Responder os atentados da extrema-direita com a mobilização contra o golpe

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Diante de toda capitulação política da esquerda que abandonou a luta contra o golpe, as mobilizações de rua e a organização em comitês de luta para apostar suas fichas em eleições absurdamente fraudadas, demonstrando as ilusões eleitorais da esquerda na chamada democracia em pleno golpe de Estado, a extrema-direita está tomando conta das ruas. A cada dia aparecem denúncias de agressões da extrema-direita contra a população. Com a fraude que colocou setores da extrema-direita em posições importantes do regime político, tanto no legislativo como, ao que tudo indica, no executivo, por meio não só da muito provável vitória de Bolsonaro para presidente, quanto da vitória de governadores como o latifundiário Ronaldo Caiado, no estado de Goiás.

Todo um setor da burguesia se reuniu em torno da candidatura de Bolsonaro, estimulando os setores mais reacionários da sociedade a saírem do armário, agredindo militantes de esquerda, homossexuais, negros, nordestinos e assim por diante. É preciso dizer que isso se dá por conta do próprio desenvolvimento e crise do golpe de Estado, que para ser mais efetivo no à esquerda e as organizações operárias teve de se radicalizar, aproveitando o abandono das ruas pela esquerda no período eleitoral.

A direita fraudou as eleições para levar uma imensa bancada de extrema-direita. O PSL, partido de Bolsonaro, teve a segunda maior bancada da Câmara, que junto com o DEM, o PSDB e outros partidos formam um dos congressos mais reacionários que o Brasil já teve.

Em todos os lugares, tanto para deputado estadual quanto para federal, os candidatos mais votados foram os da extrema-direita. Eduardo Bolsonaro, policial filho de Jair Bolsonaro, foi o deputado federal mais votado da história, assim como Janaína Pascoal, uma das principais cabeças do impeachment e da extrema-direita brasileira, foi a deputada mais votada para deputada estadual de São Paulo, obtendo mais de 2 milhões de votos nas urnas fraudadas da burguesia, que obviamente usa esse fato para inventar uma realidade onde a população teria apoiado o impeachment da Dilma.

Com toda essa conjuntura, a extrema-direita e os fascistas têm organizado uma série de atentados contra a população. Um levantamento do jornal A pública revelou que em 10 dias os Bolsonaristas cometeram pelo menos 50 agressões, isto é, do que se sabe, a cada dia ocorre ao menos cinco agressões de bolsonaristas em todo país.

“Foi muito rápido, senti a roda como se estivesse me puxando, simplesmente caí no chão”, disse o jornalista que foi atropelado por um fascista por estar portando uma camiseta vermelha do Lula. “Era um homem e uma mulher, segundo meus amigos. Ele estava com uma camiseta do Brasil. Pararam do lado do carro e perguntaram se era ele que tinha me atropelado. Relataram que ele abaixou o vidro e de forma bem fria fez um gesto de quem vai pegar algo no console, dizendo ‘eu tenho uma surpresinha aqui para vocês’”, disse o homem, que foi orientado pela polícia a fazer um Boletim de Ocorrência na delegacia. O jornalista relata que no computador da escrivã na delegacia, constava adesivos de Bolsonaro. Fica então claro que a polícia não iria resolver o problema pois estava alinhada com os bolsonaristas que cometeram o atentado, da mesma forma que o delegado do Rio Grande do Sul que declarou que a suástica cravada na barriga de uma mulher por um apoiador de Bolsonaro era, na verdade, um símbolo budista.

Tudo isso e mais diversos casos relatados no site, como o de uma jornalista que teve uma faca grudada ao seu pescoço revelam a agressividade da extrema-direita.

É preciso que os trabalhadores tenham consciência de que é necessário reagir a estes ataques. Não de forma anárquica, mas de uma forma organizada, por meio de comitês populares, de luta contra o golpe e de autodefesa, que reajam à extrema-direita nas ruas de maneira a não permitir os fascistas de chocadeira se desenvolvam. Só através da mobilização popular contra o golpe será possível derrotar os direitistas.