Pandemia e crise capitalista
Burguesia utiliza da pandemia para aumentar a exploração dos trabalhadores.
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Entregadores de APP
Entregador de aplicativo percorre Av. Paulista em São Paulo | Reprodução

O ano de 2020 ficará marcado como ano em que os capitalistas utilizaram a pandemia de coronavírus para aumentar ainda mais a exploração sobre os trabalhadores em todo o mundo. Enquanto a renda dos trabalhadores cai bruscamente, a dos patrões aumenta, como fica claro no Brasil, onde os rendimentos das chamadas classes B, C e D/E, cairão em 2021, enquanto que a classe A, das famílias que ganham mais que R$19,4 mil mensais, aumentará sua renda domiciliar.

Esta projeção da Tendência Consultoria é indicativa, porém exibe apenas um pedaço da realidade. Isto porque o Critério Brasil, que divide a população em classes econômicas de A a E, em relação à sua renda mensal, agrupa dentro da categoria A, tanto a pequena burguesia abastada – um alto funcionário da burocracia estatal ou um gerente de empresa privada, que ganhem R$20 mil de salário – quanto os grandes capitalistas – como por exemplo um banqueiro, que não vive de salário e tem uma renda infinitamente superior a 20 mil mensais.

Logo, a realidade é muito pior do que apresenta a consultoria. Relatório da ONG Oxfam mostrou que 42 brasileiros elevaram suas rendas em US$34 bilhões de dólares (R$177 bilhões de reais) entre o início da pandemia, em março, até junho deste ano, o que mostra que os bilionários brasileiros passaram imunes ao coronavírus e à crise econômica.

Desemprego

Os trabalhadores viram em 2020 sua renda evaporar através de vários fatores, como o rebaixamento salarial, o desemprego, a informalidade e a inflação. Com a Medida Provisória (MP) 936/2020, conhecida como “Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda”, o governo golpista permitiu o rebaixamento salarial, a suspensão dos contratos de trabalho (demissão) em plena pandemia e ainda liberou R$33 bilhões supostamente para o pagamento parcial de auxílio-desemprego.

Já com a MP 927/2020, da chamada carteira de trabalho verde e amarela, o governo impôs o regime de trabalho baseado no “negociado sobre o legislado”, ou seja, uma forma de contrato em que o trabalhador estabelece com o patrão os critérios da sua exploração, sem nenhuma garantia legal, como a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), por exemplo. Uma verdadeira selva, que regride a relação entre exploradores e explorados ao começo do século XX.

Com a desculpa da pandemia para desferir enormes ataques contra os trabalhadores, os golpistas levaram o País a pela primeira vez na história ter mais desempregados do que empregados. Dados da PNAD Continua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que a população ocupada (empregados, empregadores, conta própria, servidores) era de 85,9 milhões no trimestre até maio, o equivalente a menos da metade do total da população em idade de trabalhar (a partir de 14 anos).

O dado vai muito além do desemprego oficial recorde divulgado em novembro, que alcançou 14 milhões de brasileiros, de acordo com dados divulgados pelo IBGE na última quarta (23). Desde maio, aumentaram em 4 milhões o número de desempregados, o que significa uma alta de 40% aproximadamente.

Informalidade e inflação

Esta situação catastrófica empurrou dezenas de milhões de trabalhadores para a informalidade, o que se verificou num aumento expressivo do número de motoristas e entregadores de aplicativo, por exemplo, bem como em outros meios de trabalho autônomo completamente precarizados, insuficientes para que o trabalhador se sustente diante da crise.

Além disso, a política de queima de estoques de alimentos para a exportação, permitida pelo governo golpista para favorecer os grandes latifúndios. Bem como a liquidação do setor do petróleo e gás no País com o fatiamento da Petrobras via venda de suas subsidiárias, fez com que o preço de itens básicos de alimentação (como arroz, feijão, óleo e gás de cozinha) e também os combustíveis, aumentassem muito acima da inflação oficial, corroendo o poder de compra do povo brasileiro.

Auxílio Emergencial

Enquanto a renda das famílias diminui, o governo golpista de Bolsonaro acabou com o auxílio emergencial, o que levará 24 milhões de pessoas a ficarem completamente sem renda, pois sobreviveram neste ano apenas com a renda do benefício. O aumento da fome, da miséria e da extrema pobreza já anunciados inclusive pelo próprio Fundo Monetário Internacional (FMI), um alerta da burguesia imperialista para a burguesia brasileira do risco de uma convulsão social.

Ainda segundo a consultoria, o número de famílias que foi literalmente empurrado para baixo na renda domiciliar, tendo que sobreviver com menos de R$2.600 reais por mês é equivalente 2,3 milhões. Em 2021 mais 930 mil famílias farão parte das categorias D/E. Além disso, os mais pobres, que não ficarão completamente sem renda, perderão em torno de 15,4% com o fim do auxílio emergencial, o que aprofundará ainda mais a desigualdade social no Brasil.

Ganhos extraordinários

Isso quer dizer que, enquanto os trabalhadores perderam renda pela diminuição direta do seu salário, pelo desemprego e pelo aumento de preços acima da inflação oficial, os patrões ganharam demitindo massivamente, para economizar custos de mão de obra, ganharam ao manterem menos funcionários trabalhando mais e recebendo menos e ganharam por receberem repasses diretos e indiretos do governo com a desculpa de enfrentar a crise.

O fato mais absurdo desta situação foi o repasse de mais de 1,2 trilhão que o governo Bolsonaro concedeu aos banqueiros através do Banco Central, que tinha o intuito de se transformar em linhas de crédito para emprestar para as empresas não demitirem. No entanto, os bancos embolsaram a maior parte do dinheiro e a parte repassada às empresas foi embolsada pelas empresas, que promoveram demissões em massa e corte de custos de mão de obra, como a diminuição salarial, também permitida por Bolsonaro e Guedes.

Além disso até 27 de agosto, segundo dados da Auditoria Cidadã da Dívida, os bancos receberam do governo brasileiro como pagamento de juros e amortizações da dívida pública: R$1.046.874.486.123 (1 trilhão, 46 bilhões, 874 milhões, 486 mil, 123 reais). O que equivale a 4,4 Bilhões por dia e 45,76% de todos os gastos do Estado.

Ou seja, diferente do que alguns setores insinuaram, a pandemia não acabou de forma nenhuma com a luta de classes. Muito pelo contrário. Os capitalistas, vendo o tamanho da crise, organizaram-se para que a classe operária mundial (e neste caso a brasileira) pagasse a conta, trabalhando mais, morrendo de coronavírus e de fome e recebendo menos, para que os capitalistas aumentem seus lucros.

Neste sentido, enquanto a pandemia significou para quase 200 mil pessoas no Brasil, apenas em dados oficiais, a morte, para o resto da população que sobreviveu, significou a perda de parentes e amigos e o aumento brutal da exploração dos capitalistas sobre seu trabalho. Para um seleto grupo de capitalistas, uma das maiores pandemias que o mundo já enfrentou, significou um grande negócio, que permitiu o aumento ainda mais expressivo das suas fortunas, ancorado nas benesses do governo golpista e em todos os mecanismos de drenagem de recursos públicos que os capitalistas organizaram, como o recebimento de juros e amortizações da dívida pública.

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