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Terror contra a população
Repressão policial é política
Uma política deliberada dos golpistas para obrigar a população a aceitar na marra as políticas da direita
wilson witzel
Terror contra a população
Repressão policial é política
Uma política deliberada dos golpistas para obrigar a população a aceitar na marra as políticas da direita
Witzel participa da Cerimônia de transmissão do Comando Geral da PM. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
wilson witzel
Witzel participa da Cerimônia de transmissão do Comando Geral da PM. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A direita sempre defendeu mais repressão no “combate à criminalidade”. Trata-se de um pretexto. O motivo para mais repressão é político. A polícia está a serviço dos donos do Estado, a burguesia, e sua função é esmagar a população pobre e trabalhadora para garantir os interesses da classe dominante. Quanto maior é a crise dessa dominação, e mais perigosa se torna a situação do regime político como um todo, mais aumenta essa repressão para conter a revolta popular. Esse é o sentido da violência policial cada vez mais brutal contra negros e pobres.

Na última sexta-feira (dia 20), uma menina de oito anos foi assassinada no Rio de Janeiro. Ágatha Félix foi atingida por um tiro de fuzil, ao lado da mãe, quando entrava em uma kombi. O caso provocou protestos no Complexo do Alemão, onde a menina morava e foi assassinada. A comunidade é alvo de ações violentas da polícia constantemente. Em entrevista à imprensa burguesa na terça-feira (24), os pais de Ágatha fizeram um apelo ao governador, Wilson Witzel: “muda essa política de atirar”.

No entanto, Witzel, que só se pronunciou sobre o caso na segunda-feira, três dias depois do assassinato de Ágatha, não vai parar com a política de atirar. No mesmo dia em que os pais faziam esse apelo, Witzel publicava no Diário Oficial um decreto que retirava a redução da letalidade policial das metas da polícia. A política de Witzel é atirar mais, como ele demonstra com suas palavras e ações espetaculares de propaganda. O resultado são 1249 mortos até agosto. O primeiro trimestre de 2019 foi o trimestre com maior número de vítimas da polícia da história no Rio de Janeiro, com 434 mortos. Em julho, outro recorde: com 194 mortos, foi o mês em que a polícia mais matou na história do estado governado por Witzel.

No estado de São Paulo, governado há décadas pelos tucanos do PSDB, a realidade não é muito diferente. No primeiro trimestre do ano foram 414 pessoas mortas pela polícia de João Doria. Uma reportagem do sítio UOL (“Policiais são responsáveis por 1 a cada 3 mortes violentas na cidade de SP”, 24/9/2019) mostrou que das 581 mortes violentas na cidade de São Paulo no primeiro semestre, 197, uma em cada três, foram de autoria da polícia.

Na esfera federal, com o golpista ilegítimo Jair Bolsonaro à frente do governo, o programa também é mais repressão e violência para esmagar o povo. O golpista sempre afirmou que “bandido bom é bandido morto”, no que é imitado por Witzel. Seu ministro da Justiça, Sérgio Moro, por meio do chamado “pacote anti-crime”, quer introduzir uma verdadeira permissão para matar para os policiais. Seja no Rio de Janeiro, São Paulo ou no Brasil todo, o plano dos governos de direita é atirar mais na população.

Nada disso é acidental. A extrema-direita chegou ao governo graças a uma fraude, que se seguiu a um golpe de Estado. Em condições normais, a direita não conseguiria votos, e por isso precisa frequentemente dar golpes. O problema é que, apesar de toda a manobra para apresentar o governo como se fosse legítimo, ele já aparece diante de toda a população como extremamente impopular. Os trabalhadores rejeitam o programa destrutivo da direita golpista, que ataca direitos, salários e destrói o patrimônio nacional. De modo que só resta à direita reprimir amplos setores da população, para impor seu programa pela força.

Por isso o já tradicional terror contra os pobres torna-se ainda mais intenso a cada dia. O terror é uma política deliberada dos golpistas para obrigar a população a aceitar na marra as políticas da direita de destruição da economia nacional e das suas já precárias condições de vida. Tudo para servir aos interesses e vorazes apetites dos grandes monopólios “nacionais” e estrangeiros, principalmente norte-americanos.