Repressão na França de Macron: terror contra os trabalhadores e polícia para suas crianças

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Este jornal vem anunciando há meses a crise política do regime francês, o governo do presidente Emmanuel Macron se encontra em um momento difícil, em meio a um clima de total impopularidade diante do povo francês. Por isso, para sustentar o regime, o governo francês precisa impor uma política de total terror e repressão contra os trabalhadores, pois apenas desta forma consegue-se segurar as manifestações do povo contra o governo. A impopularidade de Macron chegou ao ponto em que tanto as categorias mais avançadas politicamente, como os professores e os estudantes, quanto categorias mais atrasadas, como as camareiras de hotel, estão se mobilizando e realizando diversas greves no país.

No início do ano, os trabalhadores da Sociedade Nacional das Ferrovias (SNCF, na sigla francesa) realizaram uma importante greve, que afetou de maneira dura a burguesia francesa. Mas como era de se esperar com o governo de Macron, o clima que se criou na empresa é de total terror contra os trabalhadores. Na segunda-feira (22/10), o Conselho de Estado, um órgão do governo, acabou com o direito de greve dos trabalhadores da SNCF, por “abuso de poder”. Supostamente, os trabalhadores ferroviários franceses teriam abusado do direito de greve, um direito fundamental para a classe operária reivindicar seus direitos diante das violências da burguesia.

A situação dos trabalhadores está extremamente precária. Os trabalhadores estão denunciando, inclusive, o aumento da depressão entre eles. A diretoria não apenas demitiu diversos funcionários, aumentando o trabalho dos funcionários da empresa, como também fica fazendo uma política de terrorismo psicológico, ameaçando de desemprego aqueles que procurarem se mobilizar. Agora, com o fim do direito de greve, a situação piorou ainda mais.

A burguesia acusa os trabalhadores de terem cometido abusos durante o movimento grevista, instaurando uma política de 3 dias de trabalho para cada 2 dias de greves, aumentando ainda mais a exploração que em condições “normais” já é absurda.

Eles ainda têm de passar por um “conselho de disciplina” para intimidá-los e “verificar se estão realizando o trabalho”. Sem falar que muito destes trabalhadores são imigrantes, sobretudo de origem árabe e das antigas colônias francesas na África, pessoas que em todos os sentidos são brutalmente oprimidas pelo sistema capitalista.

Mas como se não bastasse isso contra os trabalhadores. O governo francês também mantém uma política de repressão aos filhos destes trabalhadores, ao modelo do que vem acontecendo no Rio de Janeiro dos militares, pois nas esquinas perto das escolas, o efetivo de policiais aumentou. Professores franceses têm denunciado que filhos de imigrantes têm sido abordados pela polícia francesa de maneira ameaçadora, inclusive nos próprios salões das escolas, tendo de abrir suas mochilas na frente de todos os colegas da sala e da escola, de forma humilhante.

Ou seja, na França de Macron, para os trabalhadores, um regime de total repressão e retirada de direitos fundamentais, e para seus filhos, repressão policial e intimidação. Esse é o candidato supostamente democrático que foi colocado no poder para derrotar o fascismo da Frente Nacional, de Marine Le Pen. Percebe-se então que entre a democracia burguesia e o fascismo a linha é extremamente tênue. Tudo isso indica que a crise francesa está se encaminhando para uma ditadura ferrenha da burguesia.