APEOESP decidiu
Reunião com 600 conselheiros de todo o Estado de São Paulo, rejeitou política de conciliação com a direita, adotada por boa parte da esquerda, e votou pelo fim do governo ilegítimo
SP - GREVE/PROFESSORES/PASSEATA - GERAL - Professores da rede estadual paulista de ensino chegam ‡ PraÁa da Rep˙blica, onde fica a   sede da Secretaria de EducaÁ„o, apÛs terem saÌdo em passeata do v„o livre do Masp, na   Avenida Paulista, em S„o Paulo, na tarde desta sexta-feira (20). Depois de assembleia do   sindicato (Apeoesp), a categoria decidiu pela continuidade da greve.    20/03/2015 - Foto: LUIS CLEBER/ESTAD√O CONTE⁄DO
Assembleia do professores paulistas - foto de arquivo |

O maior Sindicato do País e da América Latina, o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP), realizou no último sábado (18)a maior reunião da atual etapa em que parte da população se vê colocada em isolamento (“quarentena”) e quando a imensa maioria das direções organizações sindicais, simplesmente fecharam suas portas e deixaram de lado qualquer atividade real em favor dos trabalhadores que dizem representar.

O evento virtual, foi a reunião extraordinária do Conselho Estadual de Representante (CER) da APEOESP e contou com a participação de cerca de 600 conselheiros estaduais das 92 subsedes do Sindicato (cerca de 75% do total), espalhadas por todas as regiões do Estado, que se debruçaram sobre a situação política, os problemas enfrentados pela categoria diante da pandemia e sobre as eleições para a diretoria, inicialmente marcadas pada o começo de junho próximo.

 

A política reacionária da esquerda pequeno burguesa

 

Na primeira parte da reunião, pela manhã, realizou-se uma palestra com a participação de dirigentes do PT, o ex-ministro Aloizio Mercadante, do PSOL, Guilherme Boulos, e do MST, Gilmar Mauro; seguida de uma dúzia de intervenções, durante o que ficou evidente a ausência da parte da maioria da esquerda de uma política independente da burguesia, que sirva para mobilizar os professores e o conjunto dos trabalhadores, uma vez que apenas expressam a política de apoiar a política da maioria da direita golpista: o isolamento como medida fundamental para conter a pandemia (sem considerar que seja essenciais outras medidas como os testes em massa, distribuição de equipamento e produtos de limpeza e higiene, intervenção nas empresas privadas para produção de equipamentos etc.) e esperar que as medidas dos governos (que nada fazem) resolva a situação.

Ao invés de propor a mobilização contra Bolsonaro e demais governos de direita, como Dória (PSDB-SP), os palestrantes se empenharam em apresentar como uma “vitória” – “derrotamos os R$ 200”, afirmou Mercadante – a aprovação da esmola de R$ 600 para os sem renda (que a imensa maioria não está conseguindo receber) ou se dedicaram a falar sobre o futuro pós-pandemia, “o mundo não será o mesmo”, assinalou Boulos; defenderam genericamente a saída de Bolsonaro, para o que apontaram que  a “oposição tem que fazer um acordo” (Boulos), o que significaria que seria preciso chegar a um entendimento com o os golpistas que detém a maioria no Congresso Nacional, como o DEM (de Rodrigo Maia, Mandetta, Alcolumbre, Caidado etc.) e o PSDB (de João Dória, FHC, Alckmin eetc.), entre outros, inimigos do povo e que ajudaram a eleger Bolsonaro e não querem, por hora, a sua saída.

Defendendo o “fora Bolsonaro”, Gilmar Mauro, do MST, falou da necessidade dos professores “romper com formato tradicional”. De conjunto, todos deixaram de lado, qualquer possibilidade de que os trabalhadores, por meio de suas organizações de luta se mobilizem (pelos meios que forem necessários), com um programa próprio para derrubar Bolsonaro e toda a direita. De modos distintos, se curvaram à idéia, da direita, dominante na esquerda de o momento é de “união” e solidariedade”, o que – de modo nenhum – existe na política de ataque contra os trabalhadores por parte de todos os governos da direita, do Congresso Nacional, do Judiciário e toda a burguesia golpista, que estão aproveitando a pandemia para promover um genocídio de parcelas da populacho pobre, reduzir salários, cortar gastos com a Educação, aumentar a repressão e tudo mais que eles desejam, na crise e fora dela.

