“Renuncia Haddad”: Vice de Ciro, que teoricamente apoia o PT, quer tirar Haddad do 2º turno

Ciro Gomes e Kátia Abreu

A candidatura de Haddad nunca foi a candidatura que corresponde, concretamente, à luta do movimento operário. Desde que Dilma Rousseff foi derrubada, o ex-presidente Lula apareceu como a principal liderança da luta conta contra o golpe de Estado. Sua candidatura à Presidência nestas eleições, portanto, era a única candidatura que possuía um vínculo real com os interesses dos trabalhadores.

Ciente da ameaça que Lula representa ao Regime Político, a burguesia se antecipou e colocou o ex-presidente na cadeia. Não bastasse toda a arbitrariedade envolvida em uma condenação sem provas, um mandado de prisão de um réu ainda não completamente julgado e um habeas corpus negado por causa da pressão das Forças Armadas, a direita ainda impediu que Lula concorresse nas eleições.

A burguesia não se contentou em tirar o candidato mais popular das eleições deste ano, como também tentou impor, diversas vezes, o candidato que a esquerda deveria utilizar. Além de contestar sistematicamente a escolha de Lula como referência para a esquerda, a burguesia apontava como candidatos “esquerdistas” elementos como Guilherme Boulos, Manuela D’Ávila, Joaquim Barbosa e Ciro Gomes, sendo este último seu preferido.

O Partido dos Trabalhadores, que é uma das maiores organizações populares do partido, se negou a apoiar um candidato de outro partido. Pressionado a abandonar a candidatura de Lula, a Direção petista optou por lançar Fernando Haddad, sob o slogan de Haddad é Lula, Lula é Haddad.

Mesmo o PT lançando um candidato que não tem a força e o apoio popular que tem Lula, a burguesia ainda não demonstra estar preparada para aceitar a candidatura de Haddad. Por isso, mesmo o segundo turno se resumindo a Fernando Haddad e Jair Bolsonaro, o nome de Ciro Gomes ainda circula na imprensa burguesa.

Nessa semana, Kátia Abreu, conhecida como “musa do latifúndio” e candidata a vice de Ciro Gomes no primeiro turno, veio a público defender que Haddad renunciasse. Segundo ela, se Haddad desistisse de sua candidatura, Ciro Gomes seria o candidato a concorrer com Bolsonaro no segundo turno.

O argumento de Kátia Abreu é de que as pesquisas dos institutos da imprensa burguesa haviam indicado que Ciro Gomes seria o único capaz de vencer Bolsonaro. Dessa forma, a renúncia de Haddad seria um gesto “democrático”, que permitiria o fascista Bolsonaro ser derrotado.

Obviamente, a tese de Abreu não faz o menor sentido. As pesquisas de intenção de voto são parte da faude eleitoral e não merecem a menor confiança. Além disso, Ciro Gomes não é um candidato melhor que Bolsonaro: é o candidato que já demonstrou estar pronto para servir de capacho para os golpistas.