanta uma “retaguarda jurídica” para que os militares possam matar à vontade. A referência do fascista se da por conta de os militares que matam – ou no caso do argumento dele, os que apenas atiram -, serem submetidos a julgamento para investigar as causas, os porquês, de haver o disparo em cada situação. Resumindo, Bolsonaro quer que seja garantido o direito aos militares, treinados pela burguesia, defensores dos golpistas contra o povo, que batem em grevistas, professores, em todos os estados, de matar sem controle.

Não é a primeira vez que o boçal afirma isso, e, junto as mudanças nas leis referentes ao julgamento de militares por tribunais militares, demonstram a intenção dessa extrema-direta com o golpe contra os trabalhadores: matar a população pobre, negra e submeter a maioria do povo à escravidão ditatorial em um Estado Policial. Além disso, com as últimas declarações de Geraldo Alckmin, outro candidato e alternativa da burguesia param o poder – dependendo do nível de crise -, sobre a criação de uma Guarda Nacional permanente, só reafirmam a preocupação com a crise do atual regime e das eleições em meio ao golpe.

Poucos são os dados divulgados a respeito das operações militares realizadas durante a atual intervenção federal no Rio de Janeiro. Até o momento, o que se sabe é que vários civis morrem todos os dias em decorrência da ação violenta por parte de policiais militares e das próprias Forças Armadas, incluindo a vítima mais famosa de que temos notícia, a então vereadora da capital carioca, Marielle Franco.

Na última segunda-feira, dia 20, os dois militares foram baleados e mortos no complexo de favelas do Alemão, da Penha e da Maré, zona norte do Rio, onde 4 mil homens estão envolvidos na opressão ao povo. Foram os primeiros integrantes do Exército a serem afetados num tiroteio envolvendo civis, sendo que neste em especial ao menos quatro civis também saíram mortos. Ao tomar conhecimento do fato, o candidato de extrema direita à Presidência da República, Jair Bolsonaro, alterou sua agenda de campanha para comparecer em um dos enterros dos soldados e dizer que quando for presidente “resolverá” a situação.

Sabe-se que o candidato, capitão reformado do Exército, não pretende compreender as razões dos conflitos do Estado com a população civil para solucionar os problemas sociais de sobrevivência do povo pobre da periferia, mas arrumar meios de massacrá-lo ainda mais. Num cenário como este, em que Lula (PT) lidera absoluto as intenções de voto para as eleições deste ano mesmo preso, a imprensa burguesa manipula informações para dar a entender que os tiroteios nas favelas do Rio são um mal necessário e que os militares morreram defendendo a paz social, o que não é verdade. A intervenção federal naquele estado só trouxe mais opressão e miséria à população, e deve ser encarada como uma medida estratégica dos golpistas para controlar a revolta popular contra as políticas neoliberais que vêm sendo por eles implementadas.