Mostrando o caráter reacionário da política da esquerda, ao serem questionados sobre a política de conciliação com a direita por parte da esquerda, expressa – por exemplo – na conduta do deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) que fez campanha pela permanência de Mandetta no Ministério da Saúde (com a #ficamandetta), o ex-ministro Mercadante “explicou” que o parlamentar era candidato a prefeito do Rio e que tinha dificuldades de penetração em certas áreas da cidade dominada pelas milicos e pela direita e que, por isso, buscava com o apoio à Mandetta se aproximar desses setores. Ou seja, vale tudo para tentar ganhar as eleições, inclusive, se juntar à direita, aos genocidas do povo brasileiro, defensores da saúde privada, à “oposição” (de mentirinha) a Bolsonaro… para tentar ganhar uns votinhos.

 

Importantes decisões

 

Reagindo aos duros ataques que os professores e toda população vem sofrendo do governo direitista de Dória, que alguns esquerdistas querem como aliado contra Bolsonaro, a maioria dos conselheiros aprovou na parte da tarde umcojunto de propostas que apontam no sentido oposto ao da maioria da burocracia sindical que – neste momento – encontra-se paralisada, curvando-se à política de “união nacional” e de que não é possível mobilizar os trabalhadores, com o que deixam os trabalhadores entregues à própria sorte, inclusive, fechando as portas dos sindicatos e não adotando qualquer medidas em defesa dos trabalhadores; inclusive, dos milhões que continuam tendo que sair todos os dias para trabalharem, sem quaisquer medidas de proteção e segurança frente à pandemia (metroviários, correios, motoristas, supermercados, fábricas etc.)

A reunião do CER delibeou realizar campanhas contra o golpe do Ensino à Distância, com o qual os governos de Covas (prefeitura de São Paulo) e Dória (ambos do PSDB), estão buscando atacar os trabalhadores da Educação e os estudantes; tirando proveito da situação para atacar o ensino público. Foi aprovado um conjunto de reivindicações como a defesa do pagamento dos professores temporários e substitutos; da merenda escolar (ou valor equivalente) para todos os 3,7 milhões de alunos da rede estadual; a suspensão do ENEM e dos vestibulares; a realização de testes em massa e distribuição de equipamento de proteção, limpeza e higiene para toda a população etc.

A decisão mais importante do dia ficou para o final da reunião, já no começo da noite, com os conselheiros aprovando por mais de 95% dos votos que a APEOESP se posicione pelo “Fora Bolsonaro”; o que foi alvo de um intenso debate, e uma votação que rejeitou a fórmula do proposta por setores do PSOL, de “Fora Bolsonaro/Mourão”, que evidencia a tentativa de apontar uma politica de acordo com setores da “oposição”, ou seja, da direita, que não se oporiam à uma formula golpista que levasse ao comando do governo, por exemplo, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), o terceiro na linha sucessória.

Os militantes de Educadores em Luta/PCO na APEOESP defenderam a fórmula aprovada, apontando a necessidade da defesa de novas eleições, eleições gerais, para impor uma derrota ao conjunto do regime golpista e destacaram a importância de que a APEOESP reivindique da Central Única dos Trabalhadores (CUT), maior organização dos trabalhadores do País, à qual a APEOESP é filiada, que convoque uma Plenária das organizações de luta dos trabalhadores, da esquerda, para ter um programa próprio, evitando ficar à reboque dos governos estaduais e municipais inimigos do povo, destruidores da Saúde pública; destruidores das condições de vida e a favor de “socorrer”os bancos.

Na reunião foi aprovado também o adiamento das eleições sindicais – para depois do fim da quarentena, com a volta às aulas – como forma de garantir a participação da categoria no processo, com o que a APEOESP adotou uma posição democrática elementar que é não realizar o processo eleitoral sem a possibilidade de participação da categoria, como vem fazendo o Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Munício de São Paulo (Sinpeem), cuja diretoria – presidida por um vereador da base tucana, Cláudio Fonseca – resolver manter o processo com as inscrições de chapas se encerrando no próximo dia 22, em plena pandemia e no dia seguinte a um fim de semana prolongado pelo feriado, no mais puro golpismo.
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