Burguesia segue intacta
Ao invés da taxação de grandes fortunas e dos grandes bancos, programa Renda Cidadã será financiado em grande parte pelo imposto de renda da classe média.

Por: Redação do Diário Causa Operária

As demonstrações que o governo de Jair Bolsonaro trabalha único e exclusivamente em favor dos interesses burgueses acontecem todos os dias, e o Programa Renda Cidadã é mais uma delas. O programa, que foi articulado para “substituir” o Bolsa Família numa tentativa de desvinculação de qualquer programa de distribuição de renda de governos do PT já causou polêmicas desde o início, e agora mais um capítulo se desenha no que diz respeito a como esse programa será pago.

Vale ressaltarmos que o Renda Cidadã apareceu após uma primeira polêmica, que foi o programa Renda Brasil, em que vários benefícios dos trabalhadores, entre eles o abono salarial, seriam substituídos por um só benefício, o que foi rejeitado pela burguesia que não pretendia concordar com nenhum programa de distribuição de renda no país, mesmo o país vivendo uma das maiores crises econômicas de sua história. Tendo em vista a necessidade de evitar, ou melhor, de tentar postergar uma convulsão social, o governo então decidiu criar outro programa, que serviria de propaganda para Bolsonaro e substituiria o Bolsa Família, no caso o Renda Cidadã. Porém, com o país em crise, o governo decidiu que não será a grande burguesia que irá pagar pela manutenção do programa, mas sim a pequena classe média, com o fim do desconto de 20% sobre o imposto de renda simplificado. A medida atingiria mais de 17 milhões de pessoas, e o governo planeja ampliar cortes de gastos para conseguir tirar o programa do papel.

Ao contrário do que seria o correto, onde a taxação de bancos, igrejas e de grandes fortunas deveriam cobrir os gastos com o programa, quem irá pagar pelo Renda Cidadã será uma parte da população que ainda se encontra em uma situação um pouco mais privilegiada, mas ainda assim não se trata da grande burguesia e nem dos grandes sangues sugas dos trabalhadores, estamos falando de pessoas que vivem de salários e não de renda, apesar de pagarem o imposto. Em um momento de crise ao qual estamos passando, o correto, sem dúvidas, seria que o dinheiro do financiamento de um programa de distribuição de renda – distribuição mínima no caso, com valores muito inferiores às necessidades e realidade dos trabalhadores-, deveriam sair das mãos daqueles que exploram e colocam os trabalhadores nesta situação cada vez mais dramática, que no caso é a burguesia.

Isso não ocorre e nem ocorrerá justamente porque estamos lidando com um governo golpista e que sempre trabalhou para os interesses da classe burguesa. Enquanto cortes são feitos em recursos primordiais para a vida dos trabalhadores e há um grande aumento de impostos, outra parcela da população se beneficia com essas medidas, onde o sistema financeiro já levou, desde a chegada da crise, mais de R$1 trilhão dos cofres públicos. Além do fim do desconto no imposto de renda simplificado, o governo planeja realizar um “pente fino” e realizar cortes em todos os âmbitos possíveis do governo, mas em nenhum momento é tocado no assunto de acabar com privilégios de grandes empresários e banqueiros, ou seja, as despesas do governo estão fazendo com que o próprio trabalhador pague para que outros trabalhadores tenham pelo menos a chance de sobreviverem, num programa de distribuição de renda mínimo numa tentativa de aumento de popularidade e manutenção do governo golpista.

É preciso deixar claro e denunciar que os interesses das políticas do governo golpista não correspondem aos interesses dos trabalhadores, e por isso é necessária a mobilização para a derrubada do governo Bolsonaro e todos os golpistas que se articulam para que os trabalhadores paguem pelas crises que os afetam e que foram criadas pela burguesia, e para que a realidade dos trabalhadores mude é necessário primeiramente o fim do regime golpista, que está imposto à população desde 2016, com o golpe de Estado e a sua completa consolidação nas eleições de 2018.

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