“A farsa da fraude”: golpistas tentam esconder que estão fraudando as eleições

Adesivos de apoio ao ex-presidente Lula em Porto Alegre (RS)

Às 2h da madrugada do dia 16 de agosto de 2018, o jornal Folha de S. Paulo publicou mais um editorial para atacar os setores que lutam contra o golpe. Denominado “A farsa da fraude”, o editorial se dedica a atacar a palavra de ordem de “eleições sem Lula é fraude”, apontando que o PT estaria contando uma farsa ao denunciar a perseguição ao ex-presidente Lula.

O editorial começa caracterizando o Partido dos Trabalhadores (PT) como um partido que sempre quis ser “antissistema”, o que seria um comportamento “infantil” e populista, cujo objetivo fundamental seria ganhar votos. O PT, no entanto, não é um partido “antissistema”: é um partido que possui uma base e um eleitorado que abrange vários setores da classe trabalhadora. Na medida em que o imperialismo aumenta sua ofensiva contra os trabalhadores em todo o mundo, é natural que a base do PT se radicalize e caminhe rumo à destruição do Regime Político.

Os embates com a burguesia que o PT é levado a ter por causa de sua base não são, portanto, uma tática eleitoral, mas sim a consequência do próprio esmagamento da classe trabalhadora pelo imperialismo.

Em seu terceiro parágrafo, o editorial aponta para outra ideia absurda. Segundo o texto, as “lideranças partidárias” estariam realizando atos hostis ao “status quo institucional”. No entanto, não existe statos quo institucional: as instituições foram definitivamente destruídas com o impeachment de Dilma Rousseff.  Esperar que os dirigentes políticos do PT nunca lutem contra as instituições é, no mínimo, hipócrita.

As babaquices iniciais do editorial da Folha de S. Paulo culminam em seu argumento principal, que aparece no meio do texto. Segundo o jornal golpista, “criticar uma condenação é algo normal – nenhum réu é obrigado a concordar com os argumentos do juiz que o sentenciou. Precisa apenas cumprir sua decisão”. Contudo, “diferente é apregoar que ‘eleição sem Lula é fraude’ e, embalado nesse slogan, marchar rumo ao Tribunal Superior Eleitoral”.

Em resumo, a Folha de S. Paulo, mesmo admitindo que criticar uma condenação seja aceitável, proíbe que a população se manifeste quando a condenação for arbitrária. Não há diferença aqui entre a postura do jornal golpista ou qualquer ditadura pró-imperialista, que proíbe que os trabalhadores se manifestem mesmo tendo seus direitos rasgados.

Eleição sem Lula é fraude sim, como já foi comprovado exaustivamente. As condenações em primeira e segunda instância são uma farsa – não foi apresentada qualquer prova, embora Lula seja investigado e perseguido diariamente há cinco anos. Mesmo a condenação sendo uma farsa, a prisão do ex-presidente é anticonstitucional, uma vez que ele ainda não foi julgado em terceira instância. Mesmo condenado e preso injustamente, Lula tem ainda seu direito de ser candidato resguardado – afinal, a Constituição não proíbe a participação de candidatos condenados em segunda instância.

Uma eleição fraudulenta não é um crime contra uma pessoa – é um crime contra os direitos democráticos de toda a população. Por isso, não há nada mais justo que o direito de denunciar a fraude, marchar contra ela e boicotá-la se for necessário. Se Lula não for candidato, seja pelo motivo que for, significará a exclusão de mais da metade das eleições. Por isso, nada além de Lula pode ser aceito pelos trabalhadores. Queira a Folha de S. Paulo ou não.