8 de março
A luta das trabalhadoras pela sua emancipação não tem relação com fortalecer o poder repressivo da burguesia que é sua maior inimiga, mas sim em combatê-la

Por: Redação do Diário Causa Operária

No dia internacional da mulher trabalhadora, 8 de março, a Polícia Civil deflagrou uma “megaoperação” para prender supostos agressores das mulheres. A polícia, instrumento de repressão da burguesia contra os trabalhadores e demais oprimidos, inclusive as mulheres, resolveu aproveitar a onda reacionária que toma conta das discussões das mulheres. Isto por conta da forte propaganda da burguesia em fazer demagogia com este setor. Sobretudo no que diz respeito à violência doméstica e estupro, a classe dominante subverte toda a luta da mulher ao sugerir a repressão como instrumento que estaria a serviço das oprimidas, o que é uma grande farsa.

A operação fascista do Departamento-Geral de Polícia de Atendimento à Mulher (DGPAM) está acontecendo desde o início do ano (2021) em diversos estados do país e já prendeu mais de 8 mil pessoas. Como “homenagem” ao dia da mulher, a polícia resolveu intensificar as prisões nesta segunda-feira (8). Só no Rio de Janeiro, 98 mandados de prisão foram expedidos e até as 10h da manhã de ontem (8), 25 pessoas já haviam sido presas. Em declaração a coordenadora do DGPAM, afirma que a operação tem uma “função simbólica e repressiva”.
“Desde janeiro estamos reunindo dados de violências domésticas e inserindo-os em uma base nacional. Hoje, simbolicamente, estamos fazendo essa operação. Fazemos isso hoje porque o Dia Internacional da Mulher é um dia de luta por igualdade. E o grande problema, a base da violência contra a mulher, está na profunda desigualdade entre sexo, onde as mulheres são todas tratadas como objetos e, portanto, sujeitas a punições através de castigos e mortes pelo feminicídio. Essa visão patriarcal de que a mulher é objeto e prioridade do homem é a base de toda a violência. Queremos combater a extrema desigualdade que resulta nessas violências.”
 
O órgão da polícia, que por excelência é reacionário e direitista, usa da demagogia com as mulheres tão somente para justificar mais repressão contra a classe trabalhadora. Como afirmado, a operação é simbólica, ou seja, uma farsa, não levará a nenhum ganho real para as mulheres, que continuarão sendo agredidas e reprimidas; além de também deixar claro que o objetivo é a repressão e não a emancipação da mulher.
A declaração da policial, que fala em “desigualdade entre sexos”, “visão patriarcal” e “mulheres tratadas como objeto”, não tem nenhum intuito real de retirar as mulheres desta condição e não passa de demagogia com um setor oprimido. A “extrema desigualdade que resulta nessas violências”, como diz a declaração, tem como seu maior agente o próprio Estado burguês ao qual a polícia fascista serve. O mesmo Estado que garante, através da violência, a inferioridade da mulher na sociedade.
É preciso ter claro que a condição de opressão das mulheres é causada não pela “desigualdade entre sexos”, mas sim pela ação da burguesia contra a classe trabalhadora e todos os oprimidos, dentre os quais a mulher é um dos setores mais atingidos. As circunstâncias que levam à violência doméstica, ao estupro, etc, são resultado da condição social inferior, de miséria, dependência econômica, desemprego, entre outros, na qual as mulheres são colocadas pela opressão e exploração direta da burguesia.
Logo, os problemas que atingem as mulheres não são, de forma alguma, algo abstrato ou subjetivo, restrito à questão de gênero. A opressão contra as mulheres existe desde antes do capitalismo, mas foi mantida e aperfeiçoada pela burguesia, que viu na opressão das mulheres uma forma eficaz de controlar a classe operária. As mulheres são metade da população mundial, ou seja, submetê-las significa dominar, de pronto, cerca de metade da classe trabalhadora mundial.
Desta forma, a luta das mulheres trabalhadoras não passa pela repressão, uma vez que fortalecer o poder repressivo da burguesia, que é a maior inimiga das mulheres, significa aprofundar os problemas sociais que as atingem. É evidente que esta campanha direitista, em torno de mais repressão como algo de interesse da mulher,  não serve às mulheres, nem aos trabalhadores. Serve, sim, à própria burguesia, que não pretende, em nenhum momento, criar ou permitir as condições para que as mulheres saiam da situação de opressão. Enquanto a direita lota ainda mais as prisões com os ditos agressores, as mulheres continuam expostas à agressão e também a todo tipo de ataque da burguesia, desde o desemprego até a fome, por exemplo.
A emancipação das mulheres deve ser resultado da própria luta da mulher. Dar mais poder para a repressão estatal, não fortalece as mulheres, mas sim o Estado burguês, que é quem a oprime e cria todas as circunstâncias para a violência contra elas. Portanto, seja para lutar por emprego e salário ou contra a violência que sofrem, as mulheres trabalhadoras não podem se apoiar na burguesia, mas apenas em si mesmas, através da organização de grupos de autodefesa e de apoio para as mulheres que sofrem agressão. Também devem se apoiar na luta popular, que deve buscar tanto o fim da Polícia, como um governo dos trabalhadores, único meio pelo qual suas reivindicações poderão ser atendidas.
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