Até 6 trilhões de dólares
Diante da derrocada, a solução encontrada pelos governos burgueses é dar mais dinheiro para os capitalistas. A conta fica para os trabalhadores.
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Foto: Arquivo DCO. |

A solução encontrada pelos governos burgueses diante da crise econômica, impulsionada pela pandemia do coronavírus, não é nova. Assim como aconteceu na crise de 2008, a solução proposta por estes governos é salvar os grandes capitalistas. O principal, na visão destes governos, é garantir que grandes empresas continuem emitindo altos dividendos para os acionistas e bônus milionários aos executivos.

Nos EUA estima-se que o governo irá lançar um programa de resgate das grandes empresas no valor de 6 trilhões de dólares. A proposta tem como objetivo a recompra de ações por parte das empresas, mantendo o preço dessas ações no mercado de capitais artificialmente alto. Um dos principais favorecidos desse programa será o investidor Warren Buffett, o qual é acionista majoritário de várias companhias aéreas e famoso por se um dos homens mais ricos do mundo. Neste cenário, fica fácil manter o discurso de mão invisível do mercado. Não há como perder. Caso a empresa se endivide muito, seja gerida de forma desastrosa ou sacrifique os trabalhadores para promover a especulação financeira, sempre haverá um governo muito interessado em retirar o dinheiro da classe trabalhadora para salvar essas empresas. Essa é a mão invisível do mercado: bate a carteira dos trabalhadores para manter os benefícios dos ricos.

Diferente do pensamento fraudulento divulgado pela grande mídia, tanto no Brasil quanto no resto do mundo, a crise capitalista de 2008 não foi superada. Longe disso, os efeitos da derrocada capitalista ficaram ainda mais evidentes com a pandemia global do coronavírus. A crise epidemiológica mostrou o quão frágil são as economias globais, mesmo dos países imperialistas. Países como a Itália e a Espanha mostraram o quão frágeis são os governos burgueses na implementação de medidas adequadas contra a crise. Nos países de capitalismo atrasado, como o Brasil, a salvaguarda das grandes empresas e bancos já está sendo implementada, e o efeito que causará aos trabalhadores será ainda mais devastador.

Um cenário desolador, mas não inesperado para a classe trabalhadora de todo o mundo. O incentivo dado aos grandes capitalistas não protege os trabalhadores do desemprego. O único objetivo dessas ações é garantir que os setores dominantes da economia global mantenham seus privilégios e que passem por essa crise da forma mais “indolor” possível, mesmo que para isso os trabalhadores morram de fome. Estima-se que a crise irá provocar um aumento de até 25 milhões de desempregados no mundo. No Brasil, os cálculos mais otimistas apontam para 5 milhões.

A esquerda não pode ficar a reboque dos governos burgueses. As prioridades desses governos já ficaram claras, e dentre elas, não está na pauta como solucionar a situação da classe trabalhadora.

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